Um novo tipo de políticos que cultivam a descortesia e a agressividade

 

Muito dos vencedores políticos dos tempos actuais apostam numa informalidade descuidada de vestuário e/ou na descortesia e na  agressividade retórica. Veja-se o primeiro caso desta “nova onda” de políticos, que Donald Trump representa. Não aperta o botão do casaco quando cumprimenta alguém, algo usualmente elementar na boa educação. Salta propositadamente as regras usuais de cortesia e protocolo, e em qualquer lugar que seja, quer convide ou seja convidado. Por exemplo, senta-se antes de todos os outros e outras; ou fala sentado com uma mulher a pé — fotografia célebre numa reunido G20, onde fez isso com Angela Merkel.  Jair Bolsonaro, que poderá ser o próximo Presidente do  Brasil com o apoio da IURD, dos evangélicos e do exército cultiva um estilo similar de descortesia e agressividade. Rodrigo Duterte das Filipinas não usa habitualmente casaco, muito menos gravata, e gaba-se de ter feito parte dos esquadrões da morte contra a droga. Todos estes políticos rompem, intencionalmente, com regras usuais de boa conduta em sociedade e criam as suas, de propositada agressividade e descortesia, atraindo as massas.

Também na Europa, Matteo Salvini, o líder da Liga em Itália que, na prática, faz de primeiro-ministro,  segue similar padrão. Esta  “nova vaga” de políticos que cultivam a descortesia e a agressividade, e parecem  atrair multidões, ganhando eleições,  é um péssimo desígnio para as democracias tal  como as conhecemos, e que, até dada altura, pensávamos adquiridas. Estarão, as democracias, a perder-se por todo o lado e a serem alegremente  substituídas por autoritarismos? Talvez seja mais um repetir da História quando se imaginou que não haveria vontade, nem possibilidade de o fazer.  No passado do século XX, muitos dos líderes dos fascistas e/ou autoritários, exibiam um perfil similar focando-se em si mesmos, exibindo agressividade e atraindo multidões. Hoje, seja devido às “fake news”, à informação distorcida ou parcial que circula nas redes sociais, ou à contestação dos jovens ao que existe, ou o que mais possa ser, as populações estão a escolher e a ser lideradas por estes políticos. Veremos com o tempo o que nos vai trazer de sabor amargo. E esperemos que não seja depois já tarde para recuar!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 24/10/2018