{"id":1212,"date":"2015-06-06T21:35:20","date_gmt":"2015-06-06T21:35:20","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=1212"},"modified":"2020-06-09T17:12:18","modified_gmt":"2020-06-09T17:12:18","slug":"a-contestacao-na-turquia-em-perspectiva-a-era-erdogan-revisitada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/06\/a-contestacao-na-turquia-em-perspectiva-a-era-erdogan-revisitada\/","title":{"rendered":"A contesta\u00e7\u00e3o na Turquia em perspectiva: a era Erdo\u011fan revisitada"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/P\u00fablico-12-06-2013.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1214\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/P\u00fablico-12-06-2013-1024x625.png\" alt=\"P\u00fablico 12-06-2013\" width=\"1024\" height=\"625\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/P\u00fablico-12-06-2013-1024x625.png 1024w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/P\u00fablico-12-06-2013-300x183.png 300w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/P\u00fablico-12-06-2013-768x469.png 768w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/P\u00fablico-12-06-2013-370x226.png 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/P\u00fablico-12-06-2013-570x348.png 570w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/P\u00fablico-12-06-2013-770x470.png 770w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/P\u00fablico-12-06-2013-1170x714.png 1170w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/P\u00fablico-12-06-2013-950x580.png 950w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/P\u00fablico-12-06-2013.png 1181w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p>S\u00e3o as diversas Turquias que se confrontam, mais uma vez. A dos defensores dos valores republicanos e secularistas &nbsp;[&#8230;] e a dos partid\u00e1rios de um regresso balanceado aos tradicionais valores isl\u00e2micos sunitas.<\/p><\/blockquote>\n<p>1. Desde a chegada ao poder nas elei\u00e7\u00f5es de 3 de Novembro de 2002 que o Partido da Justi\u00e7a e do Desenvolvimento (AKP) marcou decisivamente a Turquia. Nessas elei\u00e7\u00f5es, uma conjuga\u00e7\u00e3o particular de resultados associada \u00e0 barreira de 10% de vota\u00e7\u00e3o para eleger deputados permitiu uma larga maioria absoluta, com apenas 34,3% dos sufr\u00e1gios. Outra particularidade dessas elei\u00e7\u00f5es foi o facto de o partido ter sido oficialmente liderado por Abdullah G\u00fcl, o actual Presidente da Rep\u00fablica. Recep Tayyip Erdogan tinha sofrido uma condena\u00e7\u00e3o penal que o impedia de ocupar cargos p\u00fablicos. Motivo? Em 1997, num com\u00edcio na cidade de Siirt, no Leste do pa\u00eds, citara o trecho de um poema de Ziya G\u00f6kalp: &#8220;As mesquitas s\u00e3o os nossos quart\u00e9is, as c\u00fapulas os nossos capacetes, os minaretes as nossas baionetas e os fi\u00e9is os nossos soldados&#8221;. Tal ato valeu-lhe uma condena\u00e7\u00e3o penal por incitamento ao \u00f3dio religioso, mas, nos meses seguintes \u00e0 elei\u00e7\u00e3o, a proibi\u00e7\u00e3o de ocupar cargos p\u00fablicos foi levantada. A partir da\u00ed Erdogan ocupou o cargo de primeiro-ministro ininterruptamente, vencendo esmagadoramente mais dois actos eleitorais, em 2007 (46,6% dos votos) e 2011 (49,8% dos votos).<\/p>\n<p>2. At\u00e9 aos recentes acontecimentos do Parque Gezi em Istambul, Erdogan e o AKP eram retratados pela imprensa europeia e ocidental como um caso de sucesso, a v\u00e1rios n\u00edveis. Na frente interna fez reformas vistas como aproximando a Turquia aos valores europeus da liberdade, da democracia e dos direitos humanos. N\u00e3o menos importante, obteve uma vit\u00f3ria diplom\u00e1tica ao conseguir a abertura de negocia\u00e7\u00f5es de ades\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, iniciadas em 2005. Ainda na frente interna, os anos do Governo do AKP foram marcados por um importante crescimento da economia. O seu sucesso contrastou flagrantemente com a recess\u00e3o do in\u00edcio da d\u00e9cada anterior, que ajudou a descredibilizar os seus principais oponentes pol\u00edticos, nomeadamente o Partido Republicano do Povo (CHP), herdeiro directo de Atat\u00fcrk. Contrastou e contrasta, ainda, com a forte crise que afecta a generalidade da Uni\u00e3o Europeia ap\u00f3s 2008. Por sua vez, na frente internacional, aumentou a influ\u00eancia pol\u00edtica, especialmente nos pa\u00edses \u00e1rabe-isl\u00e2micos, refor\u00e7ando as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas em v\u00e1rias partes do mundo. Com o in\u00edcio da chamada Primavera \u00c1rabe, em 2011, a Turquia surgia como um atractivo modelo para as popula\u00e7\u00f5es que, da Tun\u00edsia ao Egipto, derrubavam ditadores e aspiravam \u00e0 democracia e \u00e0 prosperidade econ\u00f3mica. A sua combina\u00e7\u00e3o entre isl\u00e3o e democracia parecia irresist\u00edvel. Oferecia um caminho de modernidade que agradava tanto no isl\u00e3o como no Ocidente.<\/p>\n<p>3. Voltemos ao passado. Na altura da sua chegada poder, o AKP de Erdogan era usualmente rotulado como um partido pr\u00f3-islamista, ou seja, pr\u00f3ximo das correntes do isl\u00e3o pol\u00edtico, ainda que n\u00e3o radicais. Mas as suas reformas internas e a aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia foram interpretada como um sinal claro de abandono das suas ra\u00edzes islamistas. Erdogan e o AKP surgiam, assim, como uma esp\u00e9cie de partido democrata-isl\u00e2mico, \u00e0 imagem das democracias-crist\u00e3s \u00e0 europeia. Ser\u00e1 essa leitura benigna consistente? Ser\u00e1 que traduz bem a evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do AKP de Erdogan? Na realidade, h\u00e1 uma outra leitura dos factos que emerge da complexa hist\u00f3ria pol\u00edtica do pa\u00eds. Vejamos como. A Rep\u00fablica da Turquia foi constru\u00edda sob inspira\u00e7\u00e3o da la\u00efcit\u00e9 francesa, por uma elite liderada por Atat\u00fcrk nos anos 20 e 30 do s\u00e9culo passado. N\u00e3o foi um processo baseado no consentimento democr\u00e1tico. Enfrentou contesta\u00e7\u00e3o e revoltas desde o in\u00edcio, nomeadamente dos curdos e da popula\u00e7\u00e3o do interior da Anat\u00f3lia. Acabou por se afirmar ganhando ra\u00edzes nos sectores da sociedade ligados ao funcionamento do Estado &#8211; o Ex\u00e9rcito, os tribunais, as universidades p\u00fablicas, a m\u00e1quina burocr\u00e1tica-administrativa. Mas os seus valores nunca penetraram profundamente na massa populacional da Anat\u00f3lia, fora de grandes cidades como Istambul, Ancara ou Esmirna. A\u00ed apenas chegou uma superficial seculariza\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o da identidade turca moderna. Os tradicionais valores isl\u00e2micos sunitas mantiveram-se como marca identit\u00e1ria dominante. Esta sociologia religioso-pol\u00edtica da Turquia foi, e \u00e9, claramente favor\u00e1vel a um partido conservador islamista como o AKP.<\/p>\n<p>4. Em que se fundamentam as cr\u00edticas a Erdogan? N\u00e3o se tornou a Turquia, sob o seu Governo, mais democr\u00e1tica e se aproximou dos valores europeus? N\u00e3o foram os militares subordinados ao poder pol\u00edtico, como \u00e9 normal nas democracias ocidentais? A resposta \u00e9 essencialmente afirmativa. H\u00e1, todavia, outros aspectos relevantes que matizam a leitura benigna. Indubitavelmente, a aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia permitiu a elimina\u00e7\u00e3o de mecanismos da Constitui\u00e7\u00e3o de 1982 merecedores de objec\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. (Esta foi o resultado do golpe militar de 1980, sendo feita sob tutela militar, ainda que aprovada depois por referendo). Mas estes mecanismos eram, tamb\u00e9m, favor\u00e1veis \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da estrutura secular do Estado, no aparelho judici\u00e1rio, no ensino, no Ex\u00e9rcito, etc. Por outras palavras, tais reformas constitucionais teriam sempre um duplo resultado: democratiza\u00e7\u00e3o e desseculariza\u00e7\u00e3o. Assim, uma quest\u00e3o \u00f3bvia surge em mente: o que motivou verdadeiramente Erdogan? A ades\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia e a genu\u00edna democratiza\u00e7\u00e3o da Turquia &#8211; como geralmente foi interpretado na UE e EUA -, ou uma democratiza\u00e7\u00e3o instrumental, com vista \u00e0 desseculariza\u00e7\u00e3o do Estado e a abrir a porta ao isl\u00e3o na vida pol\u00edtica e social &#8211; como os seus cr\u00edticos t\u00eam sustentado? A propens\u00e3o para os observadores externos acreditarem que Erdogan estava, genuinamente, a tentar democratizar a Turquia e a lev\u00e1-la a ser membro da UE, explica-se, provavelmente, por duas raz\u00f5es. A primeira \u00e9 a superficialidade do conhecimento da pol\u00edtica turca e da hist\u00f3ria do pa\u00eds. A segunda \u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o de Erdogan aos valores do capitalismo.<\/p>\n<p>5. Ideologicamente, o AKP faz uma esp\u00e9cie de simbiose entre o islamismo (isl\u00e3o pol\u00edtico) e o capitalismo de mercado de tipo neoliberal. Este islamismo capitalista caracteriza-se por uma vontade de enriquecimento atrav\u00e9s do mercado e de reislamizar o social e o pol\u00edtico. O seu surgimento na Turquia deve-se a uma conjuga\u00e7\u00e3o peculiar de factores internos e externos. Os internos \u00e9 que o Estado tendia a excluir os cidad\u00e3os mais religiosos e os movimentos sociais e pol\u00edticos islamistas da m\u00e1quina burocr\u00e1tico-administrativa e das suas benesses. Assim, a tradicional classe m\u00e9dia secularista manteve-se ligada ao Estado beneficiando dessa liga\u00e7\u00e3o. Com a globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal e com o Governo Erdogan adoptando medidas favor\u00e1veis ao mercado e \u00e0 iniciativa privada &#8211; iniciadas por Turgut \u00d6zal na d\u00e9cada de 80 -, esta ficou em desvantagem.<\/p>\n<p>H\u00e1, neste processo, uma profunda ironia. A popula\u00e7\u00e3o mais religiosa e\/ou com simpatias pr\u00f3-islamistas, por ter o acesso a empregos e cargos p\u00fablicos dificultado, foi obrigada a procurar o seu espa\u00e7o nas actividades empresariais privadas, onde se enraizou (\u00e9 o caso do movimento G\u00fclen, com as suas escolas, jornais, esta\u00e7\u00f5es de TV e r\u00e1dio). O triunfo internacional do modelo capitalista de mercado acabou por favorec\u00ea-la, bem como as pol\u00edticas do Governo Erdogan. Esta nova classe m\u00e9dia, com origem na &#8220;Turquia profunda&#8221;, \u00e9 bastante mais conservadora social e religiosamente. Mistura os benef\u00edcios de uma prosperidade material capitalista com um proselitismo religioso mu\u00e7ulmano-sunita vigoroso. Embora n\u00e3o sendo intrinsecamente anti-democr\u00e1tica, n\u00e3o se rev\u00ea, tamb\u00e9m, nos valores liberais \u00e0 ocidental, nomeadamente na plena liberdade de express\u00e3o, no pluralismo social-religioso igualit\u00e1rio, nem na aceita\u00e7\u00e3o de estilos de vida n\u00e3o isl\u00e2micos.<\/p>\n<p>6. A contesta\u00e7\u00e3o iniciada em Maio, no Parque Gezi de Istambul, cidade da qual Erdogan foi presidente da c\u00e2mara na d\u00e9cada de 90, transcende a luta pela preserva\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o verde. S\u00e3o as diversas Turquias que se confrontam, mais uma vez. A dos defensores dos valores republicanos e secularistas &#8211; o projecto urban\u00edstico prev\u00ea a demoli\u00e7\u00e3o do Centro Cultural Atat\u00fcrk, a constru\u00e7\u00e3o de uma mesquita e a reconstru\u00e7\u00e3o de um quartel otomano &#8211; e a dos partid\u00e1rios de um regresso balanceado aos tradicionais valores isl\u00e2micos sunitas. A da minoria religiosa alevita &#8211; 15% a 20% da popula\u00e7\u00e3o -, fortes apoiantes de Atat\u00fcrk, do CHP e do Estado secular, que reivindica um tratamento igualit\u00e1rio e reconhecimento, e a do Isl\u00e3o sunita maiorit\u00e1rio que os discrimina. (Em paralelo decorre uma contesta\u00e7\u00e3o ao nome &#8220;Sult\u00e3o Selim I&#8221; para a nova ponte sobre o B\u00f3sforo). A dos ganhadores da recente expans\u00e3o capitalista &#8211; a obra do Parque Gezi ser\u00e1 executada pelo grupo Kalyon, pr\u00f3ximo do Governo &#8211; e os que n\u00e3o beneficiaram dela, ou rejeitam o capitalismo neoliberal. A da popula\u00e7\u00e3o urbana e cosmopolita, que pretende um pluralismo social e de estilos de vida, incluindo plena liberdade de express\u00e3o, e a da grande massa populacional da Anat\u00f3lia e dos sub\u00farbios das grandes cidades, que os menospreza e rejeita, apreciando o estilo autorit\u00e1rio de Erdogan. O resultado deste confronto, seja ele qual for, vai marcar decisivamente o futuro da Turquia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes. Artigo originalmente publicado no P\u00fablico, 12\/06\/2013<\/p>\n<p>\u00a9 Imagem: foto de capa do jornal P\u00fablico de 12\/06\/2013, mostrando a batalha campal entre os manifestantes e a pol\u00edcia de choque, no parque Gezi, em Istambul<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o as diversas Turquias que se confrontam, mais uma vez. A dos defensores dos valores republicanos e secularistas &nbsp;[&#8230;] e a dos partid\u00e1rios de um regresso balanceado aos tradicionais valores isl\u00e2micos sunitas. 1. 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