{"id":1128,"date":"2015-06-06T15:16:52","date_gmt":"2015-06-06T15:16:52","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=1128"},"modified":"2019-04-08T19:21:57","modified_gmt":"2019-04-08T19:21:57","slug":"elementos-de-economia-politica-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/06\/elementos-de-economia-politica-internacional\/","title":{"rendered":"Elementos de Economia Pol\u00edtica Internacional"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Elementos-Economia-Politica-Internacional.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1129\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Elementos-Economia-Politica-Internacional.jpg\" alt=\"Elementos Economia-Politica-Internacional\" width=\"512\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Elementos-Economia-Politica-Internacional.jpg 512w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Elementos-Economia-Politica-Internacional-200x300.jpg 200w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Elementos-Economia-Politica-Internacional-370x555.jpg 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Elementos-Economia-Politica-Internacional-387x580.jpg 387w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p>If economics is the study of the optimal use of scarce resources, political economy begins with the political nature of decision-making and is concerned with how politics will affect economic choices in a society. Society should be defined broadly to include not only countries or other such jurisdictions, but also firms, social groups, or other organizations.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">Allen DRAZEN (2001, p. 6)<\/p>\n<blockquote><p>Over decades the increasing emphasis of the economics profession on abstract models and mathematical theories made economics less and less relevant to public discourse and inaccessible not only to the larger public but also to academic colleagues. This is especially unfortunate because economics, despite its frequently esoteric nature, is or at least should be at the heart of public discourse. The problem is particularly troubling because the intellectual vacuum left by economists is too frequently filled by individuals who misunderstand economics or deliberately misuse the findings of economics in their promotion of one panacea or another to solve the problems of both domestic and international economies.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">Robert GILPIN (2001, p. 13)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 decorreram cerca de quatro s\u00e9culos desde que a express\u00e3o \u00abEconomia Pol\u00edtica\u00bb<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> foi cunhada, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII, para designar a ci\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o das riquezas \u00e0 escala de um pa\u00eds. O termo deve-se a Antoine de Montchrestien, no livro <em>Trait\u00e9 d\u2019\u00c9conomie Politique\/Tratado de Economia Pol\u00edtica <\/em>(1615), uma publica\u00e7\u00e3o manuscrita, originalmente dedicada ao rei de Fran\u00e7a, Lu\u00eds XIII, e \u00e0 rainha m\u00e3e. Assim, desde a sua origem, o estudo da economia pol\u00edtica preocupa-se com o significado e a import\u00e2ncia da economia para a sociedade dentro do quadro fornecido pelo poder pol\u00edtico do Estado. Se o interesse pela economia pol\u00edtica (nacional) \u00e9 bastante antigo, j\u00e1 o interesse pela economia pol\u00edtica (internacional<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>) \u00e9 muito mais recente, pelo menos quando aferido sob o ponto de vista institucionaliza\u00e7\u00e3o da disciplina, que s\u00f3 se verificou na d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo XX. Sejam quais forem as raz\u00f5es explicativas desse interesse e autonomiza\u00e7\u00e3o tardios<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, importa notar que esta \u00e9 uma \u00e1rea do conhecimento sem o estudo da qual a compreens\u00e3o do funcionamento do mundo sai manifestamente empobrecida. Isto resulta evidente n\u00e3o s\u00f3 para os estudantes dos cursos de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais \u2013 no \u00e2mbito do qual foi originalmente institu\u00edda a disciplina de Economia Pol\u00edtica Internacional (EPI)<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> \u2013 como, em graus vari\u00e1veis, para os estudantes de outros cursos das diferentes Ci\u00eancias Sociais e Humanas e da Gest\u00e3o<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Para estes \u00faltimos, uma compreens\u00e3o da envolvente internacional da empresa e\/ou da realidade social-internacional \u00e9 uma mais-valia importante na sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mico-cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, o fen\u00f3meno pol\u00edtico, no sentido estrito da palavra, \u00e9 central na vida humana e social. Todavia, no \u00faltimos tempos, a centralidade tradicional do fen\u00f3meno pol\u00edtico foi confrontada com uma progressiva ascens\u00e3o do fen\u00f3meno econ\u00f3mico. Este tende, cada vez mais, a ser um fen\u00f3meno nuclear na vida humana e social e a ganhar um peso acrescido na vida p\u00fablica e no discurso dos governos e dos partidos pol\u00edticos. Surge frequentemente associado \u00e0s chamadas quest\u00f5es de rela\u00e7\u00f5es internacionais e ao que hoje tende a ser designado por diplomacia econ\u00f3mica. Todavia, ao contr\u00e1rio do discurso pol\u00edtico, mesmo o de perfil mais acad\u00e9mico, o qual \u00e9 mais ou menos intelig\u00edvel para o cidad\u00e3o comum e para os n\u00e3o especialistas em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, o discurso t\u00e9cnico econ\u00f3mico levanta mais dificuldades de compreens\u00e3o. Essas dificuldades resultam essencialmente do caminho seguido pela Economia na segunda metade do s\u00e9culo XX. Esta tornou-se, progressivamente, numa disciplina matematizada e formalizada. No seu \u00e2mbito, a investiga\u00e7\u00e3o valorizada em termos acad\u00e9mico-cient\u00edficos \u00e9 feita com recurso a modelos anal\u00edticos de elevado grau de abstra\u00e7\u00e3o e complexidade. Isto acabou por tornar os seus resultados dificilmente acess\u00edveis, e frequentemente opacos, para os n\u00e3o especialistas.<\/p>\n<p>Importa notar que este caminho seguido pela Economia teve diversas consequ\u00eancias importantes para a progress\u00e3o do conhecimento nesta \u00e1rea. A mais evidente \u00e9 um acr\u00e9scimo de rigor anal\u00edtico. Paralelamente, trouxe consigo um aumento do conhecimento ao n\u00edvel macroecon\u00f3mico e microecon\u00f3mico, potencialmente \u00fatil para a governa\u00e7\u00e3o do Estado e a atua\u00e7\u00e3o dos agentes econ\u00f3micos. Contudo, n\u00e3o se pode tamb\u00e9m perder de vista que a matematiza\u00e7\u00e3o e a formaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o garantem, automaticamente, maior cientificidade nem a relev\u00e2ncia pr\u00e1tica do conhecimento produzido. Desde logo h\u00e1 a quest\u00e3o dos limites do racioc\u00ednio matem\u00e1tico e da quantifica\u00e7\u00e3o na apreens\u00e3o do comportamento humano e social<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Ligado a esta surge o problema da racionalidade nas escolhas e decis\u00f5es do <em>homo economicus<\/em> e da sua correspond\u00eancia com o ser humano real. Ao estudar-se o ser humano <em>apenas<\/em> como um <em>homo economicus<\/em> \u2013 racional e maximizador de ganhos \u2013, n\u00e3o se estar\u00e1 a simplificar demasiado o seu comportamento ao ponto de o distorcer, limitando aplicabilidade das teorias no mundo real? Destas limita\u00e7\u00f5es decorre inevitavelmente que, por muito sofisticadas e elegantes que sejam as teorias econ\u00f3micas e os modelos usados para as construir, podem fracassar no mundo real. O mesmo se pode dizer da capacidade de previs\u00e3o da Economia \u2013 \u00e9 intrinsecamente fal\u00edvel porque enfrenta constrangimentos mais ou menos similares aos das restantes Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outras consequ\u00eancias a assinalar. Estas s\u00e3o, at\u00e9 certo ponto, inevit\u00e1veis, pela intr\u00ednseca complexidade da alguns assuntos econ\u00f3micos<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> No entanto, n\u00e3o deixam de trazer consigo facetas negativas. Uma dessas consequ\u00eancias \u00e9 a dificuldade em comunicar, n\u00e3o s\u00f3 com o p\u00fablico em geral, mas tamb\u00e9m com os n\u00e3o especialistas em Economia, com forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mico-cient\u00edfica noutras \u00e1reas. Na j\u00e1 citada reflex\u00e3o cr\u00edtica de Robert Gilpin, a Economia ter-se-\u00e0 transformado num conhecimento de \u00abnatureza frequentemente esot\u00e9rica\u00bb. Mas o problema n\u00e3o \u00e9 estritamente acad\u00e9mico e cient\u00edfico. Em sociedades democr\u00e1ticas a capacidade de comunicar com o cidad\u00e3o comum, de uma forma intelig\u00edvel, nas mat\u00e9rias que lhe s\u00e3o relevantes, tem especial import\u00e2ncia. E o econ\u00f3mico \u00e9 hoje central na vida humana e na atua\u00e7\u00e3o dos governos.<\/p>\n<p>Conforme notou o referido professor da Universidade de Princeton, o espa\u00e7o deixado em aberto pela incapacidade de explicar as quest\u00f5es econ\u00f3micas \u00e0 sociedade, normalmente n\u00e3o fica vazio. Tende, frequentemente, a ser ocupado por indiv\u00edduos que \u00abn\u00e3o entendem a economia, ou, deliberadamente, fazem um mau uso dos seus conhecimentos utilizando-os como uma esp\u00e9cie de panaceia para resolver os problemas econ\u00f3micos, dom\u00e9sticos ou internacionais\u00bb (2001, p. 13). Face a esta debilidade que se projeta negativamente na compreens\u00e3o das quest\u00f5es internacionais, os principais objetivos que nos propomos s\u00e3o os seguintes: (i) contribuir para uma correta apreens\u00e3o e difus\u00e3o dos conhecimentos de base econ\u00f3mica necess\u00e1rios \u00e0 compreens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es internacionais; (ii) analisar as complexas intera\u00e7\u00f5es que se estabelecem entre o econ\u00f3mico e o pol\u00edtico no \u00e2mbito internacional, as quais tendem a ficar numa esp\u00e9cie de \u00abzona cinzenta\u00bb, normalmente n\u00e3o estudada nem pela Economia, nem pela Ci\u00eancia Pol\u00edtica\/Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. A compreens\u00e3o desta \u00e1rea sup\u00f5e conhecimentos de base pol\u00edtica do g\u00e9nero dos usualmente ministrados nos cursos de Ci\u00eancia Pol\u00edtica\/Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Implica, tamb\u00e9m, o dom\u00ednio de alguns conceitos e teorias de base econ\u00f3mica. Embora estes instrumentos n\u00e3o sejam necessariamente t\u00e3o aprofundados como na Economia v\u00e3o, provavelmente, para al\u00e9m dos ensinamentos correntes ministrados no \u00e2mbito dos cursos das diferentes Ci\u00eancias Sociais, por vezes fr\u00e1geis nos seus conte\u00fados econ\u00f3micos.<\/p>\n<p>Tendo em conta o duplo objectivo j\u00e1 referido, apresentamos em seguida um conjunto de notas e elementos te\u00f3ricos mais ou menos introdut\u00f3rios \u00e0 tem\u00e1tica da economia pol\u00edtica internacional. Esta, importa notar, \u00e9 uma mat\u00e9ria bastante vasta<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, de certo modo complexa e com alguma dificuldade de integra\u00e7\u00e3o num todo coerente. A escolha das tem\u00e1ticas foi essencialmente baseada na nossa experi\u00eancia docente e numa sensibilidade pessoal para a disciplina, sem qualquer pretens\u00e3o de exaustividade. Esta at\u00e9 poder\u00e1 ser considerada bastante seletiva. Todavia, a op\u00e7\u00e3o resultou da inten\u00e7\u00e3o deliberada de elaborar um texto n\u00e3o muito extenso e, tanto quanto poss\u00edvel, simples, claro e rigoroso. Os seus destinat\u00e1rios preferenciais todos aqueles que por raz\u00f5es de estudo acad\u00e9mico e\/ou interesse pessoal, t\u00eam necessidade de adquirir conhecimentos e refletir sobre as diversas mat\u00e9rias que configuram este campo de estudos. Assim, foi selecionado um conjunto de tem\u00e1ticas que, pela nossa experi\u00eancia cient\u00edfica e pedag\u00f3gica, nos pareceram particularmente relevantes e \u00fateis para as finalidades da abordagem que nos propusemos efetuar. Opt\u00e1mos ainda por dividir o texto em duas partes, relativamente aut\u00f3nomas entre si. Numa primeira parte, de perfil mais descritivo e expositivo, procuramos explicar as diferentes perspetivas de abordagem da EPI e alguns instrumentos te\u00f3rico-conceptuais que esta habitualmente utiliza, importados da Economia. Desta forma, no primeiro cap\u00edtulo come\u00e7amos por apresentar o objeto de estudo, bem como as diferentes perspetivas de abordagem \u00e0 tem\u00e1tica da economia pol\u00edtica internacional, as quais podem conduzir a imagens bastante divergentes da disciplina. No segundo cap\u00edtulo, s\u00e3o expostos alguns conceitos de base do sistema monet\u00e1rio e financeiro internacional. Aqui incluem-se as diferentes concep\u00e7\u00f5es doutrinais e os instrumentos da pol\u00edtica comercial, teoricamente ao alcance dos Estados e\/ou blocos de integra\u00e7\u00e3o. S\u00e3o tamb\u00e9m descritos, de maneira assaz sint\u00e9tica, os principais mecanismos que regem o funcionamento da balan\u00e7a de pagamentos e da taxa de c\u00e2mbio. Quanto ao terceiro cap\u00edtulo, incide sobre a teoria do com\u00e9rcio internacional e os seus cr\u00edticos. \u00c9 abordada, nos seus tra\u00e7os essenciais, a teoria econ\u00f3mica neocl\u00e1ssica da troca internacional, sendo tamb\u00e9m analisadas algumas das principais cr\u00edticas e alternativas a esta.<\/p>\n<p>Por sua vez, na segunda parte, efetuamos uma abordagem menos expositiva e mais anal\u00edtica de algumas das principais mat\u00e9rias da economia pol\u00edtica internacional contempor\u00e2nea. Desta forma, no quarto cap\u00edtulo o enfoque incide sobre as institui\u00e7\u00f5es de Bretton-Woods e a arquitetura econ\u00f3mico-financeira e comercial mundial herdada do imediato p\u00f3s II Guerra Mundial e os seus desenvolvimentos posteriores. No quinto cap\u00edtulo s\u00e3o analisados alguns aspectos da teoria econ\u00f3mica da integra\u00e7\u00e3o internacional, com especial \u00eanfase na experi\u00eancia de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica da Europa. Este cap\u00edtulo \u00e9 completado com um estudo de caso sobre unifica\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria europeia e a atual crise do euro, sendo efetuada uma an\u00e1lise retrospetiva cr\u00edtica do processo de constru\u00e7\u00e3o da moeda \u00fanica na Uni\u00e3o Europeia. Por \u00faltimo, no sexto cap\u00edtulo, terminamos este livro com um abordagem \u00e0 complexa e multifacetada tem\u00e1tica da globaliza\u00e7\u00e3o da economia pol\u00edtica internacional, com algum \u00eanfase na atua\u00e7\u00e3o das empresas multinacionais. Inclui-se, ainda, um estudo de caso onde se procura analisar, em paralelo, o relativo decl\u00ednio econ\u00f3mico do Jap\u00e3o, com o cada vez mais vis\u00edvel impacto da China na economia global<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> A designa\u00e7\u00e3o comp\u00f3sita \u00abEconomia Pol\u00edtica\u00bb sugere j\u00e1 as realidades objecto de estudo: a \u00abeconomia\u00bb, palavra que etimologicamente deriva do grego <em>o\u00edkos<\/em>, \u00abcasa\u00bb, e <em>n\u00f3mos,<\/em> \u00ablei\u00bb, aponta para a gest\u00e3o do patrim\u00f3nio; e a \u00abpol\u00edtica\u00bb, com origem etimol\u00f3gica na palavra grega <em>polis<\/em>, \u00abcidade\u00bb, indica o estudo dos fen\u00f3menos relativos \u00e0 gest\u00e3o dos bens de uma determinada colectividade, seja ela um Estado soberano ou outra forma de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das comunidades humanas.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Importa notar que a designa\u00e7\u00e3o <em>inter-nacional<\/em>, embora amplamente institu\u00edda, n\u00e3o deixa de conter alguma ambiguidade e imprecis\u00e3o, na medida em que o elemento determinante na separa\u00e7\u00e3o do objecto da economia pol\u00edtica (nacional) face \u00e0 economia pol\u00edtica (internacional) n\u00e3o \u00e9 exactamente a Na\u00e7\u00e3o, como sugere esta designa\u00e7\u00e3o, mas sim o Estado. O que de facto ocorre \u00e9 que os termos \u00abNa\u00e7\u00e3o\u00bb e \u00abEstado\u00bb, embora sendo conceptualmente distintos \u2013 pelo menos assim \u00e9 no \u00e2mbito da Ci\u00eancia Pol\u00edtica e de outras Ci\u00eancias Sociais \u2013, tendem frequentemente a ser usados de uma forma mais ou menos equivalente. \u00c0 semelhan\u00e7a do que se verifica com muitos outros conceitos usados livremente, isto ocorre tipicamente na linguagem comum. Todavia, importa notar que ocorre tamb\u00e9m no campo da Economia, onde a designa\u00e7\u00e3o \u00abNa\u00e7\u00e3o\u00bb est\u00e1 profundamente enraizada desde o trabalho fundador de Adam Smith, <em>Riqueza das Na\u00e7\u00f5es<\/em> (1776). Nesta disciplina, a tradi\u00e7\u00e3o de estudo e de investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o levou a utiliza\u00e7\u00f5es claramente diferenciadas entre estes dois conceitos. Por outro lado, como faz notar Michel Rainelli (1997 [2003], p. 8), \u00aba <em>priori<\/em>, la nation n\u2019est pas un concept de l\u2019analyse \u00e9conomique; celle-ci s\u2019int\u00e9resse en effet \u00e0 des agents \u00e9conomiques qui sont diff\u00e9rencies par leur r\u00f4les dans l\u2019\u00e9change et dans la production et qui peuvent \u00eatre, dans la th\u00e9orie classique, les capitalistes, les propri\u00e9taires terriens et les salari\u00e9s ou, dans la th\u00e9orie n\u00e9oclassique, les producteurs et les consommateurs. La nation se situe \u00e0 un niveau de repr\u00e9sentation des faits \u00e9conomiques diff\u00e9rent: il s\u2019agit d\u2019une entit\u00e9 qui regroupe les diff\u00e9rentes cat\u00e9gories d\u2019agents \u00e9conomiques afin de comprendre les \u00e9changes qui se nouent entre ces blocs d\u2019agents consid\u00e9r\u00e9s comme des entit\u00e9s [\u2026] Les relations entre les nations seront alors des relations entre ces agents repr\u00e9sentatifs qui offrent et demandent des biens \u00e0 l\u2019\u00e9tranger. Or l\u2019agr\u00e9gation d\u2019individus h\u00e9t\u00e9rog\u00e8nes, m\u00eames s\u2019ils sont tous maximisateurs d\u2019utilit\u00e9, est un probl\u00e8me tr\u00e8s complexe\u00bb.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Raz\u00f5es \u00e0s quais n\u00e3o s\u00e3o indiferentes os caminhos, progressivamente separados, da reflex\u00e3o econ\u00f3mica e da reflex\u00e3o pol\u00edtica, a partir do momento em que se constitu\u00edram como disciplinas aut\u00f3nomas, ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o Iluminista do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Utilizamos a pr\u00e1tica usualmente institu\u00edda de usar a sigla \u00abEPI\u00bb para falar da disciplina e a palavra \u00abeconomia pol\u00edtica internacional\u00bb, por extenso, para falar do conte\u00fado da disciplina.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Do ponto de vista da Gest\u00e3o, ou melhor, daquilo que hoje normalmente se designa como Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica (ou Estrat\u00e9gia Empresarial), as tem\u00e1ticas da EPI poder\u00e3o ser enquadrada no \u00e2mbito de uma an\u00e1lise aprofundada do meio ambiente geral, mais especificamente dos factores pol\u00edticos, econ\u00f3micos, sociais e tecnol\u00f3gicos que o caracterizam \u2013 vulgarmente conhecida como an\u00e1lise PEST \u2013, os quais condicionam positiva e\/ou negativamente o desenvolvimento da actividade da empresa. J\u00e1 do ponto de vista da Direito a EPI fornece um conjunto de conhecimentos pol\u00edtico-econ\u00f3micos que permitem explicar as raz\u00f5es da exist\u00eancia do(s) dispositivo(s) jur\u00eddico(s) internacional(ais) actuais quer, por exemplo, ao n\u00edvel do funcionamento de organiza\u00e7\u00f5es regionais de integra\u00e7\u00e3o como as Comunidades\/Uni\u00e3o Europeia quer, a um n\u00edvel mais alargado, do funcionamento do sistema comercial e do sistema financeiro internacionais.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Os trabalhos de Gary S. Becker, pr\u00e9mio Nobel da Economia em 1992 est\u00e3o certamente entre aqueles que mais levantam essa quest\u00e3o epistemol\u00f3gica. Este professor de Economia e de Sociologia da Universidade de Chicago distinguiu-se pela aplica\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise econ\u00f3mica a diversas facetas do comportamento humano, como a competi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o crime e a sua puni\u00e7\u00e3o, o casamento, a fertilidade, etc. Em <em>The Economic Approach to Human Behavior\/A Abordagem Econ\u00f3mica ao Comportamento Humano<\/em>, inicialmente editado em 1975, pode-se encontrar um original conjunto de artigos publicados sobre estas mat\u00e9rias, que n\u00e3o deixa de surpreender todos aqueles que n\u00e3o est\u00e3o familiarizados com o seu pensamento.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Note-se que com isto n\u00e3o queremos dizer que os economistas devam abandonar a via da matematiza\u00e7\u00e3o e dos modelos formais, s\u00f3 porque o grande p\u00fablico e os n\u00e3o especialistas t\u00eam bastantes dificuldades em acompanhar essa evolu\u00e7\u00e3o e frequentemente n\u00e3o entendem o discurso que da\u00ed resulta. Isso seria t\u00e3o absurdo quanto defender que a f\u00edsica qu\u00e2ntica deveria ser abandonada pelos f\u00edsicos, s\u00f3 porque os n\u00e3o especialistas nessa mat\u00e9ria e o p\u00fablico em geral n\u00e3o conseguem entender a sua linguagem, nem os seus ensinamentos&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Desta forma, opt\u00e1mos intencionalmente por excluir mat\u00e9rias que se podem enquadrar mais genericamente no campo da(s) Teoria(s) das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, como a teoria neoliberal e a teoria neorealista, as quais j\u00e1 abordamos numa publica\u00e7\u00e3o anterior (apenas lhes faremos aqui umas breves referencias sum\u00e1rias). E opt\u00e1mos tamb\u00e9m por n\u00e3o abordar outras teorias mais ou menos directamente ligadas ao campo da EPI, como, por exemplo, as teorias dos regimes internacionais e as teorias da estabilidade hegem\u00f3nica, dado o perfil relativamente curto deste trabalho. Uma exposi\u00e7\u00e3o sobre estas duas \u00faltimas teorias poder\u00e1 ser encontrada, por exemplo, no livro de G\u00e9rard K\u00e9babdjian (1976 [1999]), <em>Les Th\u00e9ories de l\u2019\u00c9conomie Politique Internationale.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes<\/p>\n<p>\u00a9 Almedina, 2013 (excerto, Introdu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>If economics is the study of the optimal use of scarce resources, political economy begins with the political nature of decision-making and is concerned with how politics will affect economic choices in a society. 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