Os refugiados almejam um futuro com futuro

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

A Europa não tem sabido lidar com tudo que sejam “crises”. Como nenhuma cise é antecipada, nenhuma se resolve “em conformidade”. E cada País no que se refere a “mandar”, ou falar muito, está sempre em bicos de pés, como quase todos os políticos de todos e cada partido de cada País, e em Bruxelas. Mas construir, fazer, antecipar, resolver, não são atributos Europeus. Não sabem, são incapazes. Nesta imensidão de não decisões, temos a crise dos refugiados que, tardiamente, o ainda Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, começou, na Europa, a “nisto”  devidamente falar. Esperemos que o próximo ocupante desse lugar, a partir de Janeiro 2016, faça melhor, se bem que a ONU sem uma reformulação, não vai lá. Mas é o que temos com tantos incapazes em demasiados lugares de “suposta” decisão.

Mas, enquanto é tempo, será de tentarem todos fazer melhor. Todos, com vontade efectiva de resolver e não de deixar debaixo do tapete. Todos anteverem o imaginável, e não deixarem a ver se passa, e quando o problema fica enorme juntam-se a mais uns quantos por resolver e vão-se tomando medidas em cima do joelho. Assim, os Refugidos que têm que fugir dos seus países de origem por não terem como para lá voltar, seja por destruição total do que tinham, seja por terem a morte como único destino se regressarem, quer futuro com futuro. Foram achando que a Europa teria possibilidade de lhes proporcionar esse futuro. Foram sendo informados que a Europa, entre várias divisões tem uma “mais” importante que é o Norte e o Sul. O primeiro de perspicazes e desenvolvidos, e o Sul exactamete o contrário.

Na sua ânsia, mais que justificada, de continuarem vivos e com futuro não vão escolher o Sul. Entram por este, mormente Grécia e Itália e querem chegar ao Norte. Logico, evidente, humano. E esta divisão tão sentida a Sul pelos que cá estamos, que também temos culpas de sermos menos desenvolvidos, por não fazermos todos em conjunto por ser melhores, não é apelativa à vinda de Refugiados. Pensam, e se calhar com alguma razão, que não vão ter por cá, a Sul, Grécia, em Itália, até em Espanha e claro em Portugal, futuro. E querem o Norte e mais a Alemanha, o mais desenvolvido País europeu. Como não pode, ou não deve, a Europa, deixar que mais morram no Mediterrâneo e não só, para  quase satisfação do Sr. Putin – respeito por humanismo não deverá ter –, a ver a Europa em total desnorte! No frio das barreiras húngaras e polacas, e em tudo o mais deveria dar aqui o primeiro exemplo de União e Unidade Europeia, interna e externa. Mas claro que não sabe e não quer fazer.

E mais, para além de Putin, outros se agradam com a nossa total decomposição europeia! Necessitamos todos, de muito menos individualismo e mais solidariedade, com unidade. E até na guerra contra o Daesh e todas as suas infindáveis ramificações, a Europa deveria criar uma rede interna de comunicações/informações no espaço Schengen, com abertura de passagem país as país europeu – e até transatlântico – e não ao fechamento que está a acontecer. Na tentativa indispensável de cada País não perder a sua Unidade tem que fazer parte integrante de espaço colectivo europeu, da NATO, de um conjunto, e não de pequenos espaços no mesmo Espaço! Assim, todos em cada “parte “ da Europa estaríamos melhor, e os refugidos connosco em todo o lado sentir-se-iam bem na Europa, e com futuro. Futuro que nós também não sentimos.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 28/11/2015