O inaceitável desrespeito do hino da União Europeia pelo Partido do Brexit

No dia 29 de Março deste ano o Reino Unido, devido à vontade de nada querer ter a ver com a União Europeia, deveria ter sido obrigado a sair. Estranhamente, teve de permanecer na União Europeia e eleger deputados  com assento neste Parlamento Europeu, sabe-se lá até quando. Dado o contexto político, o Partido do Brexit venceu as eleições europeias no Reino Unido e despachou para a Bruxelas os principais instigadores da saída britânica. No primeiro dia da nova legislatura os seus eurodeputados viraram-se de costas, quando tocou o hino da União Europeia. Estão descontentes pelo facto de o seu país ter eleito novamente eurodeputados,  mas  deveriam ser  respeitadores do local onde estão. Esse comportamento não deveria ser admitido. Infelizmente, a imagem que, durante este último ano e meio, os deputados britânicos, no Parlamento de Westminster, deram publicamente, também não foi  muito dignificante. Repetiram agora a cena, de uma outra forma. Será a única maneira de  serem falados?  

O Reino Unido é um grande país que já teve um Império e hoje está reduzido às suas ilhas no meio do Atlântico. É um grande país que foi um dos  embaixadores mundiais de democracia. Mas ficou mais pequeno e não está a conseguir assimilar essa transformação e  a perda de poder influência, na Europa e no mundo. Teve figuras excelentes nas mais diversas áreas,  o que não deveria autorizar dar esta fraca imagem de si  no exterior. A solução não é, certamente, em desrespeito pelos restantes eurodeputados, ouvir o hino de costas, como fazem os membros do Partido do Brexit. E se não houver coragem dos restantes vinte e sete Estados-membros, entre os quais Portugal, de “obrigar” o Reino Unido a concretizar a sua  declarada intenção de sair  da União Europeia — onde nunca se sentiram de facto bem —, o que mais irão fazer para desrespeitar o Parlamento e a União Europeia? 

© Augusto Küttner de Magalhães, 3/07/2019