Os Países da ex-União Soviética e a Europa Desunida

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Quando o Muro de Berlim caiu e “apareceu” um sonho de paz, a União Europeia, que ainda não estava em total decomposição, para não deixar quaisquer sonhos à Federação Russa em recriar a União Soviética, foi cogitando e depois “meteu” na Europa tudo o que antes era Soviético. E iria correr tudo bem. Claro, está tudo a correr mal. A Europa de Unida nada tem, e continuam
nos EUA a não ter um número de telefone para ligar para a Europa, e conforme o vento ligam a Merkel ou a Hollande ou a algum Comissário de qualquer coisa em Bruxelas. Nada funciona como deveria funcionar. E países da ex-União Soviética que não seriam propriamente democráticos não souberam passar a sê-lo. Nós que já vamos nisto há 40 anos ainda não atinamos, quanto mais aqueles lá a Leste. E a “tampa saltou” e cada um faz o que lhe apetece, com a Hungria com um ditador a mandar, e a Europa – democraticamente – a fazer de conta, com a Hungria a construir baias a não deixar entrar Pessoas, e a Europa a fazer de conta. E a Europa não tendo cabeça que a guie, funciona aos solavancos. Se tal já se sentiu na crise económico-financeira pós 2008, vai-se sentido a cada nova crise que acontece.

Agora estamos a viver intensamente, o que já se sabia estar a acontecer faz 4 anos, a fuga da Síria, do Iraque, e até do Afeganistão de Pessoas que ficaram com os seus pertences, os seus empregos, as suas famílias destruídas, e tiverem uns dólares para pagar a uns tipos, sem escrúpulos, que os transportam como nem gado se carrega. E a Europa, ficou uma vez mais sem saber que fazer, e foi tomando decisões individuais, e muito más. Vejam-se as consequências. A Hungria e não só, bloquearam tudo, a Alemanha quando ouviu falar em Campos de Refugiados, Campos de Concentração teve um arrepio e lembrou-se de algo como Hitler, a Áustria como sempre faz, fez-se de morta e deixou tudo acontecer, desde que nada lhe acontecesse. E estamos em total disrupção. A França pôs o Hollande a mexer-se muito e a nada fazer, quanto aos restantes países europeus, uns com eleições à porta esqueceram-se que eram Europeus, outros arranjaram pretextos para se não lembrarem.

Entretanto tudo se foi agravando, sem resultados previsíveis. E não há como resolver o que não quer resolvido. A Rússia feliz e contente deixa tudo correr a ver se a Europa rebenta. Os EUA estão do outro lado do Atlântico, se tudo correr muito mal qual Contrato Transatlântico, optam por um Transpacífico e está-lhes tudo bem. E até estão de bem ali com Cuba ao lado, o Mexido vê-se depois. E a Europa não negoceia “dentro de si “, logo não pode negociar “fora de si”. A Europa toma “não” decisões a cada dia que passa, e tudo esmeradamente, vai de mal a pior. E não há como chamar à “ordem” todos dos países da ex- União Soviética que se comportem antidemocraticamente. Não há como tomar medidas já com 4 anos de atraso, que não fazer reuniões com muitos ministros, muitos Audis e Mercedes, e muitos discursos, e sem unanimidade. Não há como negociar com a Turquia a uma só voz, para se tomarem atitudes consensuais com a Síria, com o Iraque de modo a desfazer o ISIS. E claro, até aqui de portas abertas a Alemanha teve que as fechar para não se afogar em Refugiados, a Áustria obedeceu, os países da ex- União Soviética continuam a fazer o que querem, e nós estamos em eleições internas e outros andam distraídos. Quando tudo rebentar … será tarde para medidas tomar!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 15/09/2015