{"id":1276,"date":"2015-06-06T12:25:25","date_gmt":"2015-06-06T12:25:25","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=1276"},"modified":"2015-06-13T20:23:35","modified_gmt":"2015-06-13T20:23:35","slug":"a-obsessao-pela-visibilidade-nas-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/06\/a-obsessao-pela-visibilidade-nas-redes-sociais\/","title":{"rendered":"A obsess\u00e3o pela visibilidade nas redes sociais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Digital-Vertigo.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1277\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Digital-Vertigo.png\" alt=\"Digital Vertigo\" width=\"581\" height=\"754\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Digital-Vertigo.png 581w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Digital-Vertigo-231x300.png 231w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Digital-Vertigo-370x480.png 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Digital-Vertigo-570x740.png 570w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Digital-Vertigo-447x580.png 447w\" sizes=\"auto, (max-width: 581px) 100vw, 581px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Andrew Keen \u00e9 um cr\u00edtico c\u00e1ustico da revolu\u00e7\u00e3o digital, em especial de algumas consequ\u00eancias desta para a vida em sociedade e alta cultura. No seu anterior livro, \u201cO Culto do Amador\u201d (2006) denunciou, de forma particularmente contundente, a utopia libert\u00e1rio-an\u00e1rquica ligada \u00e0 Web 2.0 (simbolizada pelos blogues, Youtube, etc.), qualificando-a como uma nova vers\u00e3o das cl\u00e1ssicas utopias pol\u00edticas dos s\u00e9culos XIX e XX. Para este, o jarg\u00e3o associado \u00e0 Web 2.0 n\u00e3o \u00e9 mais do que uma linguagem absurda, herdada da contracultura hippie dos anos 60\/70, agora embelezada e sofisticada numa fraseologia de tipo sociol\u00f3gico. O seu argumento \u00e9 curioso e vai \u00e0 raiz pol\u00edtica da quest\u00e3o. Em termos ideol\u00f3gicos, trata-se de uma fus\u00e3o entre \u201co radicalismo dos anos 60 com a escatologia ut\u00f3pica da tecnologia digital\u201d. O prov\u00e1vel resultado pode ser bastante negativo para a sociedade no seu conjunto. Isto porque a Web 2.0 abriu caminho \u00e0quilo este chamou \u201co culto do amador\u201d. Desta forma, estar-se-\u00e1 a destruir o que usualmente se designa por \u201calta cultura\u201d, bem como o conhecimento especializado nas mais diversas \u00e1reas do saber. Este necessita de anos de forma\u00e7\u00e3o e treino n\u00e3o sendo compat\u00edvel com a l\u00f3gica \u201camadora\u201d da Web 2.0.<\/p>\n<p>2. No seu mais recente \u201cVertigo Digital\u201d (2012) \u2013 uma alus\u00e3o ao cl\u00e1ssico filme de Alfred Hitchcock \u2013, Keen ataca o \u201clado negro\u201d das redes sociais (Facebook, Twitter, LinkedIn, etc.). Ainda estou nas p\u00e1ginas iniciais da leitura, mas, tal como o livro anterior, promete pol\u00e9mica, reflex\u00f5es interessantes e compara\u00e7\u00f5es curiosas com o passado. O edif\u00edcio \u201cpan\u00f3ptico\u201d de Jeremy Bentham, concebido no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX para vigiar sem ser visto, surge como um precedente ex\u00f3tico da atual (ciber)vigil\u00e2ncia. Keen retoma aqui as ideias de Foucault sobre \u201cvigiar e punir\u201d (1975) e os mecanismo de poder nas modernas sociedades capitalistas. Ironicamente, agora \u00e9 a atual obsess\u00e3o pela visibilidade do pr\u00f3prio indiv\u00edduo que abre caminho a poss\u00edveis consequ\u00eancias nefastas. A crescente perda de privacidade \u00e9 um resultado negativo bastante \u00f3bvio. Num cen\u00e1rio ainda pior, poder\u00e1 abrir-se caminho a um cada vez maior controlo de todas as esferas vida individual, seja pelo Estado, seja por empresas ligadas \u00e0s tecnologias digitais, nomeadamente os fornecedores de liga\u00e7\u00f5es \u00e0 Internet e de comunica\u00e7\u00f5es. A discuss\u00e3o sobre o direito de n\u00e3o querer ter a sua imagem divulgada, ou de que o Estado, ou uma empresa privada, tenha os nossos dados pessoais, ou que saiba onde n\u00f3s estamos, \u00e9 um assunto bem s\u00e9rio. No limite, \u00e9 uma quest\u00e3o de Direitos Humanos. Nada tem a ver com ser avesso \u00e0 tecnologia ou \u00e0 inova\u00e7\u00e3o (o pr\u00f3prio Keen \u00e9 um empres\u00e1rio da era digital, em Silicon Valley). Ali\u00e1s, este lembra como uma discuss\u00e3o legal sobre o direito \u00e0 n\u00e3o imagem p\u00fablica, ou seja, \u00e0 privacidade, emergiu logo com os prim\u00f3rdios da fotografia, no s\u00e9culo XIX. Adquiriu, no entanto, com as atuais redes sociais, uma dimens\u00e3o inimagin\u00e1vel para os nossos antepassados. Para estes, o afastamento da possibilidade de intromiss\u00e3o de estranhos, governantes ou n\u00e3o, na esfera privada do indiv\u00edduo, foi um reivindica\u00e7\u00e3o central da sua luta pela liberdade, conquistada com grandes sacrif\u00edcios incluindo da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; 1. Andrew Keen \u00e9 um cr\u00edtico c\u00e1ustico da revolu\u00e7\u00e3o digital, em especial de algumas consequ\u00eancias desta para a vida em sociedade e alta cultura. 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