Trump está a conseguir a desconstruir os EUA

 

O Washington Post e a Universidade de Maryland fizeram uma grande sondagem questionando os norte-americanos sobre as consequências para os EUA destes nove meses de Presidência de Donald Trump. 60% dos inquiridos responderam que Trump está a tornar “disfuncional” o sistema político do país. O candidato que se apresentou como anti-sistema, e que tinha como objectivo recuperar a credibilidade perdida por parte dos cidadãos, tem vindo rapidamente a contribuir para o desprestígio das“instituições”. Alguns republicanos no Congresso consideram já a própria Casa Branca como “uma creche para adultos” e que Trump “mente todos os dias e todos sabem disso”.

Segundo o Washington Post, dois terços dos democratas, não acreditam que a eleição tenha sido legítima, contra 9% dos republicanos. Globalmente e em simultâneo 42% dos americanos dizem que a eleição de Trump não foi legítima comparativamente com 14% quanto a Barack Obama, em 2008. Congressistas republicanos assumem que os Estados Unidos estão a ser rebaixados a níveis inimagináveis com a Presidência de Trump. Há um sentimento generalizado — mesmo que encapotado — de desconfiança e sensação de que a degradação vivida resulta do elevado peso do dinheiro na política, da influência dos grandes poderes económicos e da comunicação social na campanha eleitoral de Trump, bem como desde que este chegou ao poder.

Paulatinamente aos olhos de todos, os EUA, como potência mundial e democrática, vão-se desconstruindo graças à Presidência de Donald Trump, que está no “poder” como se estivesse à frente do seu “império pessoal/familiar, que já fez falir e sabe-se lá como recuperar. Rejeita todos os que se opõem à tal “creche para adultos na Casa Branca”. Se não fossem os EUA uma “potência mundial” não seria preocupante para o mundo, mas dado serem podem, a curto prazo, existir consequências incomensuráveis, para além da desconstrução efectiva da ainda primeira potência mundial. Sendo evidente que só os americanos podem recuperar, se o quiseram, o bom senso, a credibilidade e uma possível presidência capaz no seu país, todo o resto do mundo deveria ter atitudes aglutinadoras, claro que democratas e não o inverso, como vê a acontecer.

Como escrevia Anne Frank nos seus Contos “o ser humano não sabe estar se não em guerra, pelo que ficando em paz vai de certeza, sempre, arranjar forma de se guerrear. E tendo só 15 anos quando foi morta pela nazismo/holocausto, pensou e escreveu o que tantos de nós nunca faremos, mesmo que vidas longas pudéssemos viver. Mas de facto a única forma de não piorarmos mundialmente com as loucuras de Donald Trump nos EUA, será unirmo-nos, construirmos um futuro comum e evitarmos guerras. Algo que devia ser conseguido na Europa — o Velho Continente, e por isso mesmo com tantos, tantos milénios de história e de memórias —, evidentemente não com Catalunha(s), mesmo que cada um, num espaço unido, nunca possa, nem deva, perder a sua identidade e história. Na China, na Índia, no Médio Oriente e noutras partes do mundo, muitos só ambicionam pelo seu lugar na História, mesmo que da pior forma, como Putin, Erdogan, Maduro e mais uns quantos. Pode ser que a guerra não nos destrua mas  se não se for começado já um trabalho de construção e de união poderemos não chegar a tempo, ou demasiado danificados!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 30/10/2017