O caso Aquarius: onde para a União Europeia?

 

Existem situações tão inconsequentes e tão graves que, se não acabarem por desfazer a União Europa, talvez nada a consiga desfazer… Não deveria ser possível que mais de 600 pessoas resgatadas do mar Mediterrâneo, depois de terem sido reanimadas e correndo risco de morrer afogadas, ficassem praticamente entregues a si próprias no mar. Pessoas que o Governo de Itália impediu que desembarcassem nos seus portos. Para agravar a situação Malta também não as quis acolher — enviou-lhes apenas comida que já faltava a bordo. Pessoas que, aparentemente, apenas o novo Governo espanhol procurou salvar, ao decidir acolhê-las. Mas, por certo, e cada vez mais, salvar a própria União Europeia não parece haver já quem consiga.

O Primeiro-Ministro húngaro regozijou-se com a atitude do Ministro do Interior italiano ao proibir a entrada de migrantes em Itália, algo que a Hungria já vem fazendo erguendo muros nas suas fronteiras. Não, não é só o Donald Trump que cria barreiras entre os EUA e o México. Estados que são membros da União Europeia — supostamente não só em direitos mas também em deveres — fazem-no entre si. Mas União Europeia pouco ou nada faz. Permite que tais países façam parte da mesma e sejam acolhidos com normalidade em Bruxelas. Para quê incomodar-se com as atitudes de Vladimir Putin na anexação da Crimeia? Para quê achar que o Presidente dos EUA faz mal em aumentar os impostos sobre as importações de produtos europeus. Para quê? Onde para, afinal, esta União Europeia?…

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 13/08/2018