{"id":1014,"date":"2015-06-06T18:50:38","date_gmt":"2015-06-06T18:50:38","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=1014"},"modified":"2015-06-16T13:12:50","modified_gmt":"2015-06-16T13:12:50","slug":"a-sociedade-em-rede-como-sociedade-de-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/06\/a-sociedade-em-rede-como-sociedade-de-risco\/","title":{"rendered":"A Web nos 20: da utopia da sociedade em rede \u00e0 realidade da sociedade de risco"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/An\u00e1lise-Social.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1015\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/An\u00e1lise-Social.png\" alt=\"An\u00e1lise-Social\" width=\"417\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/An\u00e1lise-Social.png 417w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/An\u00e1lise-Social-209x300.png 209w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/An\u00e1lise-Social-370x532.png 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/An\u00e1lise-Social-403x580.png 403w\" sizes=\"auto, (max-width: 417px) 100vw, 417px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p>Um novo mundo est\u00e1 a tomar forma neste final de mil\u00e9nio. Tem origem mais ou menos no fim dos anos 60 e meados da d\u00e9cada de 70 na coincid\u00eancia hist\u00f3rica de tr\u00eas processos <em>independentes<\/em>: revolu\u00e7\u00e3o da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o; crise econ\u00f3mica do capitalismo e do estatismo e a consequente reestrutura\u00e7\u00e3o de ambos [&#8230;] A interac\u00e7\u00e3o entre esses processos e as reac\u00e7\u00f5es por eles desencadeadas fizeram surgir uma nova estrutura social dominante, a sociedade em rede; uma nova economia, a economia informacional\/global; e uma nova cultura, a cultura da virtualidade real.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">Manuel CASTELLS (1999, p. 411)<\/p>\n<p>Decorridos 20 anos desde a inven\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica da <em>World Wide Web<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> por Timothy John Berners-Lee (Tim Berners-Lee), existe j\u00e1 um horizonte temporal suficientemente alargado para se olhar retrospectivamente para os primeiros tempos da Web, confrontando as expectativas iniciais com a realidade em que esta se transformou. Assim, neste artigo propomo-nos revisitar a sociedade em rede a partir da teoriza\u00e7\u00e3o iniciada por Manuel Castells h\u00e1 uma d\u00e9cada e meia atr\u00e1s. O principal objectivo \u00e9 analisar a evolu\u00e7\u00e3o ocorrida nos primeiros 20 anos e avaliar em que medida se transformou numa sociedade de risco, no sentido que Ulrich Beck deu ao conceito. Nesta evolu\u00e7\u00e3o\/transforma\u00e7\u00e3o, um \u00eanfase especial \u00e9 dado \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o dos ideais tecno-libert\u00e1rios iniciais pelas actuais preocupa\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, que amea\u00e7am a neutralidade da Internet, e securit\u00e1rias, de que o risco de uma ciberguerra \u00e9 o exemplo mais extremo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong> A emerg\u00eancia da sociedade em rede: Internet, <em>World Wide Web<\/em><\/strong><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> <strong>e revolu\u00e7\u00e3o digital<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 bem conhecido que a Internet teve a sua origem na d\u00e9cada de 60, no contexto da competi\u00e7\u00e3o da Guerra Fria, entre os EUA e a ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Esta surgiu como resultado de uma colabora\u00e7\u00e3o entre os meios militares e universit\u00e1rios norte-americanos, quando foi criado um sistema de comunica\u00e7\u00e3o entre computadores. Em termos de precursores da actual Internet, e da sua parte mais conhecida, a <em>World Wide Web<\/em>, h\u00e1 alguns marcos relevantes que importa relembrar. Numa l\u00f3gica futurista para a \u00e9poca, Norbert Wiener introduziu no final da d\u00e9cada de 40 do s\u00e9culo XX o conceito de \u201ccibern\u00e9tica\u201d, um neologismo cunhado a partir da palavra grega <em>kybernetik\u00e9<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/em>. No sentido que Norbert Wiener lhe deu, tratava-se de agir pelo comando e controlo da totalidade do ciclo de informa\u00e7\u00f5es. Outro precursor, agora sobretudo do <em>ethos<\/em> da sociedade em rede e que ter\u00e1 inspirado a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o da <em>World Wide Web<\/em>, foi Stewart Brand com o seu vision\u00e1rio <em>Whole Earth Catalog<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/em>. As suas ideias influenciaram tamb\u00e9m a concep\u00e7\u00e3o da revista \u201ctecno-libert\u00e1ria\u201d <em>Wired<\/em> (Fred Turner, 2008).<\/p>\n<p>Em termos tecnol\u00f3gicos, a primeira antecessora da Internet foi a ARPA(NET) ,<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> criada pela <em>Advanced Research Projects Agency<\/em> \u2013 uma ag\u00eancia associada ao Pent\u00e1gono \u2013 e pelo <em>Massachusetts Institute of Technology <\/em>(MIT). Tratou-se de uma rede experimental<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> que tinha por objectivo permitir computadores comunicarem entre si, independentemente do fabricante, sistema operativo, <em>hardware<\/em> ou dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica. Um outro marco relevante data de <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1969\">1969<\/a>, quando ocorreu aquilo que normalmente \u00e9 considerado o envio da primeira mensagem de correio electr\u00f3nico (<em>email<\/em>)<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><em>. <\/em>O processo deu-se entre um computador da <em>University of California Los Angeles<\/em> (UCLA) e um outro computador situado no Stanford Research Institute. Em 1973 surgiu outro avan\u00e7o importante quando, Robert Kahn da ARPA e Vinton Cerf da Universidade de Stanford, na Calif\u00f3rnia, elaboraram, num trabalho conjunto, a arquitectura b\u00e1sica da Internet. No final da d\u00e9cada de 70, com os protocolos TCP\/IP<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> em fase avan\u00e7ada de desenvolvimento, foi constitu\u00eddo o <em>Internet Control and Configuration Board<\/em> (ICCB), um comit\u00e9 informal destinado a coordenar o desenvolvimento desses protocolos e da arquitectura de comunica\u00e7\u00e3o. Em 1983, a ARPA(NET)<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> \u2013 \u00e0 qual esteve ligado outro pioneiro, Jonathan Bruce Postel (ou Jon Postel, como \u00e9 mais conhecido) \u2013 deu origem \u00e0 <em>Military Network<\/em> (MILNET), usada para fins militares, e \u00e0 ARPA-INTERNET, criada para pesquisa e desenvolvimento. Em meados dos anos 80, a <em>National Science Foundation<\/em> (NSF) dos EUA, tendo por objectivo distribuir o acesso aos cinco centros de supercomputadores utilizou os protocolos da ARPA(NET) a NSF ligando-os entre si para formar o <em>backbone<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><strong>[10]<\/strong><\/a><\/em> NSF(NET). As redes regionais foram formadas no fim dos anos 80 para fornecer acesso a este <em>backbone<\/em>, \u00e0 qual as universidades e diversas organiza\u00e7\u00f5es de pesquisa ligaram tamb\u00e9m as suas redes. A designa\u00e7\u00e3o Internet foi ent\u00e3o utilizada para se referir ao conjunto rede.<\/p>\n<p>Nesta fase embrion\u00e1ria, as <em>internetworks<\/em> eram essencialmente suportadas por financiamentos p\u00fablicos o que implicava, tamb\u00e9m, regras estritas sobre o seu uso. As organiza\u00e7\u00f5es que podiam utilizar a Internet \u2013 tipicamente ag\u00eancias governamentais e universidades \u2013 tinham de o efectuar no \u00e2mbito dessas regras. Ou seja, a rede podia ser usada ligada a actividades de pesquisa cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica ou para actividades acad\u00e9micas e educativas. Todavia, n\u00e3o podia ser utilizada, por exemplo, para fins comerciais ou publicit\u00e1rios. Tudo isto sofreu profundas altera\u00e7\u00f5es quando, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, a Internet foi retirada do controlo militar passando a sua gest\u00e3o para a <em>National Science Foundation<\/em> (NSF) dos EUA. Com a tecnologia para a cria\u00e7\u00e3o de redes inform\u00e1ticas aberta ao dom\u00ednio p\u00fablico e com as telecomunica\u00e7\u00f5es em processo de liberaliza\u00e7\u00e3o, a NSF avan\u00e7ou com privatiza\u00e7\u00e3o de Internet<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Foi nessa altura \u2013 finais de 1990 \u2013, que foi inventada a <em>World Wide Web<\/em><a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> (designa\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 ser traduzida como \u201crede de alcance global\u201d), pelo engenheiro brit\u00e2nico Tim Berners-Lee e os seus colegas do <em>Centre Europ\u00e9eenne pour la Recherche Nucl\u00e9aire<\/em> (CERN) de Genebra. A este se deve a primeira comunica\u00e7\u00e3o bem-sucedida entre <em>Hyper Text Transfer Protocol<\/em> (HTTP)<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> e um servidor, utilizando o protocolo TCP\/IP. A partir daqui, o fornecimento de <em>internetworks<\/em> passou a ser, crescentemente, uma actividade empresarial, dominada por empresas privadas. Estas come\u00e7aram a fornecer servi\u00e7os de Internet para uso empresarial ou privado.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> O <em>ethos <\/em>da \u201ccultura da Internet\u201d inscrito na sociedade em rede <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Conforme j\u00e1 referimos, a Internet surgiu de forma inicialmente restrita, resultando da colabora\u00e7\u00e3o entre universidades e centros de investiga\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximos dos meios militares norte-americanos. Todavia, apesar das restri\u00e7\u00f5es dessa fase pioneira, existia tamb\u00e9m uma faceta de aberta \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o a n\u00edvel internacional. Isto permitiu a todos os que tivessem interesse, e, obviamente tamb\u00e9m, os conhecimentos t\u00e9cnicos necess\u00e1rios, uma possibilidade de participar no processo da sua constru\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Esta l\u00f3gica de trabalho \u201ccomunit\u00e1rio\u201d, n\u00e3o lucrativo, caracter\u00edstica da contracultura da d\u00e9cada de 60 est\u00e1, assim, inscrita no pr\u00f3prio <em>ethos<\/em> da Internet e da sociedade em rede \u2013 hoje, a sua projec\u00e7\u00e3o mais \u00f3bvia, \u00e9 o movimento para o <em>software<\/em> livre<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>, nas suas m\u00faltiplas ramifica\u00e7\u00f5es. Voltando \u00e0 g\u00e9nese da Internet e da sociedade em rede, o soci\u00f3logo Manuel Castells explica-as como resultando de uma \u201cencruzilhada ins\u00f3lita entre a ci\u00eancia, a investiga\u00e7\u00e3o militar e a cultura libert\u00e1ria\u201d (2004, p. 34). Todavia, no seu <em>ethos<\/em>, n\u00e3o est\u00e1 apenas inscrita a filia\u00e7\u00e3o na contracultura dos anos 60. Manuel Castells (<em>idem<\/em> p. 83) caracteriza a \u201ccultura da Internet\u201d de forma abrangente, como tendo sido \u201cconstru\u00edda sobre a cren\u00e7a tecnocr\u00e1tica no progresso humano atrav\u00e9s da tecnologia, praticada por comunidades de <em>hackers <\/em>que prosperam num ambiente de criatividade tecnol\u00f3gica livre e aberta, assente em redes virtuais, dedicadas a reinventar a sociedade, e materializada por empreendedores capitalistas na maneira como a nova economia opera<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.\u201d<\/p>\n<p>Partindo da referida defini\u00e7\u00e3o podemos autonomizar quatro dimens\u00f5es relevantes, cada uma das quais com a sua contribui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria: i) a dimens\u00e3o da cultura tecnomeritocr\u00e1tica; ii) a dimens\u00e3o da cultura <em>hacker<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><strong>[16]<\/strong><\/a><\/em>; iii) a dimens\u00e3o da cultura comunit\u00e1ria virtual; iv) e a dimens\u00e3o da cultura empreendedora. Em primeiro lugar, a cultura tecnomeritocr\u00e1tica a qual est\u00e1 inscrita no ambiente que permitiu a inven\u00e7\u00e3o da Internet. Este foi um ambiente acad\u00e9mico-cient\u00edfico de tipo elitista e orientado para a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, largamente estimulado pela pr\u00f3pria comunidade cient\u00edfica, sobretudo pelo seu impacto prestigiante, dentro desta e na sociedade em geral. Em segundo lugar, a dimens\u00e3o da cultura <em>hacker<\/em> \u2013 no sentido inicial do conceito. Embora a l\u00f3gica do <em>hacker<\/em> dos primeiros tempos da revolu\u00e7\u00e3o digital tamb\u00e9m tivesse por objectivo a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, assentava num ideal que n\u00e3o era exactamente o da tecnicomeritocracia. A l\u00f3gica da cultura <em>hacker<\/em> era poder usar livremente os conhecimentos produzidos por outros, e, de forma tamb\u00e9m livre, ou seja, sem intuitos comerciais, tornar os novos conhecimentos acess\u00edveis a outros na rede. A cultura <em>hacker <\/em>est\u00e1 assim tamb\u00e9m no cerne do referido movimento para o <em>software<\/em> livre. Por outro lado, os <em>hackers<\/em> originais da revolu\u00e7\u00e3o inform\u00e1tica poderiam ser qualificados como imbu\u00eddos de uma vis\u00e3o \u201clibert\u00e1ria\u201d, ou at\u00e9 \u201can\u00e1rquica\u201d, pois n\u00e3o dependiam de nenhuma institui\u00e7\u00e3o educativa, empresarial ou outra. Este tipo de <em>hacker<\/em>, pelo seu lado vision\u00e1rio, e pelo seu papel determinante na fase de cria\u00e7\u00e3o da Internet, aproximou-se do \u201cg\u00e9nio criativo\u201d, no sentido que esta designa\u00e7\u00e3o adquire no mundo das artes. Em terceiro lugar, a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria virtual, a qual est\u00e1 directamente relacionada com o uso dado \u00e0 tecnologia. Integram-se nesta cultura comunit\u00e1ria virtual os que tendem a utilizar a Internet sobretudo para o desenvolvimento de contactos ou rela\u00e7\u00f5es sociais. Tipicamente s\u00e3o indiv\u00edduos com conhecimentos t\u00e9cnicos limitados, tendo compet\u00eancias maiores ou menores na \u00f3ptica do utilizador, mas que mostram grande apet\u00eancia pelo uso da <em>World Wide Web <\/em>desde a sua \u201cexplos\u00e3o\u201d, em meados dos anos 90. Esta dimens\u00e3o transformou a Internet num novo \u201cinstrumento para a organiza\u00e7\u00e3o social, a ac\u00e7\u00e3o colectiva e a constru\u00e7\u00e3o de sentido\u201d (<em>idem<\/em>, p. 76). Uma quarta e \u00faltima dimens\u00e3o surge ligada \u00e0 cultura empreendedora e est\u00e1 estreitamente ligada a um uso econ\u00f3mico e com fins lucrativos da tecnologia. A cultura empreendedora alicer\u00e7a-se na inova\u00e7\u00e3o empresarial e no apoio financeiro a projectos de risco elevado, sendo movida por uma perspectiva de lucros muito significativos resultantes da aposta em <em>start-up(s)<\/em> de base tecnol\u00f3gica, ligadas \u00e0 economia digital.<\/p>\n<p>Um aspecto particularmente relevante da sociedade em rede \u00e9 o da emerg\u00eancia da chamada nova economia, tamb\u00e9m por vezes designada como <em>e-economia<\/em>, ou economia digital. Manuel Castells caracteriza-a, antes de mais, pela exist\u00eancia de pr\u00e1ticas empresariais inovadoras organizadas em torno das redes. A capacidade de gerar conhecimento permitida pelo acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o aberta <em>on-line<\/em> combinada com as ideias inovadoras s\u00e3o os principais alicerces desta nova economia (<em>ibidem<\/em>, p. 100). Estas tend\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o exclusivas das empresas relacionadas com a Internet, ou do sector tecnol\u00f3gico, mas s\u00e3o generalizadas ocorrendo de forma transversal a toda a economia. Um outro aspecto novo, com implica\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas generalizadas, \u00e9 a rede tornar poss\u00edvel obter um <em>feedback<\/em> dos consumidores em tempo praticamente real, o que tem significativas consequ\u00eancias nas formas de produ\u00e7\u00e3o e de gest\u00e3o. Fora da chamada economia real, um tra\u00e7o caracter\u00edstico importante prende-se com a volatilidade dos mercados financeiros. Estes tendem a ser crescentemente dominados por \u201cturbul\u00eancias de informa\u00e7\u00e3o\u201d (<em>ibidem<\/em>, p. 112) e a tornar-se mais inst\u00e1veis e imprevis\u00edveis na medida que se afastaram das tradicionais formas prudenciais de avalia\u00e7\u00e3o do mundo dos neg\u00f3cios. Na economia e sociedade em rede, o risco, a incerteza e a mudan\u00e7a tornaram-se numa caracter\u00edstica constante dos mercados financeiros. Esta tend\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 alimentada pela multiplicidade de informa\u00e7\u00f5es <em>on-line <\/em>(muitas delas dif\u00edceis de confirmar, tornando-se quase imposs\u00edvel destrin\u00e7ar, pelo menos em tempo \u00fatil, a informa\u00e7\u00e3o fidedigna dos rumores ou manipula\u00e7\u00f5es). Obviamente que tudo isto dificulta a tomada de decis\u00e3o pelos investidores, gerando, por exemplo, reac\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas, por vezes irracionais, de alguma forma impulsionadas pela avalanche (des)informativa da sociedade em rede.<\/p>\n<p>Por sua vez, fora do terreno econ\u00f3mico e dos mercados financeiros, surgiram l\u00f3gicas de sociabilidade novas, atrav\u00e9s das comunidades virtuais. As pessoas passaram crescentemente a organizar-se, em torno dos seus valores, afinidades, projectos e interesses espec\u00edficos, usando as novas possibilidades tecnol\u00f3gicas conferidas pela revolu\u00e7\u00e3o digital (Internet, telem\u00f3veis, correio electr\u00f3nico, etc.). Constata-se assim, que na sociedade em rede ocorre uma transi\u00e7\u00e3o do predom\u00ednio das tradicionais rela\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias \u2013 fam\u00edlia, lugar de resid\u00eancia, emprego \u2013, para um novo sistema de rela\u00e7\u00f5es sociais de base mais individualista (<em>ibidem<\/em>, p. 158). Naturalmente que aqui poder\u00edamos tamb\u00e9m incluir a tend\u00eancia para a expans\u00e3o do teletrabalho<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> (por vezes designado como \u201ctrabalho na era digital\u201d), especialmente not\u00f3ria no sector dos servi\u00e7os \u2013 por exemplo atrav\u00e9s do <em>outsourcing<\/em> de <em>call-centers<\/em>, de empresas telef\u00f3nicas, banc\u00e1rias, etc. Outra tend\u00eancia, agora no cruzamento do social e do pol\u00edtico, \u00e9 a do surgimento de movimentos sociais activos na Internet (grupos feministas, ecologistas, religiosos, pacifistas, etc.). A rede converteu-se, assim, num espa\u00e7o para activismo em prol de \u201ccausas\u201d, ou, ent\u00e3o, num espa\u00e7o privilegiado para manifestar descontentamento, em termos sociais e pol\u00edticos ou para mobilizar pessoas para ac\u00e7\u00f5es no mundo real. Para Castells este \u00e9 um fen\u00f3meno positivo que leva ao <em>empowerment <\/em> (\u201cempoderamento\u201d) do cidad\u00e3o. Nesta \u00f3ptica, a Internet cont\u00e9m uma mais-valia para a democratiza\u00e7\u00e3o, permitindo tendencialmente igualar \u201cas condi\u00e7\u00f5es nas quais distintos actores e institui\u00e7\u00f5es podem agir\u201d (<em>ibidem<\/em>, p. 197).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Uma \u201cgal\u00e1xia\u201d desigual e em r\u00e1pida expans\u00e3o <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Um dos pioneiros da Internet, Joseph Carl Robnett Licklider (ou apenas J.C.R LickLider), referia-se, no long\u00ednquo ano de 1962, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma \u201crede gal\u00e1xica\u201d. Provavelmente influenciado por essa designa\u00e7\u00e3o, Manuel Castells deu a um dos seus livros sobre a actual era digital o t\u00edtulo de <em>A Gal\u00e1xia Internet: Reflex\u00f5es sobre Internet, Neg\u00f3cios e Sociedade <\/em>(2004). Trata-se, pela pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o do autor, de uma obra de perfil sociol\u00f3gico que procura analisar a Internet para al\u00e9m dos aspectos tecnol\u00f3gicos, interpretando o(s) seu(s) uso(s) como um fen\u00f3meno social e humano. Mas qual \u00e9 hoje a verdadeira dimens\u00e3o da \u201cgal\u00e1xia internet\u201d tendo como crit\u00e9rio de refer\u00eancia o n\u00famero de utilizadores da rede? Para responder a esta quest\u00e3o vamos recorrer \u00e0s estat\u00edsticas disponibilizadas pela <em>Internet World Stats<\/em>, que nos fornecem, em termos quantitativos, uma imagem sobre a actual dimens\u00e3o da \u201cgal\u00e1xia Internet\u201d. Come\u00e7ando por dar uma vis\u00e3o panor\u00e2mica, uma das coisas que chama \u00e0 aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma como o n\u00famero de utilizadores da Internet cresceu, de maneira avassaladora, ao longo da primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI. Actualmente esse n\u00famero supera os 2 bili\u00f5es de utilizadores activos em todo o mundo, a maioria dos quais (922, 3 milh\u00f5es), est\u00e3o situados na \u00c1sia<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>, que \u00e9 tamb\u00e9m o continente mais vasto, heterog\u00e9neo e populoso do planeta. Esta predomin\u00e2ncia em valor absoluto da \u00c1sia no seu conjunto, n\u00e3o significa, naturalmente, que em termos relativos a taxa de penetra\u00e7\u00e3o da Internet na popula\u00e7\u00e3o total desse continente seja elevada comparativamente a outras regi\u00f5es mundiais. Na realidade, quando olhamos para as taxas de penetra\u00e7\u00e3o da Internet verificamos que a \u00c1sia \u2013 apesar de todo o seu potencial em se tornar o \u201ccentro do mundo\u201d ao longo do s\u00e9culo XXI \u2013, ainda tem um longo caminho a percorrer. Obviamente que esta vis\u00e3o macro do continente asi\u00e1tico aglutina realidades completamente heterog\u00e9neas, em termos econ\u00f3micos, sociais e de acesso \u00e0 rede. Basta pensarmos no que \u00e9, por exemplo, a realidade do Jap\u00e3o, da Coreia do Sul ou de Singapura, face \u00e0 da Mong\u00f3lia, \u00e0 do Afeganist\u00e3o ou do But\u00e3o. De qualquer maneira, importa reter que a taxa actual de penetra\u00e7\u00e3o da Internet (percentagem de utilizadores da Internet na popula\u00e7\u00e3o total), \u00e9 de 23,8%, enquanto nas \u00e1reas do mundo de desenvolvimento mais antigo, como a Europa e a Am\u00e9rica do Norte, a sua taxa de penetra\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1rias vezes superior: 58,3% na Europa continental e 78,3% na Am\u00e9rica do Norte. Pela sua pr\u00f3pria dimens\u00e3o populacional, verifica-se um peso dos asi\u00e1ticos no uso da rede superior aos das popula\u00e7\u00f5es de qualquer um dos outros continentes. De facto, em meados de 2011, 44% dos utilizadores da Internet tinham origem na \u00c1sia, enquanto 22,7 % tinham origem na Europa continental e 13,0% na Am\u00e9rica do Norte. Nas restantes \u00e1reas do mundo verificam-se valores menores, que denotam taxas m\u00e9dias de penetra\u00e7\u00e3o da Internet no conjunto da popula\u00e7\u00e3o baixa \u2013 a excep\u00e7\u00e3o \u00e9 a Oce\u00e2nia\/Austr\u00e1lia, que origina 1,0 % dos utilizadores mundiais, com a escassas dezenas de milh\u00f5es pessoas. O peso dos utilizadores oriundos da Am\u00e9rica Latina no global \u00e9 de 10,3%, dos africanos de 5,7%, e do M\u00e9dio Oriente de 3,3%.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/p>\n<p>Embora estes dados mostrem que a \u201cgal\u00e1xia Internet\u201d \u00e9 uma realidade notoriamente desigual, onde os graus de acesso \u00e0 rede s\u00e3o muito vari\u00e1veis dentro das regi\u00f5es do mundo e os pa\u00edses considerados \u2013 o que levanta, desde logo, o problema dos exclu\u00eddos da sociedade em rede \u2013, \u00e9 ineg\u00e1vel constatar-se a exist\u00eancia de um processo que pode ser considerado de globaliza\u00e7\u00e3o. Mais de 2 bili\u00f5es de seres humanos, um pouco por todo o planeta, est\u00e3o ligados em rede e potencialmente em contacto \u2013 ou seja, cerca de 30% da popula\u00e7\u00e3o mundial, tendo em conta que a Terra tem actualmente 6,94 bili\u00f5es de habitantes<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Para al\u00e9m disso, a tend\u00eancia expect\u00e1vel \u00e9 a de que o n\u00famero de utilizadores aumente significativamente nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, quer em termos absolutos, quer em termos relativos, intensificando este processo de globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um outro dado interessante est\u00e1 relacionado com a quest\u00e3o das l\u00ednguas. De facto, para existir uma sociedade em rede globalizada \u00e9 condi\u00e7\u00e3o<em> sine qua non<\/em>, mas n\u00e3o suficiente, a difus\u00e3o de uma tecnologia que permita o contacto e a interac\u00e7\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio que exista(am) uma ou mais l\u00ednguas que seja(m) um instrumento transversal de comunica\u00e7\u00e3o. Por outras palavras, \u00e9 necess\u00e1ria uma \u201cl\u00edngua franca\u201d global, a par de l\u00ednguas francas regionais, tal como ocorreu, em termos hist\u00f3ricos, com o Latim no Ocidente medieval europeu. Claro que isto tamb\u00e9m pode ter um pre\u00e7o a pagar. Esse pre\u00e7o \u00e9 a progressiva exclus\u00e3o e irrelev\u00e2ncia a que tendem a ser condenadas as l\u00ednguas que n\u00e3o podem atingir esse estatuto, seja pelo n\u00famero de falantes nativos ser reduzido, ou por outras raz\u00f5es de tipo geogr\u00e1fico, econ\u00f3mico ou cultural. \u00c0 primeira vista, a Internet \u00e9 uma babel de l\u00ednguas e \u00e9 um tamb\u00e9m um espa\u00e7o de liberdade bastante prop\u00edcio \u00e0 revitaliza\u00e7\u00e3o ou recria\u00e7\u00e3o de l\u00ednguas, que n\u00e3o tinham o seu estatuto oficial reconhecido pelos governos ou estavam tendencialmente \u201cmortas\u201d. Uma das aplica\u00e7\u00f5es mais emblem\u00e1ticas da <em>World Wide Web<\/em> e dos ideais comunit\u00e1rios da rede \u2013 a enciclop\u00e9dia livre Wikip\u00e9dia, onde coexistem o melhor e o pior em termos de conhecimento humano \u2013, transmite-nos nitidamente essa ideia, ao anunciar ter edi\u00e7\u00f5es em 276 l\u00ednguas<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. A quest\u00e3o \u00e9 que essa enorme diversidade lingu\u00edstica, \u00e9, em grande parte, \u201cfolcl\u00f3rica\u201d sendo, para a esmagadora maioria dos utilizadores da rede, irrelevante, quer do ponto de vista do interesse ou curiosidade cultural, quer, sobretudo, do ponto de vista mais pragm\u00e1tico de meio de comunica\u00e7\u00e3o. Como j\u00e1 era expect\u00e1vel encontra-se uma primazia do ingl\u00eas (536,6 milh\u00f5es de utilizadores nessa l\u00edngua) \u2013 os mais cr\u00edticos dir\u00e3o mesmo que a expans\u00e3o da Internet e da globaliza\u00e7\u00e3o favoreceu o \u201cimperialismo cultural\u201d da l\u00edngua inglesa.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> Sociedade em rede, sociedade de risco <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>No \u00e2mbito da reflex\u00e3o sociol\u00f3gica sobre o actual per\u00edodo da humanidade, Ulrich Beck, tal como Anthony Giddens, rotulam o per\u00edodo contempor\u00e2neo de \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o reflexiva\u201d, ou como \u201csegunda modernidade\u201d. A actual fase \u00e9 vista com um per\u00edodo em que os princ\u00edpios da modernidade foram levados ao extremo e se radicalizaram. Assim, a primeira modernidade teria sido caracterizada pela confian\u00e7a no progresso e pela cren\u00e7a na possibilidade de controlo do desenvolvimento cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico e da natureza. Por sua vez, a \u201cmodernidade reflexiva\u201d ser\u00e1 a fase contempor\u00e2nea, onde o desenvolvimento da ci\u00eancia e da tecnologia j\u00e1 n\u00e3o permitem prever integralmente os riscos que contribu\u00edram para criar, nem realizar um controlo efectivo dos mesmos. Importa notar que na abordagem original de Beck o arqu\u00e9tipo do \u201crisco\u201d eram as quest\u00f5es ecol\u00f3gicas e a sua rela\u00e7\u00e3o com a tecnologia. O n\u00e3o enf\u00e2se na sociedade em rede \u2013 not\u00f3rio quando comparado com trabalhos como o de Castells \u2013 resulta, desde logo, do facto do conceito de \u201csociedade de risco\u201d ser anterior \u00e0 expans\u00e3o da Internet para fora dos meios acad\u00e9mico e militar e ao surgimento da sociedade em rede. Recorda-se que o conceito de \u201csociedade de risco\u201d foi pela primeira vez proposto em 1986<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>, em l\u00edngua alem\u00e3, ainda no contexto da pol\u00edtico-ideol\u00f3gico da Guerra Fria. Ganhou posteriormente uma ampla difus\u00e3o, a partir de 1992, com a sua tradu\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o em l\u00edngua inglesa, agora j\u00e1 num contexto de p\u00f3s-Guerra Fria e de globaliza\u00e7\u00e3o em marcha. Mais recentemente, num outro trabalho originalmente publicado em finais dos anos 90, o mesmo autor fazia notar que \u201c\u00e0 medida que se desvanece o mundo bipolar, passamos de um mundo de inimigos a um mundo de perigos e de riscos\u201d. Sobre o significado de risco, Ulrich Beck clarifica-o da seguinte forma: \u201crisco \u00e9 o enfoque moderno da previs\u00e3o e controlo das consequ\u00eancias futuras da ac\u00e7\u00e3o humana, das diversas consequ\u00eancias n\u00e3o desejadas da modernidade radicalizada. \u00c9 uma tentativa (institucionalizada) de colonizar o futuro, um mapa cognitivo. Toda a sociedade, obviamente, experimentou perigos. Todavia, o regime do risco \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o de ordem nova: n\u00e3o \u00e9 nacional, mas global. Est\u00e1 intimamente relacionado com o processo administrativo e de decis\u00e3o. Anteriormente, essas decis\u00f5es eram tomadas com normas fixas de calculabilidade, ligando meios e fins, causas e efeitos. A \u2018sociedade de risco global\u2018 invalidou precisamente essas normas\u201d. Segundo este, tudo isto se tornou muito evidente nas companhias de seguros privadas, provavelmente o \u201cmelhor s\u00edmbolo do c\u00e1lculo e da seguran\u00e7a alternativa, as quais n\u00e3o cobrem os desastres nucleares, nem as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e as suas consequ\u00eancias, nem o colapso das economias asi\u00e1ticas, nem os riscos de baixa probabilidade e graves consequ\u00eancias de diversos tipos de tecnologia futura. De facto, os seguros privados n\u00e3o cobrem a maiorias das tecnologias controversas, como a engenharia gen\u00e9tica. Sobre os aspectos novos que esta no\u00e7\u00e3o implica acrescenta ainda o seguinte: \u201co conceito de risco e de sociedade de risco combina o que em tempos se exclu\u00eda mutuamente: sociedade e natureza, ci\u00eancias sociais e ci\u00eancias da mat\u00e9ria, constru\u00e7\u00e3o discursiva do risco e materialidade das amea\u00e7as\u201d (Beck, 2002, p. 5).<\/p>\n<p>A referida ideia de risco e de sociedade de risco de Beck pode ser aplicada \u00e0 sociedade em rede, na medida em que esta assenta numa cria\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica da modernidade reflexiva. O progresso tecnol\u00f3gico que permitiu a sociedade em rede \u2013 com todos os imensos benef\u00edcios que da\u00ed resultaram \u2013, trouxe consigo uma nova \u00e1rea de risco para as sociedades humanas, consequ\u00eancia paradoxal (inevit\u00e1vel?) do seu sucesso. Para al\u00e9m das possibilidades de extors\u00e3o financeira, de vendas fraudulentas, de pirataria de filmes, m\u00fasica ou livros, etc. \u2013 que cabem no \u00e2mbito das infrac\u00e7\u00f5es legais e\/ou criminalidade \u2013, surgiram tamb\u00e9m possibilidades adicionais de difus\u00e3o de ideologias pol\u00edticas radicais e violentas e, aspecto de risco inteiramente novo, uma possibilidade de os conflitos internacionais decorrerem no ciberespa\u00e7o, em paralelo, ou n\u00e3o, com uma guerra f\u00edsica. Paradoxalmente, esta nova possibilidade que, num cen\u00e1rio extremo, poder\u00e1 ser imensamente destrutiva s\u00f3 se tornou poss\u00edvel pelos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos da sociedade em rede. Indubitavelmente, estamos perante mais um risco da actual modernidade reflexiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> Entre a perda de neutralidade<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><strong>[23]<\/strong><\/a> da Web e a emerg\u00eancia da ciberguerra <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A Internet e a da <em>World Wide Web<\/em> est\u00e3o hoje sujeitas a grandes inc\u00f3gnitas sobre a sua evolu\u00e7\u00e3o futura. Continuar\u00e3o a ser espa\u00e7os de liberdade ligados globalmente como em grande parte t\u00eam sido? Ser\u00e3o definitivamente dominadas por interesses econ\u00f3micos e comerciais? Os Estados afirmar\u00e3o um crescente controlo sobre a rede e a informa\u00e7\u00e3o que nela circula? Assistiremos \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de fronteiras no ciberespa\u00e7o e \u00e0 \u201cterritorializa\u00e7\u00e3o\u201d nacional do mesmo por raz\u00f5es pol\u00edticas e de seguran\u00e7a? Estas inc\u00f3gnitas est\u00e3o hoje bem exemplificadas na encruzilhada com que se confronta a <em>World Wide Web<\/em>, 20 anos depois da sua cria\u00e7\u00e3o. Num artigo publicado na revista <em>Wired <\/em>com o t\u00edtulo provocat\u00f3rio <em>The Web Is Dead. Long Live the Internet<\/em> (2010), Chris Anderson e Michael Wolff sustentam que o uso da <em>World Wide Web<\/em> j\u00e1 entrou numa fase de decl\u00ednio. Para estes, o processo ir\u00e1 ainda acentuar-se mais nos pr\u00f3ximos anos por um conjunto de raz\u00f5es tecnol\u00f3gicas e ligadas a interesses econ\u00f3micos e comerciais. Todavia, Anderson e Wolff n\u00e3o v\u00eam esta tend\u00eancia como problem\u00e1tica. Para estes, a Web n\u00e3o \u00e9 o culminar da revolu\u00e7\u00e3o digital, mas apenas uma fase datada e em vias de ser ultrapassada:<\/p>\n[..] You\u2019ve spent the day on the Internet \u2013 but not on the Web. And you are not alone. This is not a trivial distinction. Over the past few years, one of the most important shifts in the digital world has been the move from the wide-open Web to semiclosed platforms that use the Internet for transport but not the browser for display. It\u2019s driven primarily by the rise of the iPhone model of mobile computing, and it\u2019s a world Google can\u2019t crawl, one where HTML doesn\u2019t rule. And it\u2019s the world that consumers are increasingly choosing [\u2026] The fact that it\u2019s easier for companies to make money on these platforms only cements the trend. Producers and consumers agree: The Web is not the culmination of the digital revolution.<\/p>\n<p>Ao que tudo indica como reac\u00e7\u00e3o ao artigo da <em>Wired<\/em>, o principal criador da Web, Tim Berners-Lee, num texto publicado na revista <em>Scientific American<\/em>, sob o t\u00edtulo <em>Long Live the Web: A Call for Continued Open Standards and Neutrality<\/em>, critica duramente a tend\u00eancia de fragmenta\u00e7\u00e3o e de cria\u00e7\u00e3o de plataformas semi-fechadas. Um alvo particular das suas cr\u00edticas foram as redes sociais como o <em>LinkedIn<\/em> ou o <em>Facebook<\/em>, que representam \u201cuma amea\u00e7a para a universalidade da rede\u201d. Para Tim Berners-Lee est\u00e1 a surgir um crescente risco de se perder a liberdade na rede, que permitido aos utilizadores acederem ao <em>websites<\/em> que desejam. Alguns dos casos de maior sucesso dos \u00faltimos anos \u2013 como o j\u00e1 referido <em>Facebook<\/em> ou o iTunes da Apple \u2013, amea\u00e7am os pr\u00f3prios princ\u00edpios fundadores da Web. Este argumenta que estrat\u00e9gias como a utilizada pela Apple com o iTunes, n\u00e3o s\u00f3 deixam a informa\u00e7\u00e3o vis\u00edvel aos utilizadores restrita dentro do pr\u00f3prio <em>site<\/em>, como levam \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de \u201cilhas fragmentadas\u201d de informa\u00e7\u00e3o. Desta forma, foram criadas barreiras \u00e0 partilha de informa\u00e7\u00e3o com o resto da Web pelo que a rede tende a \u201cpartir-se em peda\u00e7os\u201d com preju\u00edzo para o utilizador. Este deixa de beneficiar de um \u201cespa\u00e7o \u00fanico e universal de informa\u00e7\u00e3o\u201d:<\/p>\n<p>Several threats to the Web\u2019s universality have arisen recently. Cable television companies that sell Internet connectivity are considering whether to limit their Internet users to downloading only the company\u2019s mix of entertainment. Social-networking sites present a different kind of problem. Facebook, LinkedIn, Friendster and others typically provide value by capturing information as you enter it [\u2026] Each site is a silo, walled off from the others. Yes, your site\u2019s pages are on the Web, but your data are not. You can access a Web page about a list of people you have created in one site, but you cannot send that list, or items from it, to another site. The isolation occurs because each piece of information does not have a URI [Universal Resource Identifier]. Connections among data exist only within a site. So the more you enter, the more you become locked in. Your social-networking site becomes a central platform \u2013 a closed silo of content, and one that does not give you full control over your information in it. The more this kind of architecture gains widespread use, the more the Web becomes fragmented, and the less we enjoy a single, universal information space.<\/p>\n<p>Mas as amea\u00e7as que pairam sobre a universalidade e neutralidade da rede n\u00e3o se ficam por aqui. Outro alvo de cr\u00edticas do fundador da Web s\u00e3o as empresas fornecedoras de acesso <em>wireless<\/em> \u00e0 rede. Este denuncia a tend\u00eancia discriminat\u00f3ria que se verifica em alguns fornecedores desse servi\u00e7o, de baixar, deliberadamente, a velocidade de acesso a certos <em>websites<\/em>, em detrimento de outros (normalmente aqueles com os quais n\u00e3o foram feitos acordos&#8230;.). Naturalmente que tudo isto acaba por prejudicar os utilizadores e por limitar a sua liberdade de navega\u00e7\u00e3o na rede. Atente-se neste excerto do referido artigo:<\/p>\n<p>Net neutrality maintains that if I have paid for an Internet connection at a certain quality, say, 300 Mbps, and you have paid for that quality, then our communications should take place at that quality. Protecting this concept would prevent a big ISP from sending you video from a media company it may own at 300 Mbps but sending video from a competing media company at a slower rate. That amounts to commercial discrimination. Other complications could arise. What if your ISP made it easier for you to connect to a particular online shoe store and harder to reach others? That would be powerful control. What if the ISP made it difficult for you to go to Web sites about certain political parties, or religions, or sites about evolution?<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito desta \u00faltima quest\u00e3o, a da liberdade e privacidade na rede, Tim Berners-Lee mostrou ainda uma outra preocupa\u00e7\u00e3o. Segundo este, h\u00e1 uma tend\u00eancia dos governos, a qual n\u00e3o se ocorre apenas nos Estado autorit\u00e1rios, de vigiar os h\u00e1bitos dos seus cidad\u00e3os <em>online<\/em>. Tais mecanismos de controlo e vigil\u00e2ncia dos Estados poder\u00e3o ser considerado uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos inerentes ao ser humano na era sociedade em rede \u2013 da\u00ed este falar na necessidade premente de defesa dos novos \u201cDireitos Humanos Electr\u00f3nicos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que Castells, o grande teorizador da primeira d\u00e9cada da sociedade em rede, entreviu as amea\u00e7as que Berners-Lee aponta hoje ao futuro da Web? Note-se que Castells tocou de alguma maneira nestas quest\u00f5es, no contexto da sua vis\u00e3o mais geral sobre a atitude dos governos face \u00e0 Internet, motivada, segundo este, por uma vontade de controlo da tecnologia e dos seus usos. Castells notava que, para os governos, o uso econ\u00f3mico da Web a partir de meados dos anos 90 trouxera uma oportunidade de dom\u00ednio inexistente nos prim\u00f3rdios da Internet. Esta oportunidade resultava n\u00e3o s\u00f3 do facto do <em>timing<\/em> psicol\u00f3gico para a interven\u00e7\u00e3o governamental ser mas favor\u00e1vel, como do aparecimento de tecnologia adequada, inexistente nos primeiros tempos da rede. Coincidindo com a utiliza\u00e7\u00e3o comercial da rede, come\u00e7aram a surgir tamb\u00e9m tecnologias de controlo e identifica\u00e7\u00e3o (por exemplo, <em>passwords<\/em>, <em>cookies<\/em>, etc.), de vigil\u00e2ncia (intercepta\u00e7\u00e3o de mensagens), de alguma maneira apoiadas a n\u00edvel governamental. Para Castells, ambos \u2013 ou seja, governos e empresas \u2013, ter\u00e3o desde essa altura come\u00e7ado a torpedear o espa\u00e7o de liberdade conferido pela rede, passando a vigiar, de alguma forma, o cidad\u00e3o e\/ou o trabalhador.<\/p>\n<p>A perda de neutralidade e fragmenta\u00e7\u00e3o da rede denunciadas fundador da Web est\u00e3o sobretudo ligadas aos interesses econ\u00f3micos, mas tamb\u00e9m \u00e0 atitude dos governos. Um caso situado num plano diferente e de consequ\u00eancias potencialmente bem mais complexas e destrutivas \u00e9 o j\u00e1 referido risco de uma ciberguerra. Embora o aprofundamento desta quest\u00e3o ultrapasse o \u00e2mbito limitado deste artigo, imp\u00f5em-se algumas considera\u00e7\u00f5es. Desde logo cabe assinalar que embora o termo \u201cciberguerra\u201d s\u00f3 recentemente tenha sido objecto de um uso generalizado nos media, data dos prim\u00f3rdios da sociedade em rede. Surgiu originalmente 1993, nos meios militares e de seguran\u00e7a ligados \u00e0 Rand Corporation, por John Arquilla e David Ronfeldt. Na altura, apesar do interesse suscitado, foi essencialmente visto como algo especulativo e futurista. Todavia, nos \u00faltimos anos, com a Internet e a Web a entrarem numa fase de maturidade, a percep\u00e7\u00e3o mudou, provavelmente, em grande parte, pelo facto dos conflitos da Est\u00f3nia (2007) e da Ge\u00f3rgia (2008) com a R\u00fassia terem tido um campo de batalha paralelo na rede. Mais recentemente, em finais de 2010, o caso do v\u00edrus Stuxnet que afectou o programa nuclear iraniano, deu ainda mais plausibilidade a um cen\u00e1rio real de ciberguerra. Entre os m\u00faltiplos livros e artigos recentemente produzidos sobre este assunto destaca-se o relat\u00f3rio elaborado para a OCDE<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> no \u00e2mbito do projecto \u201cchoques globais no futuro\u201d intitulado <em>Reduzindo o Risco Sist\u00e9mico da Ciberseguran\u00e7a<\/em> (2011). Os seus autores, Peter Sommer e Ian Brown, procuraram avaliar o risco no mundo actual e no devir que \u00e9 descortin\u00e1vel. No \u00e2mbito do pensamento sobre seguran\u00e7a e estrat\u00e9gia<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a>, o termo ciberguerra designa frequente \u201cuma guerra conduzida substancialmente no ciberespa\u00e7o ou no dom\u00ednio virtual\u201d (<em>idem<\/em>, p. 13). Esta concep\u00e7\u00e3o tem normalmente subjacente a ideia de que \u201cas ciberguerras tendem a ser muito similares \u00e0s guerras convencionais\u201d pelo que id\u00eanticas doutrinas de retalia\u00e7\u00e3o ou dissuas\u00e3o poder\u00e3o ser aplicadas. Em termos de legalidade internacional, Sommer e Brown sustentam que ciberguerra dever\u00e1 se definida, tanto quanto poss\u00edvel, nos termos utilizados para uma guerra convencional ou \u201ccin\u00e9tica\u201d. Desde logo, ser\u00e1 fundamental ter em conta as disposi\u00e7\u00f5es actualmente contidas nos tratados internacionais<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a>. Assim, para se decidir se um acto deve, ou n\u00e3o, ser qualificado como ciberguerra, dever\u00e1 submeter-se ao teste de verificar se pode ser considerado \u201cequivalente\u201d a um ataque convencional no seu objectivo, intensidade e dura\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das quest\u00f5es conceptuais \u00e9 inquestion\u00e1vel que o assunto est\u00e1 a captar crescentemente a aten\u00e7\u00e3o dos meios militares e de seguran\u00e7a, das organiza\u00e7\u00f5es internacionais, de <em>think tanks<\/em> e de acad\u00e9micos e outros interessados como as empresas de seguran\u00e7a inform\u00e1tica. O caso mais recente desta tend\u00eancia \u00e9 o da NATO. Na Cimeira de Lisboa, ocorrida em finais de 2010, no novo documento estrat\u00e9gico da organiza\u00e7\u00e3o afirma-se que \u201cos ciberataques est\u00e3o a tornar-se cada vez mais frequentes, mais organizado e mais dispendiosos nos danos infligem \u00e0s administra\u00e7\u00f5es governamentais, empresas, economias e, potencialmente tamb\u00e9m, \u00e0s redes de transporte e abastecimento e outras infra-estruturas; estes podem chegar a um limite que amea\u00e7a a prosperidade nacional e a prosperidade, seguran\u00e7a e estabilidade euro-atl\u00e2ntica. Militares e servi\u00e7os secretos estrangeiros, crime organizado, terrorismo e\/ou grupos extremistas podem ser a fonte de tais ataques\u201d<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>. Uma quest\u00e3o em aberto \u00e9 a de saber se o grau de risco que os ciberataques ou uma ciberguerra colocam \u00e0s sociedades ocidentais est\u00e3o correctamente avaliados e dimensionados ou estar\u00e3o a ser deliberadamente empolados por motivos pol\u00edticos (governos) ou econ\u00f3micos (empresas). Uma ret\u00f3rica securit\u00e1ria associada a este risco permite aumentar a vigil\u00e2ncia e o poder de controle sobre a rede pelos governos. Ao interesse pol\u00edtico e de controlo dos governos pode-se juntar o das empresas no uso econ\u00f3mico e comercial da rede, na venda de tecnologias e servi\u00e7os de seguran\u00e7a e na cria\u00e7\u00e3o de \u201cilhas fragmentadas\u201d de informa\u00e7\u00e3o.\u00a0Uma coisa parece certa: os ideais tecno-libert\u00e1rios da Internet e Web est\u00e3o a dar lugar a uma crescente preocupa\u00e7\u00e3o (obsess\u00e3o?) econ\u00f3mico-securit\u00e1ria ligada \u00e0 sociedade em rede.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BIBLIOGRAFIA<\/p>\n<p>Arquilla, John e Ronfeldt, David (2003), \u201cCyberwar is Coming!\u201d <em>Comparative Strategy<\/em>, vol. 12, n\u00ba. 2, Spring 1993, pp. 141\u2013165.<\/p>\n<p>____ (2002), <em>Networks and Netwars: The Future of Terror, Crime, and Militancy<\/em>, Santa Monica, CA, Rand Corp.<\/p>\n<p>Anderson, Chris e Wolff, Michael (2010), \u00abThe Web Is Dead. Long Live the Internet\u00bb in<em> Wired, <\/em>Setembro, http:\/\/www.wired.com\/magazine\/2010\/08\/ff_webrip\/all\/1<\/p>\n<p>Beck, Ulrich (1992), <em>Risk Society: Towards a New Modernity<\/em>, Londres, Sage Publications.<\/p>\n<p>____ (2002), <em>La Sociedad del Riesgo Global<\/em>, trad.esp., Madrid, Siglo XXI<\/p>\n<p>Berners-Lee, Tim (1990), <em>World Wide Web: Proposal for a HyperText Project<\/em>, http:\/\/www.w3.org\/Proposal.html<\/p>\n<p>____ (2010), \u00abLong Live the Web: A Call for Continued Open Standards and Neutrality\u00bb in <em>Scientific American<\/em>, Novembro, http:\/\/www.scientificamerican.com\/article.cfm?id=long-live-the-web<\/p>\n<p>Castells, Manuel (1999), <em>A Era da Informa\u00e7\u00e3o<\/em><em>: economia, sociedade e cultura<\/em>, vol. III, S\u00e3o Paulo, Paz e Terra.<\/p>\n<p>____ (2002) <em>A Sociedade em Rede, <\/em>vol. I, Lisboa, Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian.<\/p>\n<p>____ (2004), <em>A Gal\u00e1xia Internet: Reflex\u00f5es sobre Internet, Neg\u00f3cios e Sociedade<\/em>, Lisboa, Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian.<\/p>\n<p>Castells, Manuel e Cardoso, Gustavo [ed.] (2005) <em>The Network Society: From Knowledge to Policy, <\/em>Washington, Center for Transatlantic Relations-Johns Hopkins University.<\/p>\n<p>Clark, Richard A. e Knake, Robert K. (2010), <em>Cyber War. The Next Threat to National Security<\/em>, Nova Iorque, Harper Collins<\/p>\n<p>Hassan, Robert (2009), <em>The Information Society: Cyber Dreams and Digital Nightmares<\/em>, Cambridge, Polity Press.<\/p>\n<p>Internet Society (2010), <em>A Brief History of the Internet<\/em>, http:\/\/www.isoc.org\/internet\/history\/brief.shtml<\/p>\n<p>Internet World Stats (2011), <em>Usage and population statistics<\/em>, http:\/\/www.internetworldstats.com\/<\/p>\n<p>Libicki, Martin (2009), <em>Cyberdeterrence and Cyberwar<\/em>, Santa Monica, CA, Rand Corp.<\/p>\n<p>Schiller, Ben (2011), \u201cCybersecurity: politics, interests, choices\u201d in <em>OpenDemocracy<\/em>, http:\/\/www.opendemocracy.net\/ben-schiller\/cybersecurity-politics-interests-choices<\/p>\n<p>Sinks, Michael A. (2008), <em>Cyber Warfare and International Law<\/em>, Research Report Submitted to the Faculty in Partial Fulfillment of the Graduation Requirements, Air Command and Staff College\/ Air University, Maxwell, Al.<\/p>\n<p>Sommer, Peter e Brown, Ian (2011), <em>Reducing Systemic Cybersecurity Risk<\/em> (Project on \u201cFuture Global Shocks\u201d), Paris, OECD\/IFP-International Future Program Department, http:\/\/www.oecd.org\/dataoecd\/3\/42\/46894657.pdf<\/p>\n<p>Turner, Fred (2008), <em>From Counterculture to Cyberculture: Stewart Brand, the Whole Earth Network, and the Rise of Digital Utopianism<\/em>, Chicago, Chicago University Press.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> A 6 de Agosto de 1991 Tim Berners-Lee tornou a sua inven\u00e7\u00e3o da <em>World Wide Web<\/em> acess\u00edvel \u00e0 comunidade dos utilizadores da Internet.<\/p>\n[2] \u00a0Seguimos de perto a hist\u00f3ria da Internet elaborada pela Internet Society (2010), A Brief History of the Internet, http:\/\/www.isoc.org\/internet\/history\/brief.shtml<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> O <em>Whole Earth Catalog<\/em> criado por Stewart Brand, foi um livro inovador para a \u00e9poca, sendo apresentado sob a forma de um comp\u00eandio multidisciplinar. Em 1971 foi galardoado com o <em>National Book Award <\/em>dos EUA.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> A ARPA(NET) foi criada em plena Guerra Fria, num contexto em que nos EUA se temia um eventual ataque nuclear sovi\u00e9tico. Receava-se, entre outras consequ\u00eancias, que este pudesse levar \u00e0 desarticula\u00e7\u00e3o da cadeia comando por ruptura das comunica\u00e7\u00f5es. No \u00e2mbito da Rand Corporation (um prestigiado <em>think tank<\/em> com sede na Calif\u00f3rnia e que usualmente colabora com o Pent\u00e1gono), surgiu a ideia de construir um sistema de comunica\u00e7\u00f5es militar capaz de sobreviver a um ataque nuclear. Embora n\u00e3o fosse o objectivo original por detr\u00e1s da ARPA(NET) \u2013 a principal precursora da actual Internet \u2013, esta proposta da Rand Corporation ter\u00e1, de alguma maneira, influenciado tamb\u00e9m a investiga\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dessa rede.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> A ARPA(NET) s\u00f3 foi declarada completamente operacional em 1975, sendo constitu\u00edda por uma rede de linhas alugadas ligadas por n\u00f3s especiais de comuta\u00e7\u00e3o, chamados <em>Internet Message Processor<\/em> (IMP). A sua administra\u00e7\u00e3o era efectuada pela <em>Defense Information Systems Agency<\/em> dos EUA.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Uma curiosidade que mostra como era incipiente a tecnologia (e nos d\u00e1 uma ideia dos enormes avan\u00e7os entretanto ocorridos), \u00e9 que texto original enviado era \u201c<em>login<\/em>\u201d mas o computador que recebeu a mensagem parou de funcionar na letra &#8220;o&#8221;\u2026.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Transmission Control Protocol\/ Internet Protocol<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> A ARPA(NET) foi formalmente extinta em 1990.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> O <em>backbone <\/em>(espinha dorsal) designa um esquema de liga\u00e7\u00f5es centrais de um sistema mais amplo e de elevado desempenho.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Ainda no decurso dos anos 80, o Departamento de Defesa dos EUA tinha decidido comercializar a tecnologia Internet, financiando a inclus\u00e3o do TCP\/IP nos protocolos dos computadores fabricados por empresas norte-americanas. Desta forma, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90 a maior parte dos computadores nos EUA estavam j\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de poder funcionar em rede.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> A <em>World Wide Web<\/em> (ou s\u00f3 Web) assenta na utiliza\u00e7\u00e3o de hiperliga\u00e7\u00f5es para navegar entre documentos (chamados \u201cp\u00e1ginas Web\u201d) com recurso a um <em>software<\/em> o <em>browser<\/em> (navegador). Assim, uma p\u00e1gina na Web \u00e9 basicamente um ficheiro de texto escrito em linguagem HTML. Permite descrever a formata\u00e7\u00e3o do documento e incluir elementos gr\u00e1ficos ou liga\u00e7\u00f5es para outros documentos. Outra componente fundamental \u00e9 protocolo HTTP que permite vincular documentos alojados por computadores distantes (chamados servidores Web). Os documentos s\u00e3o assim localizados por um endere\u00e7o \u00fanico, o URL, permitindo localizar um recurso em qualquer servidor da rede Internet.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Ver Tim Berners-Lee (1990), <em>World Wide Web: Proposal for a HyperText Project<\/em>, http:\/\/www.w3.org\/Proposal.html<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Ver, entre outros, a Free Software Foundation, http:\/\/www.fsf.org\/ e a Open Source Initiative, http:\/\/www.opensource.org\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> A este prop\u00f3sito, Robert Hassan (2008, p. 23), afirma que, <em>lato sensu<\/em>, que a sociedade da informa\u00e7\u00e3o (conceito mais ou menos pr\u00f3ximo de sociedade em rede de Manuel Castells) \u00e9 sucessora da sociedade industrial. A informa\u00e7\u00e3o que \u201ccircula sob a forma de ideias, conceitos e inova\u00e7\u00e3o\u201d nos assuntos mais diversos \u2013 e \u00e9 \u201creplicada como <em>bits <\/em>e <em>bytes<\/em> digitais atrav\u00e9s da computoriza\u00e7\u00e3o \u2013, estar\u00e1 a substituir o trabalho e a l\u00f3gica relativamente est\u00e1tica da f\u00e1brica e maquinaria, como for\u00e7a organizadora central da sociedade\u201d. Assim, \u201ca <em>moderna<\/em> sociedade industrial com uma din\u00e2mica relativamente ordenada e organizada\u201d teria dado lugar a uma \u201csociedade da informa\u00e7\u00e3o <em>p\u00f3s-moderna<\/em>, onde a desorganiza\u00e7\u00e3o e a fragmenta\u00e7\u00e3o ser\u00e3o as suas caracter\u00edsticas salientes\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> O termo <em>hacker<\/em> tem, pelo menos, dois significados diferentes: i) o do especialista, quase vision\u00e1rio, com grandes conhecimentos em computadores, tecnologia digital e\/ou programa\u00e7\u00e3o. Neste sentido, o uso do termo <em>hacker<\/em> \u2013 que \u00e9 o efectuado por Manuel Castells quando se refere \u00e0 \u201ccultura <em>hacker<\/em>\u201d \u2013, tem conota\u00e7\u00f5es positivas e predominou nos primeiros tempos da revolu\u00e7\u00e3o electr\u00f3nica e inform\u00e1tica at\u00e9 aos anos 80. Mas h\u00e1 um outro sentido, que \u00e9 o uso mais corrente actual, e que adquiriu uma conota\u00e7\u00e3o bastante negativa: ii) o de algu\u00e9m mais ou menos dotado para a inform\u00e1tica que usa o seu conhecimento especializado em computadores, programa\u00e7\u00e3o e\/ou tecnologia digital para ac\u00e7\u00f5es abusivas e\/ou ilegais de acesso a outros computadores e redes, bem como para praticar actos maliciosos que podem produzir danos de maior ou menor dimens\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Por defini\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o trabalho \u00e0 distancia realizado fora do espa\u00e7o f\u00edsico da empresa ou organiza\u00e7\u00e3o \u00e0 qual o trabalhador est\u00e1 ligado. O uso das redes, a videoconfer\u00eancia, a utiliza\u00e7\u00e3o partilhada de documentos em tempo real, ou a redistribui\u00e7\u00e3o de chamadas telef\u00f3nicas, s\u00e3o alguns dos exemplos mais \u00f3bvios de teletrabalho propiciados pela revolu\u00e7\u00e3o inform\u00e1tica e digital em curso.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Cfr. http:\/\/www.internetworldstats.com\/stats.htm (acedido em 18\/07\/2011).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Cfr. [19] Cfr. http:\/\/www.internetworldstats.com\/stats.htm (acedido em 18\/07\/2011).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Cfr. US Census Bureau, http:\/\/www.census.gov\/main\/www\/popclock.html (acedido em 18\/07\/2011).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Dados das diferentes edi\u00e7\u00f5es da Wikip\u00e9dia nas diversas l\u00ednguas referentes a 8 de Fevereiro de 2010, http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Wikipedia:Wikip%C3%A9dia_em_outras_l%C3%ADnguas<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Coincidindo o <em>timing<\/em> da publica\u00e7\u00e3o com o desastre nuclear de Chernobyl na Ucr\u00e2nia (na altura integrada na ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica), o que, provavelmente, contribui para a sua r\u00e1pida popularidade.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> A neutralidade da rede, ou neutralidade da Internet, significa que, por princ\u00edpio, todas as informa\u00e7\u00f5es que circulam na rede devem ser tratadas da mesma forma, sem interfer\u00eancias ou discrimina\u00e7\u00f5es dos fornecedores de acesso \u00e0 Internet. Situa\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de falta de neutralidade ocorrem quando, por raz\u00f5es comerciais, o acesso \u00e9 deliberadamente limitado ou eliminado por bloqueio (restric\u00e7\u00e3o do acesso a determinados servi\u00e7os ou <em>sites<\/em>) ou pelo estrangulamento (retardamento de certos tipos de tr\u00e1fego afectando a velocidade e qualidade do acesso) favorecendo determinados <em>sites<\/em> em rela\u00e7\u00e3o a outros. Note-se que estamos a exceptuar desta quest\u00e3o os bloqueios ou restri\u00e7\u00f5es de acesso que resultam do cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o criminal pelos fornecedores de acesso \u00e0 Internet (por exemplo, por crimes de pirataria, pornografia infantil, etc.)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f3mico.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Um defini\u00e7\u00e3o na perspectiva de seguran\u00e7a e estrat\u00e9gia de ciberguerra \u00e9 dada pelo <em>Institute for Advanced Study of Information Warfare<\/em> dos EUA. Este instituto define-a como \u201co uso ofensivo e defensiva da informa\u00e7\u00e3o e dos sistemas de informa\u00e7\u00e3o para negar, explorar, corromper, ou destruir a informa\u00e7\u00e3o de um advers\u00e1rio, processos baseados na informa\u00e7\u00e3o, sistemas de informa\u00e7\u00e3o e redes baseadas em computadores, enquanto se protegem as pr\u00f3prias. Tais ac\u00e7\u00f5es s\u00e3o projectadas para atingir vantagens sobre advers\u00e1rios militares.\u201d (citado em Michael Sinks, 2008, p. 5) .<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Nomeadamente as conven\u00e7\u00f5es de Haia de 1899 e 1907, a Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas de 1945, a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas de 1948 sobre o Genoc\u00eddio e a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas de 1980 sobre Armas Convencionais Excessivamente Lesivas (ou cujos efeitos s\u00e3o indiscriminados) \u2013 ou seja, o normativo que integra o Direito dos Conflitos Armados\/Direito Internacional Humanit\u00e1rio.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> Para Sommer e Brown h\u00e1 ainda \u201cuma distin\u00e7\u00e3o a fazer entre actos que procuram atingir alvos militares e actos destinados a alvos civis\u201d. Estes fazem notar que a \u201cCarta das Na\u00e7\u00f5es Unidas requer uma justifica\u00e7\u00e3o para a adop\u00e7\u00e3o de contra-medidas por aqueles que afirmam ter sido atacados. No essencial, a v\u00edtima deve ser capaz de produzir provas fidedignas sobre quem a atacou (algo nem sempre f\u00e1cil no cibermundo) e sobre os efeitos dos ataques (<em>idem<\/em>, p. 13).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Cfr. <em>Strategic Concept For the Defence and Security of The Members of the North Atlantic Treaty Organisation (<\/em><em>Adopted by Heads of State and Government in Lisbon, 2010)<\/em>, http\/\/www.nato.int<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, &#8220;Da Utopia da Sociedade em Rede \u00e0 Realidade da Sociedade de Risco&#8221; artigo originalmente \u00a0publicado na An\u00e1lise Social, vol XLVIII (2\u00ba), n\u00ba 207 (2013): 260-286.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Um novo mundo est\u00e1 a tomar forma neste final de mil\u00e9nio. Tem origem mais ou menos no fim dos anos 60 e meados da d\u00e9cada de 70 na coincid\u00eancia hist\u00f3rica de tr\u00eas processos independentes: revolu\u00e7\u00e3o da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o; crise econ\u00f3mica do capitalismo e do estatismo e a consequente reestrutura\u00e7\u00e3o de ambos [&#8230;] A &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/06\/a-sociedade-em-rede-como-sociedade-de-risco\/\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">&#8220;A Web nos 20: da utopia da sociedade em rede \u00e0 realidade da sociedade de risco&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,52],"tags":[53,47,42],"class_list":["post-1014","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-cientificos","tag-ciberguerra","tag-sociedade-de-risco","tag-sociedade-em-rede","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1014\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}