O valor do Euro na Europa do Norte e do Sul

 

Estando a ver uma das série das noites da RTP 2, francesa, daquelas que ainda merecem ser vistas, a dado passo alguém pede a outro um empréstimo de 100.000 Euros, para se estabelecer num novo restaurante. O resto do enredo para aqui não tem “valor”. O que nos pode fazer pensar, algo bastante em desuso nestes dias, em que deixámos que outros o façam por nós, e apesar de a França não ser a Alemanha — dado ser um País intermédio entre o Norte e o Sul da Europa, logo mais Centro — quanto vale de facto 1 Euro no Norte e o mesmo Euro no Sul. Isto, claro, na Eurolândia! Muito mais facilmente um francês consegue um empréstimo de 100 euros, que um português 50 euros ou um grego 30 euros, e, evidentemente, um alemão 150 euros (estes fazem poucos empréstimos). Aqui, sem ter que se “haver” o euro a várias velocidades, uma primeira para o Norte, a segunda para o Sul e uma intermédia para o Centro, ter-se-á que fazer evoluir/progredir muito mais rápida e consistentemente a “semelhança” de todos os países da Europa — supostamente Unida — de Norte a Sul, de forma a que 100.000 euros no Norte tenham o mesmo “resultado” que 100.000 euros no Sul.

Porém, e apesar de Schäuble, o eterno financeiro de Angela Merkel e de Dijsselbloem, o financeiro do Eurogrupo, vindo da Holanda e prestes a deixar de o ser, temos nós de Centro a Sul, aqui nesta Europa, que assumir muitas reformas que prometemos fazer e estão a meio caminho. Isto, por forma a sermos bem mais competitivos e mais produtivos, algo que não se faz só com greves a exigir 35 horas de trabalho, com pouca produtividade e mais dinheiro ao fim do mês! Estas greves e “oposições”, são também a luta de alguns sindicatos que se a não fizeram auto-extinguem-se, e, como não sabem reivindicar direitos de modo diferente, vão acabar por deixar mesmo de existir, ou ficaremos em dificuldades, mais uma vez mais! Temos que aproveitar tudo em que já somos muito bons, para fazer melhor, generalizar não só no privado, mas também no público, mudar as organizações por forma a termos gestões capazes e competentes, por mérito. E, aí ficará o eterno Schäuble a dizer os seus disparates, já sem ninguém lhe dar qualquer atenção, Dijsselbloem já não terá onde sequer falar, e o euro — se, se ainda existir – terá exactamete o mesmo valor na Alemanha ou em Portugal. E, só assim conseguiremos retomar um processo de verdadeira Unidade Europeia, política, humana, monetária, económica, com qualidade, com gente capaz e competente. Mas todos temos que fazer parte da solução e não só do problema, todos com direitos mas também deveres. Só assim no futuro os mesmos euros darão para comprar um café na Alemanha, ou em Portugal.

 

© Augusto Küttner de Magalhães,  28/05/2017