Obama e Blair deixaram um legado insuficiente (e muitos problemas)

 

O mais recente na nossa memória será Barack Obama, mas também tivemos Tony Blair,  cada um nas suas funções, nos EUA e no Reino Unido. Ambos pareciam ser lufadas de ar fresco, essencialmente por sucederem a políticos fracos e/ou muito problemáticos, algo especialmente evidente nos EUA, com George W. Bush. No caso britânico, Tony  Blair inventou uma terceira via sem se perceber bem onde pretendia a chegar, acabando por fazer muito do que se esperava que não fizesse, dentro e fora do Reino Unido. E hoje, de facto, o Reino Unido tem pouca importância mundial, mas na altura podia ter feito a diferença e não estaria talvez a ser a ilha a perder-se no Atlântico em que se transformou. Fora do poder, Blair passou a dar conferências bem remuneradas, dizendo o que se devia  bem-fazer, mas que não fez quando teve para isso oportunidade!

Quanto a Barack Obama, seria algo nunca visto na Presidência dos EUA, não só por ter ascendência africana, mas por parecer ter vontade de mudar, de consertar o que George W. Bush tinha estragado. E parecia que com o apoio de Michelle Obama iria fazer uma vasta obra. Inopinadamente, antes do tempo, atribuíram-lhe o Prémio Nobel da Paz, e sequer nem com Guantánamo conseguiu ou quis acabar! Saiu acabando por deixar a possibilidade a Donald Trump de fazer toda uma série de “inconsequências” que se dessem só cabo do seu país seria problema de quem o elegeu! Mas está a criar demasiados problemas internacionais pois estamos falar da, ainda, maior potência mundial. Tal como Blair, agora temos também Obama como conferencista e muito bem pago, passando escassa meia dúzia de horas onde aterra — fala e vai-se embora!

Serão estes os exemplos que se esperaria de pessoas que podiam ajudar a não estarmos mundialmente como estamos? Só que uma pessoa sozinha nada muda, argumenta-se. Claro que pode mudar e muito, e temos para o bem e para o mal tantos que o fizeram! Como é evidente têm todo o direito a viver bem e ter um retorno financeiro elevado, mas talvez não devessem andar a “pregar” pelo mundo em conferências, o que não conseguiram ou quiseram fazer, quando tiveram para isso oportunidade no poder. São casos que, quando parece que estão a aparecer estadistas de envergadura, acabam numa desilusão. Claro que isto sempre aconteceu desde que somos humanos, como tempos de bonança e humanismo, e outros totalmente ao contrário, mas quando podia ser melhor é bem  pior. E nós estamos cá para viver e ver!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 10/05/2018