A União Europeia, uma construção cada vez mais débil

 

No pós-II Guerra Mundial, as circunstâncias muito específicas da Europa e do mundo impulsionaram indubitavelmente a integração europeia, porém no início do século XXI uma nova conjugação peculiar de conjunturas, não impulsiona a integração. Bem pelo contrário, está a criar um forte mal-estar que ameaça desintegrar e rapidamente “esta” União Europeia. A criação do Euro e a forma como foi feita, ampliou um forte desequilíbrio na União e não parece estar a conseguir senão mais desunir. E, isto, está-se a reflectir nos Estados do Sul, especialmente na Grécia — que parece não ter alternativa que não a bancarrota — e, ficando o Sul um quase protectorado germânico, essencialmente face aos endividamentos colossais, como infelizmente é o nosso caso, cuja dívida não pára de crescer e a Economia não acompanha “este “nosso endividamento.Por outro lado, para muitos franceses, a União já não serve, ou serve mal, o seu interesse nacional e bem-estar. A França está-se a tornar pouco importante e não quer diminuir-se mais! O Reino Unido saiu, sem saber “ainda”, se fez bem, mas achou que dentro também não estava bem!

O decréscimo de nascimentos em toda a Europa originou inicialmente um bom acolhimento de “imigrantes” até entre Estados Europeus, o nosso caso de Sul para Norte, para fazer trabalhos que “lá não lhes apetecia fazer”. E depois estes fluxos Sul/Norte passaram a ser feitos de países de fora do Espaço Europeu, havendo hoje na Europa um grande número de muçulmanos, como no caso parisiense. E nada foi feito para de facto “serem e ficarem “ integrados, foram-se criando guetos, e hoje já na segunda ou terceira geração são espaços dentre do Espaço Europeu, e explosivos. E, com tudo o que de errado foi feito quanto às negociações de uma putativa integração da Turquia na União Europeia, criarem-se focos de descontentamento em todos os lados. Países como a Áustria e a Alemanha e até a França, a nem imaginar a “entrada” da Turquia, e esta a fazer força com Erdogan a querer ser ditador, para entrar de qualquer jeito. Se as eleições da Holanda correrem demasiado para a extrema, claro direita, será um mau agoiro. De seguida teremos a França que não sabe, o que não é ser uma potência “com potência”, e a Alemanha que sózinha não vai ser o motor de nada. Ou nos unimos todos rapidamente para a União não ruir, ou de facto vamos passar muito mal com muitos Estados / Cidades dentro de Estados nesta Europa em desintegração. Esperemos que não, mas não está fácil. Nada!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 14/03/2017