Os americanos ficaram  a meio caminho e Trump não foi seriamente abalado

 

Os americanos  continuam a deixar-se levar pela “onda” de Donald Trump. Barack Obama andou demasiado distraído nestes dois anos primeiros do mandato de Trump, a falar de clima e outros assuntos globais, e agora apareceu tarde, como já fazia no final do segundo mandato. Não consegue ajudar a reverter ver o caminho político preocupante do seu país. Assim,  Donald Trump, apesar de perder a maioria na Câmara dos Representantes,  aumentou a maioria dos “seus “ republicanos no Senado, o que o põe ao abrigo de qualquer tentativa de impeachment. Quanto aos democratas, apesar de terem agora maioria na Câmara dos Representantes, não terão poder suficiente para “por na ordem“ Trump, que gosta do confronto e de dividir. Um exemplo disso é o discurso desenfreado anti-imigração, problema que vem sendo explorado por Trump, o qual criou a ideia de uma total insegurança se chegarem mais alguns imigrantes. (Isto apesar de a sua própria mulher ser também imigrante e de os EUA serem  a maior potência mundial em grande parte por atraírem muitos imigrantes ao seu território).

Hoje as eleições, um pouco por todo o mundo, estão a ter uma focagem exagerada numa só pessoa, que tem de ter um ar duro, e, se for eleita, irá “resolver” tudo e expulsar os “maus”.  Esta focagem está a dar resultados no Brasil, nas Filipinas, na Rússia, na Venezuela, em Itália, na Áustria e ainda mais países seguirão essa via anti-democrática, baseada na esperança da vinda da figura providencial. Trump de alguma forma  ganhou  — ou, pelo menos, não perdeu o suficiente para o abalar —, e muitos americanos gostam do seu estilo belicoso e autoritário, que ataca (quase) tudo e todos, tendo  a sorte de ter chegado à presidência dos EUA com uma economia em crescimento, algo não feito pelo próprio, mas pela conjuntura mundial favorável. Mas as fake news persistirem e a comunicação social  continuar a orientar-se pelas redes sociais por não ter agenda própria, as pessoas deixarão de pensar ou serão tentadas a ficar convencidas pela “qualidades” de gente como Donald Trump — o exemplo vivo desta “moda” que está a atingir demasiados países no mundo. É grave e preocupante!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 7/11/2018