Uma Europa unida poderia autonomizar-se dos EUA

 

Chegamos a um momento, em especial a Europa, em que não podemos “contar” com os EUA, face às constantes indefinições e arrufos do Presidente Donald Trump. Claro que temos dois gravíssimos problemas. O primeiro é a Europa não se entender na forma de se unir de facto, sem nunca cada país perder a sua própria identidade, mas deixando-se dos nacionalismos e das soberanias exclusivas, preferedidas pelos extremos, da esquerda ou direita. A segunda é os EUA ainda serem a maior potência mundial. Mas deixarmo-nos levar — permanecer — ao som da batuta do Donald Trump, será “metermo-nos” debaixo do domínio de alguém inconstante e errático, ficando sujeitos a tudo que este possa e queira fazer de problemático.

Talvez ainda tenhamos opções razoáveis que possam ser seguidas, a bem de todos e sem precisarmos dos favores de Donald Trump. Mas, se a Europa não se unir, acabaremos por definhar e ficaremos vários países isolados, seremos uma espécie de museus do mundo à espera turistas nos venham visitar, para sobrevivermos economicamente. Se nos soubermos e quisermos, unir, teremos que rapidamente escolher outras parcerias, e seguir a via escolhida. A grande maioria dos europeus estão na NATO, todos são parte da ONU, mas as ligações diplomáticas, comerciais, sociais e humanas entre os europeus deveriam ser muito, muito melhores e progressivamente, e sobretudo bem consolidadas em áreas como como a segurança.

E assim teríamos que deixar de assumir a Rússia como o nosso maior inimigo e começar a abrir portas a alguma negociação com esta. Se o Reino Unido não quiser, que fique apenas aliado dos EUA, com todos os problemas que isso lhe criar. A Turquia está a começar, talvez, um processo autoritário, logo, siga o caminho que achar seu. Depois, não achar que o Partido Comunista da China, ou seja quem manda na China, nos quer “ajudar” sem querer mandar na Europa (o que é absurdo). E então virarmo-nos para a Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Índia, Japão, e, evidentemente, alguns países do continente africano. Isto com formas consistentes de o fazer, com unidade, com empenho, e a bem de todos nós europeus e desses países. E Donald Trump fará o seu percurso de “America first”.

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 27/05/2018