Trump e o 'impeachment'

É uma “tentativa de golpe ilegal e partidário” segundo a carta  enviada por Donald Trump à Presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, na véspera da votação dos artigos de ‘impeachment’. Todavia, a maioria democrata votou favoravelmente as duas acusações. Os democratas consideraram que Donald Trump abusou do cargo ao pedir ao Governo da Ucrânia para investigar Joe Biden. Donald Trump pressionou esse Governo a anunciar  uma investigação ao  antigo vice-presidente  dos EUA, Joe Biden,  no âmbito de uma inquirição à empresa de gás Burisma, que contratou o filho de Joe Biden (seria a única forma de  a Ucrânia receber a prometida ajuda militar norte-americana).  Joe Biden é, nesta altura, o candidato com mais hipóteses de conseguir a nomeação pelo Partido Democrata para as eleições presidenciais de 2020.  Donald Trump nega ter cometido quaisquer irregularidades e classifica o processo de ‘impeachment’ como “uma farsa”.  Quanto aos democratas, acusam-no de ter infringido a Constituição  e ter comprometendo a segurança nacional e a integridade das eleições do próximo ano.

Após esta fase o processo passará para o  Senado, onde existe uma maioria republicana.  Importa lembrar que o  ‘impeachment’ só  terá sucesso se for votado  favoravelmente por dois terços, ou mais, dos senadores. Todavia,  nenhum senador republicano deu  até agora indicação de que votará nesse sentido, pelo que,  o mais provável, é Trump continuar no cargo presidencial. Ao mesmo tempo, uma percentagem significativa da população americana está com o Presidente Trump. É algo que só espantará os mais distraídos uma vez que Trump, apesar de tudo, foi democraticamente eleito em 2016. Donald Trump vê a presidência dos EUA como um feudo, algo seu, e actua como se estivesse a gerir uma das suas empresas onde faz o que quer e como quer. Está visto que muitos norte-americanos aceitam isso e até querem que  continue. Visto assim, não só o ‘impeachment’ é a tal “farsa”, como o próprio, a não ser afastado do cargo, tende a aumentar as probabilidades de ser eleito para um  segundo mandato (e de cabeça levantada). O mais assustador é a situação estar a ocorrer na primeira potência mundial, onde se supunha haver uma democracia-modelo e um equilíbrio de poderes para evitar presidentes “absolutos”. Mas não é bem assim que está a suceder. Veremos o que o ano de 2020 nos reserva!

© Augusto Küttner de Magalhães, 21/12/2019