Os EUA a caminho da autocracia?

 

Talvez fosse impensável, em Julho de 2016, imaginarmos que um ano depois no país ainda a maior potência mundial, onde os valores como “ a liberdade e a democracia” sempre foram sendo defendidos, tivesse hoje, ao seu “leme”, alguém com tendências autoritárias e autocráticas como Donald Trump. Mas é um facto e só é grave — ou melhor, ainda mais grave será —, por se tratar dos EUA. Trump foi eleito democraticamente pelos seus americanos — já Hitler tinha sido também eleito pelo “seus” alemães, em 1933 — e obstinadamente faz o caminho que seria de esperar que viesse a fazer, caso chegasse a Presidente dos EUA. Se a economia se mantem estabilizada, talvez ainda consequência do que antes foi feito e de uma melhor conjuntura que todos estamos a viver, tudo o resto têm sido retrocessos anti-democráticos estrondosos. Trump faz descaradamente o que bem-mal lhe apetece, tal como Putin ou Erdogan, sem quaisquer problemas e muito menos pudores. Como os Republicanos não se arriscam a “deitar abaixo” um Presidente do seu partido, Trump — que será tudo, menos burro —, já entendeu que pode “governar” e “mandar” nos EUA como lhe aprouver, que nada lhe vai acontecer. Assim toda a família, o clã “Trump”, faz parte da entourage da Casa Branca e pode ter contactos, quer oficiais, quer para-oficiais com a Rússia de Putin: that’s no problem.

Trump nomeia para cargos chave — além do filho, da filha, do genro, a mulher é uma figura decorativa — pessoas que pouco percebem do que vão fazer, mas são-lhe única e exclusivamente fiéis — like a dog —, e no momento em que não lhe obedecerem “cegamente” começam a ter o cargo em perigo. À boa maneira de uma autocracia, vai “encaixando” alguém da sua momentânea total confiança, ao lado do/da anterior que lhe outorgava plena garantia, que nomeou mas em que perdeu o controlo, para ser destruído e ser revezado, mesmo que venha a cair, se colocar o “agora” novo lugar em causa. Vai fazendo “isto” com todos os cargos — para já à excepção da família — com todo o seu Governo, com todo o seu staff, e não tem o menor impedimento em o fazer. E os “balances” que se previam extremadamente “consistentes” na Constituição dos EUA, são letra morta, dado que tendo maioria no Senado e na Assembleia, não cai, uma vez que revira pessoa que não lhe é “fiel” ou que deixa de ser, assim que lhe convier. Os Republicamos, assumem que se “ele” cai — por eles empurrado — não entrarão na lista de candidatos às próximas legislativas, logo têm que o deixar perdurar.

Na política externa faz exactamente o mesmo, podendo vir — se já não o fez — a negociar acordos com Putin, se lhe convierem para amesquinhar a China e esta União Europeia em deriva. Protege os seus grandes negócios particulares! Vamos continuar a assistir a este desenrolar de factos muito graves por ser nos EUA, por ser  — deixar de ser — um aliado ocidental, por ser um parceiro fortíssimo da NATO, sem possibilidade de o contrariar, uma vez que nem força temos a Ocidente, para nos desligarmos dos EUA. E não será de bom futuro para o mundo ocidental, tudo o que Trump vá fazendo a seu belo prazer, sem ninguém o conter. E, com muitos a segurá-lo, para, internamente não perderem o lugar, e, externamente, para dominarem quaisquer possibilidades de os EUA continuarem sempre e só a impor a sua vontade. Será muito grave se continuar assim!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 21/07/2017