Os dez pecados de Chipre (para a União Europeia)

Vhils

 

1. Não ser too big to fail ou seja, não ser suficientemente grande para provocar danos graves noutras economias europeias, com a sua eventual bancarrota.

2. Não ser “bom aluno”, como os portugueses, que fazem tudo o que a UE lhes manda, ou até querem ir mais longe (os cipriotas parecem-se demasiado com os gregos).

3. Ter um Parlamento que julga ser soberano e pode aprovar medidas que espelham a vontade democrática da população.

4. Ter os maus hábitos dos países do Sul da Europa, de não se comportarem como alemães, holandeses ou finlandeses, em matéria de dívida pública e défice orçamental.

5. Ter “milionários”, com depósitos bancários inferiores 100.000 Euros, que não querem contribuir para pagar as perdas dos bancos.

6.  Ter amigos russos na política internacional e que fazem depósitos em bancos cipriotas, alguns com dinheiro de proveniência obscura e negócios pouco claros.

7. Ter a ousadia de ter taxas bancárias (e impostos sobre as empresas) baixas, fazendo concorrência aos bancos alemães, holandeses, luxemburgueses, etc. e retirando-lhes clientes.

8.  Ter tido, entre 2008 e 2013, um Presidente do AKEL (o Partido Comunista), que nem atuais membros da UE, oriundos da antiga Europa de Leste, ousaram eleger depois da sua reconversão ocidental.

9.  Ter uma Igreja Cristã Ortodoxa forte, que é uma referência para grande parte da população cipriota grega, e que a elite europeia vê como old-fashion.

10. Não ter aceite o plano Annan, de reunificação da ilha, em 2004, ainda que este fosse mais interessante para a Turquia e os cipriotas turcos.

 

© José Pedro Teixeira Fernandes. Última revisão 16/06/2014

© Imagem: José Pedro Teixeira Fernandes, foto (em preto e branco) de uma pintura mural de Alexandre Farto, aka Vihls, Museu da Eletricidade, Lisboa, 2014

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