Trump: o show em vez da política está a resultar

A História repete-se com procedimentos condizentes ao tempo em que decorre. Hoje estamos num tempo de total falta de políticas e de políticos de envergadura, logo vale tudo para substituir o que não existe. Nos EUA,  a (ainda) maior potência global, temos uma  pessoa pouco qualificada para ser presidente, embora eleito democraticamente e podendo até repetir o feito em 2020. O one show man, Donald Trump na Presidência dos EUA, está a resultar e grandiosamente. E enquanto a China tenta, de forma autoritária — veja-se o que se está a passar em Hong-Kong ou no Tibete —, conquistar espaço mundial aos EUA, a política, na sua forma mais nobre, deixou de existir. Cada um faz o espectáculo que mais acha valer-lhe em espaço mediático próprio. Na referida lógica mediática, Donald Trump foi por “mero acaso” à Coreia do Norte, visitar o seu homólogo Kim Jong-un, com abraços e promessas de perpétuos compromissos quando os dois anteriores encontros falharam. 

Um político com carácter não faria o que tem feito o actual Presidente dos EUA (fugir à verdade, desautorizar o seu pessoal, colocar a família em lugares de poder, etc.). Mas  muitos norte-americanos parecem  aceitar bem o “show” de alguém  que teve a coragem de ir à Coreia do Norte visitar Kim Jong-un, algo que nenhum outro presidente tinha feito antes.  Ao mesmo tempo,  Donald Trump não se preocupa muito com as mortes de migrantes na fronteira com o México, que ambicionam uma vida melhor nos EUA. Tudo isto são exemplos de como não se deveria fazer política, mas que estão a proliferar uma pouco por todo o lado, do Brasil à União Europeia. Quanto à China, aproveita para ir “comprando o mundo”, para mais tarde mandar em metade do planeta, seja pela força do dinheiro ou por outros meios. Infelizmente vamos ter de esperar — e provavelmente muito tempo —, por um novo ciclo político mais digno, humanista e democrático. 

© Augusto Küttner de Magalhães, 1/07/2019