Os eleitores gostam de ser enganados?

 

Em todos os tempos os candidatos políticos foram prometendo muito do que sabiam nunca iriam fazer, mas com algum “pudor”. Hoje, no tempo da pós-verdade — ou seja da quase mentira declarada – é usual descaradamente todos prometerem em “campanha eleitoral”, o que estão certos ou certas que nunca irão cumprir. Claro que uns mais que outros, mas todos, todos, têm esta táctica “bem” aproveitada nos seus percursos eleitorais. No caso concreto hoje de Marine Le Pen, é por mais desavergonhado. E vai prometendo o que nem a própria sabe como fazer, dando viragens sobre si mesma para conquistar votos dos extremos, no caso da extrema-esquerda — tão quadrada como qualquer extrema —, a juntar á sua tão “querida” extrema-direita e aos indecisos. E a algo tão — também  — estranho, perto do neutro: alguém de facto é consequentemente neutro? (Nem sim, nem não, assim-assim?) Já Trump o fez e até, ainda, como Presidente Eleito dos EUA, continua a utilizar usualmente, sem qualquer pudor, a pós-verdade. E prometeu um Muro na fronteira dos EUA / México, a rematar o que já existe, para não permitir a entrada de mexicanos/ilegais no seu “querido” território, pago pelos mexicanos, mas afinal, não vai assim acontecer. Prometeu acabar com o Obamacare, que continua viçoso e em funcionamento, e mais pós-verdades tem utilizado.

Marine Le Pen faz exactamete o mesmo. Prometeu acabar com o euro, voltar ao franco. Agora — para conquistar tudo e todos —, arranjou uma manigância para supostamente terem na França, ainda V República, o franco para uso interno e euro para utilização externa. Algo, que nem ela própria sabe se poderá ser viável. E plagia discursos de candidatos derrotadas na primeira volta, e por aí adiante, e, nem num caso nem no outro, se arriscam por utilizarem a pós-verdade de serem banidos da cena política. Trump, até ganhou graças a estes “sistemas” e não está de forma alguma posto de parte que Marine também possa vir a ser a Presidente da França, ganhado já a 7 de Maio. Claro que, por todo o lado e de modo algum nunca só Le Pen, nem só Trump utilizam/utilizaram — hoje sem vergonha — as promessas que sabem nunca irão cumprir. Entraram num exagero que seria inimaginável em verdadeiras Democracias, há 20/ 50 anos atrás. Mas hoje é tão normal que parece mesmo que muitos eleitores gostam de ser “enganados”.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 3/5/2017