O “Brexit” será mesmo para ser “Brexit”?

 

Os britânicos quiseram fazer um referendo para saírem da União Europeia (UE).  Achavam que estariam melhor sozinhos do que mal acompanhados e fizeram pela primeira vez activar o artigo 50 do Tratado da União Europeia, o qual ainda é uma confusão,  dado ser uma porta de saída que se pensava ninguém iria utilizar. O Reino Unido quis continuar diferente, apesar de hoje já não ter, nem ser, um império,  continuando a conduzir pela esquerda e a usar pesos e medidas diferentes de todos os outros. Mas na confusão da preparação da saída, tanto por parte do Reino Unido como da União Europeia,  as surpresas e percalços têm sido muitos. Mas o referendo realizou-se e o Reino Unido activou a saída. A porta que se pensava ficar para todo o sempre fechada,  já está a ser aberta. E agora perante uma realidade de um tempo diferente há dúvidas existenciais que obrigam muitos dos que não não querem, ou não queriam, manter-se ligados à UE a repensar a situação.

Em simultâneo, temos juízes ou magistrados europeus a fazer política —  quando seria mais usual o contrário —, a repescarem nas entrelinhas dos compêndios que ainda orientam a União,  a forma do Reino Unido dar o dito por não dito, anulando unilateralmente o “Brexit”.  Talvez seja tempo de os juízes se dedicarem em pleno à justiça e deixarem a política para os políticos. E se o Brexit” não é tão aprazível para os britânicos,  problema deles, a porta foi franqueada, deverão ter de sair, já não será altura de recuar. E talvez os nacionalistas, que em força vagueiam pelos restantes 27 Estados da UE,  querendo forçar possíveis novos “exits”, pensem agora se devem mesmo isolar os seus países. Ou talvez agora, pelo contrário, percebam  que criar uma Europa mais unido, sem conflitos graves entre  si, é uma solução bem melhor pare eles e todos os europeus.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 7/12/2018