O Reino Unido deveria sair da UE a 29 de Março

 

Ninguém quis, dos restantes Estados da União Europeia, “empurrar” para fora o Reino Unido. Foi vontade própria dos britânicos fazerem um referendo, talvez por ainda se acharem na lógica do Império Britânico. Como tal, não se deviam ser parte de um grupo de países do continente europeu. Contavam poder ter fortes apoios nos EUA e, talvez também, com o resto do ex-Império, que, todavia, já não precisa muito do Reino Unido. No referendo, o voto favorável à saída venceu e os britânicos quiseram deixar livremente a União Europeia. A União Europeia foi criada para unificar e nunca o contrário, mas há, todavia, possibilidade de saída voluntária, que está  prevista no artigo 50, mas que se imaginava não iria ser utilizado. 

Os britânicos, com o seu orgulho, com a suas medidas próprias, com a sua moeda, com a condução automóvel pelo lado esquerdo, com o afastamento de quase sempre, decidiram sair. Ironicamente, muitos dos heróis do referendo e do resultado — que levou ao “Brexit”— com as dificuldades da saída “fugiram”, outros disfarçaram-se e ainda outros tropeçam nas suas próprias ideias. Entre outros assuntos complexos, subestimaram o problema das duas Irlandas. Este não começou só depois do resultado do referendo. E se tudo o resto não parece ser muito confortável para os britânicos, a separação com fronteira física entre as Irlandas, é talvez a parte mais problemática. Mas foi o caminho que escolheram.

O Reino Unido, que sempre gostou de estar com um pé  na União Europeia e o outro nas suas ilhas, pretende agora retirar-se do “continente” europeu, mas não sabe exactamente como fazê-lo. É pena tudo isto, claro, e é grave. Quando se vislumbram grandes dificuldades na saída, não se deveria tentar baralhar tudo, nem  se deveria imaginar poder continuar a jogar nos dois lados, ao mesmo tempo. Adiar decisões importantes, jogar com o destino do país, é bastante irresponsável. Claro que provavelmente  tudo vai ficar adiado, claro que se vai continuar a negociar o inegociável na Irlanda do Norte, só que estes impasses em nada beneficiam o Reino Unido e a União Europeia.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 14/03/2019