Só chegaram 24, faltarão quase 5000 Refugiados

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

Torna-se quase vergonhoso, a Europa estar a funcionar tão mal e tão desunidamente. Para o nosso País ficou acordado, em Setembro último, que ainda este ano e durante o próximo, viriam “para cá” o mais rapidamente possível entre 3500 a 5000 Refugiados. Na segunda metade deste Dezembro de 2015 – último mês do primeiro ano em questão – chegam a Portugal, muito badalados, os primeiros 24 Refugidos. O que é isto? E não culpem por favor o actual Governo! Por este “andar” daqui a uns 10 anos teremos cá os quase 5000 Refugiados. Claro que “este não é um problema só nosso”, é uma total desunião da União Europeia, onde ninguém manda, a não ser no que vai conseguido a Frau Merkel, e mesmo assim fazendo muito mais do que se esperava que fizesse e contra vontades da direta mais direita do seu próprio partido, e até do seu Schäuble, das suas Finanças.

Toda a política de União da Europa está a falhar. E toda a ideia de haver estratégias comuns de governação, que devem – deveriam – implicar unidade das Forças Armadas, das Forças de Segurança, dos Serviços Secretos, funcionam – repetidamente- por Pais e de costas para o outro em vezes de se unificarem o mais possível. Em vez de os países ficarem com uma espécie de Polícia Municipal – funcional – por País e as Policias de segurança serem Europeias, nada disso. Em vez de uma ligação quase única de Forças de Segurança Europeias e depois com a NATO, nada disso, cada um trata de si, sempre virado de costas para o Pais europeu vizinho.

Esta desunidade europeia faz com que, apesar de em Setembro se ter discutido quantos Refugiados cada País iria receber, ainda hoje estarem a chegar a cada País a conta-gotas. E claro que se “arranjam” , sempre, as desculpas mais estranhas para nada ser feito de “jeito”. Ou é por os Refugiados só quererem ir para um País de Norte e não para outro, ou por não ter havido a reunião decisiva em Bruxelas, que há-se um dia acontecer, e tudo são inacções europeias, que fazem que de repente queiramos “meter” à força a Turquia “dentro” da Europa, para os Refugidos ficarem travados todos lá.

Bem: quando se vai tentar fazer mais unidade e União Europeia, ou nem por isso? Quando se vai ter uma política comum, para que a Crise dos Refugiados seja sustida na sua origem, ajudando lá a resolver a sua gravíssima situação? A não os querer antes lá mortos em vez de cá vivos! Se os EUA – apesar de entre eles terem armas as mais, e se matarem lá dentro – hoje, ainda sem aquele penteadinho que quer ser Presidente, estivessem no lugar desta Europa já estava tudo bem melhor resolvido, como estão do outro lado do Atlântico, andamos aqui a arrastar os pés. É trágico. Não só para os Refugidos, que são Pessoas como nós e não têm para onde ir, como para nós que olhamos para esta Europa em putrefação, e não ajudamos a encontrar uma solução.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 18/12/2015