Se Trump ganhar não é um acaso

Speakers' Corner - Augusto Küttner de Magalhães

 

O risco de Trump ser o próximo Presidente dos EUA não é um acaso, uma vez que tem pelo menos, já, meio País consigo. Tanto Trump como Hillary são, quer por Democratas como por Republicanos, o pior que conseguiram para candidatos à Presidência. Trump um imbecil, malcriado, mulherengo, machista, que não sabe o que quer a não ser “admirar o seu eu”, qual narcisista. Hillary a eterna candidata à Presidência, e em simultâneo tem feito, não da melhor forma, pior forma parte do sistema há demasiado tempo, e não lhe abona em nada ter usado — e claro estes “tiques” não serão por contingência — o seu computador e servidores pessoais, e tudo o que mais não se sabe, ao serviço dos EUA, quando Secretária do Estado de Obama, em vez de utilizar o que é necessário fazer. Claro que ganhando Trump — e já esteve muito mais distante consegui-lo — é muito pior que se for Hillary — o tal mal menor, como hoje por todo o lado se chega à política/politiquice — dado que um “doido” à frente dos destinos do mais potente País da Terra, não vai ser nada bom de ser ver e muito menos de se viver!

E nós, Ocidente, e nós Europa, que estamos há mais de uma década sem rumo e em plena decomposição, ao ter nos EUA um Trump vamos passar mal, muito mal. A NATO que ainda sobrevive, graças ao EUA vai desintegra-se, de vez, dado que nós Europa estamos a beneficiar do que tem de útil, mas esquecemo-nos, de contribuir para que “aquilo” funcione. A ONU, que já é um monstro de burocracia, pesado e cheio de interesses divergentes e estranhos ao seu “normal desempenho”, nem com o nosso António Guterres vai conseguir, minimamente, melhorar-se.  Vladimir Putin — ex-KGB — que quer recuperar uma imagem da União Soviética — até com, Gulag se necessário — e que sozinho não tem como, dado que a Rússia está em pré-falência, vai ter um grande apoio estratégico dos EUA com Trump. E a Europa em total putrefacção, aqui pelo meio, vai implodir, vamos implodir, todos sem acharmos que deveríamos ter tido discernimento e unidade há década e meia. De permeio poderá surgir a tão desejada por alguns — entre os quais os amigos Trump e Putin — III Guerra Mundial, com os EUA e a Rússia a lideraram uma total trapalhada no Médio Oriente, com a China a ver o espectáculo e o Japão a ver qual dos lados lhe dará mais jeito apoiar.

Estes EUA são o que Barack Obama nos deixa. Obama que, antes do tempo, recebeu indevidamente o Prémio Nobel da Paz, está também em crise. Foi de facto uma Pessoa muito desejada, essencialmente a Ocidente, para ficar à frente em dois mandatos dos EUA, mas pouco conseguiu fazer do que prometeu. Guantánamo está como estava, a Síria e toda a sua envolvente em estado de guerra — Obama com medo de voltar a pôr as botas do Exército em solo, pelo exemplo de Bush no Iraque, imobilizou-se e mal. A Economia americana numa crise de desemprego, e nada do que podia ter sido feito, o foi. E por isso, nesta última fase da campanha Eleitoral para a Presidência nos EUA, Obama aparece e reaparece a tentar que Hillary não perca. Já nem se tratar de ganhar, é unicamente não perder. Claro que o Mundo está em mutação, os tais “valores e princípios” que nós “pestes grisalhas” achamos essenciais, ainda hoje, para uma melhor relacionamento entre Humanos, estão em total decadência e não foram substituídos por outros, nada, de nada, entramos em vazios excessivos, o que “dá espaço” a serem preenchidos por gente como Trump, e não só. E o FBI como medo do medo, deu o último encontrão a Hillary, com uma história fora de tempo sobre os emails indevidamente utilizados pela então Secretária de Estado, ao serviço dos EUA, mas agora já só para Trump ganhar. E pode mesmo ganhar. Qual cataclismo! E talvez seja altura — enquanto ainda há uma réstia de tempo e esperança — de deixarmos todos de andar sempre e só nas redes sociais e Internet a bloquear o nossos pensamentos e —ainda — conseguirmos pensar, pensar no amanhã, no pós 8 de Novembro, que pode ser muito mau!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 5/11/2016