O “Brexit” e a ilusão de uma Inglaterra global


No passado os  ingleses, com alguma tonalidade de superioridade à mistura, foram conquistando o mundo e governado-o, directa ou indirectamente, a partir das Ilhas Britânicas, no Atlântico. Nunca quiseram  fazer parte da Europa numa lógica continental, vista como demasiado pequena e pouco interessante, até por não terem necessitado. Mas a partir de meados do século XX, lentamente, foram perdendo o império que tinham um pouco por todo o mundo. Neste século início de XXI acabam por estar reduzidos, novamente, às Ilhas Britânicas, no Atlântico.  Tendo feito parte da União Europeia da forma que lhes foi sendo  mais conveniente estão, por vontade própria, de saída — formalmente já não são membros desde 1 de Fevereiro de 2020. Sendo que o fizeram achando ainda ter alguma influência mundial, o que talvez já não seja bem a realidade.  São unicamente as Ilhas Britânicas, num tempo e num mundo global. Estão talvez também a deixar cair o que os tornava positivamente diferentes — a elegância, um certo requinte, uma certa educação e claro até a própria monarquia.  Passar de pequeno a grande e poderoso é sempre um caminho relativamente fácil de (auto)aconvencimento  e também de orgulho.  Mas fazer o percurso inverso é bem mais difícil e penoso. Se for feito aos atropelos, com algum desprezo pelos outros e, sobretudo, desligado das realidades do mundo global de hoje, pode ser um percurso não para voltar a ter controlo nacional, mas para a pequenez e a perda de relevância internacional.  Veremos se  com o “Brexit” será este o futuro dos ingleses no século XXI  que, apesar de ainda estar no início, já mostrou  tantas mudanças e transformações.

© Augusto Küttner de Magalhães, 30/06/2020