Os EUA de Trump estão em retrocesso civilizacional

Torna-se assustador verificar como a amálgama de pessoas que fazem parte da população dos EUA se estão a deixar influenciar, tão rápida e facilmente,  não só pelas “fake news” de Donald Trump e dos seus apaniguados, como por processos sociais e políticos próximos de um retrocesso civilizacional. Num  tempo global, em vez de continuarem a afirmar-se, cada vez mais, como um dos “jogadores” deste mundo em total mudança gritam pela “America First”, fechando-se sobre si mesmos, com consequências nefastas, hoje para o mundo, amanhã para os próprios. 

Na questão dos Direitos Humanos está pertíssimo do impensável que, no século XXI, estejam os EUA a seguir medidas comuns em países  fundamentalistas religiosos, ou em fases menos adiantada do desenvolvimento humano. Paulatinamente vão proibindo o aborto com penas gravíssimas para quem o pratique ou ajude a fazer. Isso ocorre em Estados republicanos onde há uma menorização da mulher, da sua vontade e do direito a quererem ser donas dos seus próprios corpos e destinos! Mas o assunto é um dos estandartes eleitorais do “Tea Party”, que apoiou Donald Trump.

Este recuo de décadas na defesa da mulher, na vontade de um homem e uma mulher quererem ser pais, no bem-estar de uma criança desejada e não forçada é grave, é indigno de um país civilizado. Gera também seguidores no resto do mundo. No Brasil, Jair Bolsonaro procura fazer o mesmo liquidando um ensino adequado nas suas universidades para as pessoas se tornarem incultas e vulneráveis aos argumentos de pseudo-democratas que estão a surgir por todo o lado.  Agora proibe-se o aborto, amanhã aniquila-se a ideia de eutanásia, etc. É um recuo civilizacional impensável há uma década, sobretudo devido  a ter raízes nos EUA. A partir daqui, que mais será feito contra os Direitos Humanos?

© Augusto Küttner de Magalhães, 20/05/2019