Sem História não há Memória, há Vazio

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Talvez, o Daesh e a destruição de tudo o que tenha História, nos faça repensar a nossa forma colectiva de hoje estar vivos, sem individualismos exacerbados como vem a acontecer.
Não tenhamos dúvidas que “sem História não há Memória, e sem esta, não há Consciência”. Consciência de Civilizações que nos antecederam e às quais – Civilizações – vamos, ou não, acrescentando as nossas existências, as nossas necessárias evoluções, as nossas modernidades, os nossos conhecimentos, mas sempre fazendo pontes entre o “passado, o presente e o futuro”. Se, como o Daesh desfizermos tudo, parecerá que “aparecemos” hoje, sem passado, mas por certo sem futuro, e com um presente demasiado imediato. O Daesh assume-se como o centro que vai anular a massa cinzenta que são todos os muçulmanos, que não alinham com eles, passando-se a extremistas, Jihadistas, para depois aniquilar, desfazer toda a restante população da Terra, ou convertê-la à sua loucura. Isto é destruir, desfazer. Sem nada reconstruir, sem nada refazer. Hoje, o Daesh, tem espaço e tempo para fazer “isto” face ao mediatismo e ao imediatismo em que estamos, todos, a viver.

Os Refugiados são notícia, depois são os murros na Hungria, depois uns doidos que nos EUA andam aos tiros a matar outros, depois um imoderado de um candidato presidencial republicando a dizer insanidades, que só tem um penteado original, depois a Madame Le Pen que vence pela extrema-direita, e de repente tudo o que se passou ontem, só tem 24 horas, vale muito, mas mesmo muito, uma vez que tudo o que ocorreu “antes”, esqueceu! E isto é repetitivo e actual. E, temos que ter Memória, para não largar de vez a História, para não esquecer as Civilizações que nos fizeram chegar ao que “ainda” somos hoje, e ao que talvez devamos querer ser amanhã. Se assim o não quisermos fazer, recordando séculos e séculos –milénios – de presenças humanas, até hoje, e por exemplo, juntar quem nasceu há 65 anos, há 35 e há 5 e cruzar experiências, conhecimentos, vivências, vai tudo correr pior, do que o que está hoje a acontecer. E vai vencer o Daesh, não por si, mas pela apatia de todos em queremos não saber ter objectivos de Vida, em não quereremos construir sem desfazer, passando a Memória e a História para o futuro e vivendo com a qualidade necessária mas não exagerada e individualista, o hoje, não esvaziando tudo para nada se saber amanhã lá colocar. Ou não, e ficaremos – ficarão – no Vazio! a nem saber estar e Viver!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 9/12/2015