Os novos muros da Europa e do Mediterrâneo

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

A Hungria vai construir um muro na fronteira com a Sérvia, estender-se-á por 175km. A assembleia nacional deu luz verde à construção de um muro de quatro metros de altura, ao longo da fronteira com a Sérvia e aprovou uma série de medidas anti-migração. O objectivo é impedir a entrada dos milhares de migrantes que percorrem a perigosa rota ocidental balcânica, maioritariamente sírios que fogem da guerra. Do lado da União Europeia, a primeira reacção coube à Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE, a porta-voz para as Migrações deste grupo do Parlamento Europeu, partilhou um comunicado em que exige uma reacção imediata da Comissão Europeia. E em simultâneo a Tunísia irá “ter” que construir um muro entre a sua fronteira e a Líbia. Há uma diferença “substancial”. A Hungria faz parte da União Europeia e do Espaço Schengen e deveria ter que ser uma democracia, mas é uma “ditadura”. E fazendo parte da Desunião Europeia e do desespaço Schengen, não podia construir este Muro sem a “autorização / aprovação” de alguém – quem? Não se sabe aí, mais um problema – da Desunião Europeia. Mas vale tudo, um destes dias vão construir-se muros como o de Berlim, por todos os lados. E se for entre os países do Norte e do Sul, talvez tenha muitos apoios do Norte!

Quanto à Tunísia e à Líbia é bem diferente. A Líbia, dado nós termos ajudado a matar do ditador de lá, que a dada altura era tão bem acolhido nesta Europa, nesta França e cá também, sem ter sido substituído por alguém credível – parece que os EUA de Bush já fizeram o mesmo no Iraque – deu que a Líbia é um saco de gatos e não um País, e vai ser rapidamente uma ramificação do Estado Islâmico, aqui mesmo ao lado. Logo, a Tunísia que foi único País que passou pelas Primaveres Árabes e com muitos resultados positivos e que tem sido atacada no seu território, por jihadistas que veem da Líbia, estragando-lhe a economia, o turismo, o futuro , tenta proteger-se e bem. É uma necessidade. Bem diferente da Hungria que sendo um país da Desunião Europeia, é uma “ditadura”, é nacionalista, e nem entende “ter” que dar satisfações ao espaço onde está, hoje, incluída. E a Europa repugna-se pelo Muro entre Israel e a Palestina. Mas aqui na própria Europa olha para o lado, e não vê. E estas situações deveriam e muito preocupar o futuro Europeu, que vai desfazer-se e não vai ser por causa da Grécia, mas por total incapacidade de alguém de “jeito” saber Unir e não o inverso, a Desunião Europeia.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 10/07/2015