Xi Jinping e Marine Le Pen: dois percursos preocupantes para a democracia

 

O Presidente da China, Xi Jinping que só podia pela Constituição manter-se no cargo por dois mandatos, pode agora eternizar-se como Presidente. Esta cláusula que fazia parte da Constituição da China depois do “império “ de Mao, volta a ser anulada passando o Presidente, no caso Xi, a ser vitalício e no cargo. Como é evidente, é um retrocesso num caminho em que poderia a China, chegar a um regime democrático e não de Partido Único, o Comunista. Fica assim aberto o espaço para Xi Jinping e os seus seguidores, soberanamente com o capitalismo centralizador chinês instalado, fechar a China a quaisquer veleidades de aberturas democráticas.

Essa abertura democrática teria sido uma possibilidade se este retrocesso não tivesse acontecido. Viria então do Oriente uma lufada de ar fresco num mundo muito baralhado como o que estamos a viver e onde os regimes democráticos instalados estão a começar a sucumbir. Veja-se o caso evidente e dramático dos EUA, e até em parte na Europa, Áustria, Hungria, Polónia. A própria União Europeia quanto à chefia da Comissão Europeia e à sua “nomeação” deixa muito a desejar. A ajudar temos, em França a extrema-direita de Marine Le Pen a ficar mais extremada ainda à direita e propondo-se a mudar o nome do seu agrupamento de Frente Nacional para Reunificação Nacional.

Numa tentativa de acabar com uma marca que muitos eleitores associam a racismo e antissemitismo, Marine Le Pen, como pretende chegar ao poder, ao querer bem vincado o Nacionalismo no nome, retira a Frente, para não parecer em luta constante e coloca Reunificação, para parecer querer passar a ideia de unir/unificar. Mas mantendo todo o caminho para o nacionalismo, as exclusões, o fechamento. Unir para dentro! E temos aqui mais uns belíssimos exemplos de como de Oriente a Ocidente, a antidemocracia, o nacionalismo, as potenciais ditaduras fazem o seu caminho, neste século XXI!

 

© Augusto Küttner de Magalhães, 12/03/2018