O Reino Unido quis sair, agora unamo-nos os vinte e sete

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 
Apesar de a União Europeia estar demasiado esfrangalhada para de “união” já só ter o nome, enquanto não surgirem alternativas viáveis teremos que fazer melhorar o projecto europeu, agora a 27. O Reino Unido quis sair e a decisão foi assumida por referendo, e como “isto” de brincadeiras de “sim, não, talvez”, são de mau gosto, está na hora de ser dado seguimento ao disposto no artigo 50º do Tratado de Lisboa e ser feito o desligamento harmonioso mas célere, para os 27, podermos seguir o nosso caminho. Se a iniciativa não partir, como deve, de quem provocou a situação — leia-se David Cameron, que depois se arrependeu — têm que ser os “supostos responsáveis” em Bruxelas a fazê-lo e se não conseguirem passem a “bola”, nestes tempos de futebóis, ao Sr. Schäuble que gosta tanto de falar e decidir e, em vez de atacar Portugal, fará, determinadamente, o que tem que ser feito com a Grã-Bretanha.

Já não existem “limbos”, onde até antes estava estipulado haverem, foram revogados por quem de direito, muito menos existirão no Tratado de Lisboa, pelo que o Reino Unido tem que preparar as malas e sair. Ou se está dentro ou fora, assim/assim, ainda não está previsto, quando estiver haverá alguns que quererão por certo “por isso “ optar. A Europa a 27, e com a bandeira à mesma com 12 estelas, uma já não da Grã-Bretanha — seja do que se lhe seguiu — enquanto é tempo, terá que fazer os possíveis e impossíveis por não se desfazer de vez, até com o Austríaco da extrema-direita que ainda não chegou a Presidente por 31.000 votos, e quer ainda recontá-los para puxar o País mais para junto de Marine Le Pen.

E teremos que, de uma vez por todas, quer a nível de cada governo dos 27 países, quer a nível da exaustiva burocracia de Bruxelas que encontrar “responsáveis e responsabilizáveis” que tenham forma de fazer mexer esta Europa esgatanha e à deriva entre o Atlântico e o Mediterrâneo, antes de naufragar de vez, num deles. E, nem a Frau Merkel e o seu Financeiro se afarão, se isto for mesmo ao fundo. O Reino Unido, ou Grã-Bretanha, ou o que resta hoje do Império Britânico, do outro lado do Canal da Mancha, terá que ficar com um relacionamento com a Europa idêntico ao da Noruega, que não quis, por referendo, chegar a entrar, não precisou de sair!

Devem-se evitar ódios, críticas e desamores que mais possam contribuir para desunir o que já está pouco unido. E assim, talvez, com demasiadas dúvidas ainda seja possível conseguir-se, quase por milagre, se os há, a 27 restaurar alguma credibilidade a um projecto que tão bem nasceu no pós- II Guerra Mundial e que tão estragado tem vindo a ser, nestes últimos 20 anos. Quem isto escreve, nos tempos em que era nada usual viajar, a primeira cidade fora de Portugal onde esteve, foi Londres, por motivos familiares, e ainda hoje é a cidade de que mais gosta, e espera não seja bloqueada à Europa, mas tem que seguir o seu isolamento, como o desejou a Grã-Bretanha, e até contrário votou Londres.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 1/07/2016