Obama deixa caminho aberto a Trump na Parceria Transatlântica com a Europa?

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Parece chocante mas muito plausível, que a possível Parceria Transatlântica para o Comércio e o Investimento, via Atlântico, entre União Europeia e EUA, ao ser muito vantajosa para estes, nada o será para nós, bem pelo contrário e deixa em aberto um caminho de supremacia declarada de Trump ou até de Hillary quando um destes, em 2017, substituir Obama. E que, toda a imagem que Obama criou na Europa como democrata e defensor de imparcialidades, de igualdades, se desvanece com o “andar dos tempos”. E possivelmente a História nos virá a contar, com tempo, que Obama só fez a diferença por ter sido o primeiro Presidente dos EUA não branco. Mas mais nada que isso. E será muito pouco. Quanto a Guantánamo vai continuar por fechar, apesar de ter sido promessa feita logo, logo no início do primeiro mandato de Obama, o seguro de saúde para quem não possa pagar vai cair, a “paz” com Cuba será para beneficiar naquela região os EUA e a supremacia na Parceria Transatlântica para o Comércio e o Investimento, se for assinada, será uma desgraça para a União Europeia.

Há vários aspectos das negociações que nos estão a ser escondidos, mas hoje a com todos estes “espreitadores”, que nos revelam o que está “debaixo da mesa “ ou “em cima”, mas escondido, sabemos que se assim for “assinado” ficaremos, nós Europeus,  muito a perder. Tais como: 1- A Comissão usa o sigilo nas negociações, não tanto para obter o melhor acordo possível face aos EUA — o que seria compreensível e justificado —, mas para fazer concessões. 2 – Uma significativa influência dos grandes lobbies empresariais, europeus e norte americanos, nas negociações. 3 – A discussão é desequilibrada — e bastante, a favor dos EUA. 4 – Se os europeus querem acordo, têm é de aceitar as suas condições. 5 – Os EUA estão cada vez mais orientados para a Ásia-Pacífico, a qual vêm como a sua área privilegiada de interesse económico e geopolítico.

Assim, já não são os “chamados “ preservadores da Natureza e do Ambiente (Greenpeace) que estarão a exagerar, mas de facto, se este acordo for avante a Europa fica a perder e os EUA a ganhar, em duas frentes, dominando-nos europeus, achando — se calhar com imensa razão – que não atinamos a fazer “outra coisa “ e nos teremos que subjugar, e indo eles — simultaneamente – EUA em força, pelo outro lado pelo Pacifico, negociar bem com a China, a Índia, o  Japão e outros. E nos seremos uma “colónia”. Triste estarmos a ver que afinal Obama, tanto prepara o caminho para Trump como para Hillary, o que lhes interessa é defender a qualquer custo os EUA como ainda primeiro país no ranking mundial, o resto, é-lhe nada importante. Talvez seja a última oportunidade para a Europa acordar, unir-se de facto, crescer internamente, fazer mais ligações privilegiadas com outros países da América nomeadamente Canadá, com os a Oriente, China, Índia e Japão, e até ir à Austrália, e não ficarmos “agarrados” a Obama e aos EUA, que parece que será daí que já não virão bons ventos, nem democracia, e o Reino Unido que se cuide, que se sai da Europa afoga-se no Atlântico.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 7/05/2016