Trump e o antecedente de Obama na política migratória

 

A proibição de entrada de migrantes nos EUA e o tratamento indevido com crianças que queriam a todo o custo chegar aos EUA, não é apenas uma política de Trump. Obama fê-lo, e em força, como o fez Bush também e outos antecessores no Presidência dos EUA. O que talvez, ou nem por isso, espantou com Obama foi ter sido o primeiro Presidente dos EUA de origem afro-americana, logo achar-se que deveria ter uma abertura maior a todos, essencialmente aos que eram vítimas de perseguições, fosse pelo quer pudesse ser, até pela cor da pele. Mas foi um equívoco, talvez, ter-lhe sido atribuído, por antecipação, o Prémio Nobel das Paz, quando não havia ainda motivo para essa distinção tão importante que implica obra feita!

Mas Obama passava simpatia e tinha um discurso aberto e agradável. Trump é um egocêntrico que foi democraticamente eleito colocado à frente dos EUA. É alguém rude que se vangloria de fazer o que lhe “apetece”, mesmo que seja maltratar seres humanos e até crianças. Não é de hoje. Sempre assim foi e sempre assim será, quando determinadas pessoas chegam ao “poder” e se fecham sobre si mesmas, achando-se super-poderosos e os únicos capazes de ocupar aquele lugar. E não havendo forma de serem destituídos, seja por medo, seja por conveniência, seja por não haver fundamento constitucional, fazem grandes barbaridades e nada lhes acontece, se não quando já fizeram estragos, talvez irreparáveis, em demasiados seres humanos. Ou seja, já tardiamente!

Obama, além de ser simpático e ter sido o primeiro Presidente afro-americano dos EUA, não deixou, de facto, um legado particularmente positivo. A prisão de Guantánamo não acabou, os afro-americanos não ficaram, na prática, isentos de discriminações na sociedade, e o muro com o México já existia, pelo menos em parte, com Obama. Na altura achou-se também que se Obama o fazia “deveria ter de ser”, bem como no caso do não respeito por crianças migrantes que tentavam atravessar a fronteira. Para distrair a opinião pública, focando a atenção noutros temas, era muito vangloriado e bem tratado o seu cão de água, que até era português, mas primeiro deveríamos estar nós humanos, sempre! E Trump, tal como outras pessoas que chegaram a lugares de “poder”, faz uma série de barbaridades e parece até ter gosto em fazê-las. Mas se não tivesse um caminho tão aberto para as efectuar, devido aos antecedentes das políticas de Obama e outros, talvez os EUA não estivessem hoje como estão.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 24/06/2018