{"id":1296,"date":"2015-06-05T22:55:24","date_gmt":"2015-06-05T22:55:24","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=1296"},"modified":"2015-06-20T15:42:50","modified_gmt":"2015-06-20T15:42:50","slug":"o-islamismo-jihadista-como-ideologia-politica-totalitaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/05\/o-islamismo-jihadista-como-ideologia-politica-totalitaria\/","title":{"rendered":"O Islamismo-jihadista como ideologia pol\u00edtica totalit\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bandeira-do-Estado-Isl\u00e2mico.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2111\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bandeira-do-Estado-Isl\u00e2mico.png\" alt=\"bandeira do Estado Isl\u00e2mico\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bandeira-do-Estado-Isl\u00e2mico.png 800w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bandeira-do-Estado-Isl\u00e2mico-300x225.png 300w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bandeira-do-Estado-Isl\u00e2mico-768x576.png 768w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bandeira-do-Estado-Isl\u00e2mico-370x278.png 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bandeira-do-Estado-Isl\u00e2mico-570x428.png 570w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bandeira-do-Estado-Isl\u00e2mico-770x578.png 770w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bandeira-do-Estado-Isl\u00e2mico-773x580.png 773w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p>Mas, dentro da estrutura organizacional do movimento, enquanto ele permanece inteiro, os membros fanatizados s\u00e3o inating\u00edveis pela experi\u00eancia e pelo argumento; a identifica\u00e7\u00e3o com o movimento e o conformismo total parece ter destru\u00eddo a pr\u00f3pria capacidade de sentir, mesmo que seja algo t\u00e3o extremo como a tortura ou medo da morte.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">Hannah ARENDT<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Para a mentalidade secular do europeu e ocidental do s\u00e9culo XXI, as ideologias pol\u00edticas n\u00e3o usam uma linguagem religiosa, nem se legitimam com um fundamento divino. Desde a revolu\u00e7\u00e3o francesa de 1789, onde surgiram os modernos conceitos de esquerda e direita e tamb\u00e9m de terror, que a modernidade pol\u00edtica, europeia e ocidental, foi constru\u00edda pela separa\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica face \u00e0 religi\u00e3o. Aparentemente, essa evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um dado adquirido da modernidade contempor\u00e2nea e v\u00e1lida em termos universais. Na realidade, o mundo globalizado de hoje mostra-nos que n\u00e3o \u00e9 assim. As hip\u00f3teses que coloquei no meu livro \u201cIslamismo e Multiculturalismo. As Ideologias Ap\u00f3s o Fim da Hist\u00f3ria\u201d (Almedina, 2006), parecem hoje estar a confirmar-se em v\u00e1rios aspetos. Permito-me record\u00e1-las aqui. Uma hip\u00f3tese consistia em supor que a \u201creconfigura\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica n\u00e3o est\u00e1 apenas a ocorrer no plano interno das sociedades europeias e ocidentais.\u201d Uma outra admitia que o Islamismo, \u201cenquanto fen\u00f3meno ideol\u00f3gico, continua a ter um significativo potencial de expans\u00e3o a n\u00edvel internacional \u2013 n\u00e3o s\u00f3 dentro dos pa\u00edses isl\u00e2micos como fora destes, incluindo nas sociedades europeias e ocidentais\u201d (pp. 10-11). Assim, proponho-me mostrar que, apesar da fraseologia religiosa, estamos perante uma ideologia, que \u00e9 pol\u00edtica e n\u00e3o se confunde com o Isl\u00e3o entendido como religi\u00e3o. Esta ideologia tem \u00e9 origem num ambiente cultural isl\u00e2mico. A sua compreens\u00e3o \u00e9 determinante para percebermos casos como o do Estado Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante (\u201cIslamic State in Iraq and the Levant\u201d na translitera\u00e7\u00e3o de \u00e1rabe para ingl\u00eas). Vou ainda tentar mostrar quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas principais do Islamismo, destrin\u00e7ando-a do Isl\u00e3o como religi\u00e3o e evidenciando o seu car\u00e1cter totalit\u00e1rio. A evidencia\u00e7\u00e3o desta \u00faltima caracter\u00edstica ser\u00e1 feita por refer\u00eancia ao trabalho cl\u00e1ssico de Hannah Arendt \u201cAs Origens do Totalitarismo\u201d (trad. port, 5\u00aa ed. 2014, D. Quixote), originalmente publicado em 1951. Na altura, o contexto era o dos totalitarismos de origem europeia\/ocidental, nazi e estalinista, bem mais familiares ao p\u00fablico europeu e ocidental.<\/p>\n<p>2. Quais s\u00e3o, ent\u00e3o, as caracter\u00edsticas que nos permitem falar do Islamismo como uma ideologia pol\u00edtica? (Abordarei, mais \u00e0 frente, a especificidade do Islamismo-jihadista). Vou aqui recorrer \u00e0 distin\u00e7\u00e3o que tracei anteriormente, no meu j\u00e1 referido livro de 2006, \u201cIslamismo e Multiculturalismo. As Ideologias Ap\u00f3s o Fim da Hist\u00f3ria\u201d (pp. 46-47). Uma primeira caracter\u00edstica \u00e9 a \u201crecusa \u2013 feita, simultaneamente, por convic\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gia \u2013, de separa\u00e7\u00e3o entre o Isl\u00e3o como religi\u00e3o, do Isl\u00e3o como pol\u00edtica e ideologia\u201d. Daqui resultam, pelos menos, duas consequ\u00eancias nefastas. Uma para as sociedades configuradas por valores europeus e ocidentais, que \u00e9 a \u201cdesloca\u00e7\u00e3o da ideologia do Islamismo para o terreno da religi\u00e3o, quando o terreno apropriado seria o da pol\u00edtica e o das regras jur\u00eddico-constitucionais aplic\u00e1veis ao jogo pol\u00edtico\u201d. A outra \u00e9 para os pr\u00f3prios mu\u00e7ulmanos, sobretudos os que rejeitam essa apropria\u00e7\u00e3o e\/ou est\u00e3o empenhados em modernizar a sua cren\u00e7a religiosa. \u201cAssim v\u00eaem os seus intuitos reformadores bloqueados e descredibilizados\u201d. Uma segunda caracter\u00edstica \u00e9 que os atores n\u00e3o s\u00e3o os partidos ou movimentos pol\u00edticos, tal como os conhecemos no Ocidente. Para um ocidental, tudo seria mais f\u00e1cil de compreender, e rotular, se a ideologia Islamista se corporizasse em \u201ccamisas negras\u201d fascistas, grupos paramilitares de \u201ccamisas castanhas\u201d nazis, ou outros equivalentes e usasse uma linguagem secular. N\u00e3o \u00e9 o caso. Frequentemente, s\u00e3o \u201cgrupos e movimentos, formais ou informais, hierarquizados ou descentralizados, aparentemente apenas com miss\u00f5es e objectivos religiosos\u201d, mas, que, na pr\u00e1tica, \u201cprosseguem objectivos pol\u00edticos (normalmente n\u00e3o assumidos explicitamente).\u201d Em contexto europeu e ocidental, estes reclamam \u201cser tratados ao abrigo da liberdade religiosa e do respeito devido \u00e0 religi\u00e3o. Desta forma, estamos perante aquilo que pode ser designado como \u2018teopartidos\u2019\u201d. A terceira caracter\u00edstica est\u00e1 em conex\u00e3o com a segunda e resulta da sua forma de fazer pol\u00edtica, \u201cem rota de colis\u00e3o com ideia secular de \u2018pol\u00edtica\u2019 do mundo ocidental\u201d. A forma de fazer pol\u00edtica dos islamistas \u201cpode ser designada como uma \u2018teopol\u00edtica\u2019 \u2013 ou seja, \u2018pol\u00edtica de Deus\u2019, a partir da palavra grega teo \u2013, devido \u00e0 intrincada e deliberada mistura entre o religioso e o pol\u00edtico\u201d. No seu livro \u201cIslam and Islamism\u201d\/Isl\u00e3o e Islamismo (Yale University, 2012), Bassam Tibi, acad\u00e9mico de origem s\u00edria especializado em assuntos do M\u00e9dio Oriente, chama a este fen\u00f3meno \u201cthe religionazed politics of Islamism\u201d, ou seja, uma \u201csacraliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica\u201d intencionalmente feita pelo Islamismo. A quarta carater\u00edstica \u00e9 que \u201co seu horizonte ideal, em termos de Estado, \u00e9 o Estado isl\u00e2mico regido pela Sharia, o que, na linguagem pol\u00edtica europeia e ocidental \u00e9 qualificado como um Estado de tipo teocr\u00e1tico. Por extens\u00e3o de ideias, o seu sistema de governo ser\u00e1 \u201cuma \u2018teocracia\u2019. Em termos de ideologias modernas, e numa linguagem secular, estamos perante uma concep\u00e7\u00e3o de Estado pr\u00f3xima das ideologias pol\u00edticas totalit\u00e1rias. De tudo isto pode inferir-se uma quinta caracter\u00edstica, que \u00e9 o uso \u2013 ou melhor, a apropria\u00e7\u00e3o \u2013, de \u201cforma expl\u00edcita e deliberada, dos textos religiosos do Isl\u00e3o\u201d, usando-os como \u2018manifesto pol\u00edtico\u2019\u201d e \u2018constitui\u00e7\u00e3o\u2019. O Estado Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante (EIIL), corporiza bem esta caracter\u00edstica, da qual um exemplo t\u00edpico anterior se encontra na Carta do HAMAS\/Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica da Palestina.<\/p>\n<p>3. Imp\u00f5e-se clarificar melhor a caracter\u00edstica totalit\u00e1ria desta ideologia n\u00e3o ocidental. O trabalho cl\u00e1ssico de Hannah Arendt \u00e9 bastante \u00fatil para este efeito. Quando fazemos a sua leitura, n\u00e3o a pensar nos totalitarismos nazi e estalinista, aos quais se refere originalmente o livro, mas no Islamismo atual, encontramos diferen\u00e7as hist\u00f3ricas e de contexto cultural, que n\u00e3o podem ser menosprezadas. Todavia, verificamos tamb\u00e9m existirem surpreendentes paralelismos. Por exemplo, quanto \u00e0 subvers\u00e3o das regras democr\u00e1ticas, Hannah Arendt escreveu que \u201cos movimentos totalit\u00e1rios usam e abusam das liberdades democr\u00e1ticas com o objectivo de as suprimir\u201d (p. 414). Em v\u00e1rias partes do mundo \u00e1rabe isl\u00e2mico, Tun\u00edsia, Egito, etc. vimos como os movimentos islamistas aproveitaram a Primavera \u00c1rabe de 2011 para subvert\u00ea-la a seu favor, jogando o jogo eleitoral. Quanto ao fanatismo ideol\u00f3gico, esta frase soa tamb\u00e9m a familiar nos islamistas de hoje: \u201cO Idealismo, tolo ou her\u00f3ico, nasce da decis\u00e3o e da convic\u00e7\u00e3o individuais, mas forja-se na experi\u00eancia. [\u2026] Mas, dentro da estrutura organizacional do movimento, enquanto ele permanece inteiro, os membros fanatizados s\u00e3o inating\u00edveis pela experi\u00eancia e pelo argumento; a identifica\u00e7\u00e3o com o movimento e o conformismo total parece ter destru\u00eddo a pr\u00f3pria capacidade de sentir, mesmo que seja algo t\u00e3o extremo como a tortura ou medo da morte\u201d (p. 409). N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil extrapolar tais caracter\u00edsticas para o Islamismo-jihadista e o seu recrutamento e uso de jovens fanatizados ideologicamente, para a jihad na S\u00edria, Iraque, etc. Tal est\u00e1 a ser feito, em n\u00famero crescentemente significativo, em pa\u00eds europeus e ocidentais. Sinais dos tempos, h\u00e1 uma ou duas gera\u00e7\u00f5es atr\u00e1s, provavelmente esses mesmo jovens sentir-se-iam ideologicamente atra\u00eddos por grup\u00fasculos de extrema-esquerda, como o Baader-Meinhof na Alemanha e as Brigadas Vermelhas em It\u00e1lia, ou outros equivalentes de extrema-direita neo-nazi. Outra curiosa similitude com o Islamismo, especialmente nas suas vers\u00f5es mais extremas, \u00e9 uma caracter\u00edstica apontada por Hannah Arendt, segundo a qual os movimentos totalit\u00e1rios se distinguem de outros \u201cpela exig\u00eancia de lealdade total, irrestrita, incondicional e inalter\u00e1vel de cada membro individual [\u2026] desprovidos de outros la\u00e7os sociais \u2013 de fam\u00edlia, amizade e camaradagem \u2013, s\u00f3 adquirem o sentido de terem lugar neste mundo quando participam num movimento\u201d (p. 428). Esta \u00faltima frase tr\u00e1s \u00e0 mente, no contexto da atual Europa, os jovens desenraizados, frequentemente de segunda e terceira gera\u00e7\u00e3o de emigrantes, mu\u00e7ulmanos, ou convertidos, que s\u00e3o recrutados para uma \u201ccausa\u201d. Esta d\u00e1-lhes a sensa\u00e7\u00e3o de participarem numa \u201cmiss\u00e3o\u201d global, a qual, paradoxalmente, apesar do risco \u00f3bvio de morte, parece dar sentido \u00e0 sua vida. Tal como no contexto em que Hannah Arendt escreveu, a propaganda \u2013 hoje feita em grande parte pela Internet e redes socais \u2013, \u00e9 uma pe\u00e7a fundamental do totalitarismo na radicaliza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. \u201cPor existirem num mundo que n\u00e3o \u00e9 totalit\u00e1rio, os movimentos totalit\u00e1rios s\u00e3o for\u00e7ados a recorrer ao que commumente chamamos propaganda.\u201d (p. 453). No caso atual dos islamistas-jihadistas da Al-Qaeda, EIIL e outros, o terror parece ser uma pe\u00e7a importante da sua difus\u00e3o propagand\u00edstica.<\/p>\n<p>4. Falta agora explicitar o que distingue o Islamismo do Islamismo-jihadista (ou s\u00f3 jihadismo). A diferen\u00e7a \u00e9 mais evidente quando as compara\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas com as vers\u00f5es radicais do movimento, que se encontram no extremo do espectro pol\u00edtico islamista. Uma an\u00e1lise desta ideologia pol\u00edtica mostra que, todavia, apesar de existirem diferen\u00e7as de maior ou menor relevo, n\u00e3o parece haver diverg\u00eancias ideol\u00f3gicas de fundo entre o Islamismo e o Islamismo-jihadista, nomeadamente quanto \u00e0 ideia \u00faltima de instalar o \u201cEstado-Sharia\u201d. A principal e mais \u00f3bvia diferen\u00e7a est\u00e1 nos meios utilizados. Ou seja, \u00e9 mais uma diferen\u00e7a de estrat\u00e9gia do que de ideologia. A este prop\u00f3sito, Bassam Tibi fala, no seu j\u00e1 citado livro, em \u201cislamistas-institucionalistas\u201d (que admitem usar o jogo eleitoral das democracias para atingir os seus objetivos, tencionando alterar as regras quando atingirem o poder) e \u201cislamistas-jihadistas\u201d (que recorrem directamente \u00e0 viol\u00eancia para objetivos em grande parte similares). Enquanto movimentos islamistas como a Irmandade Mu\u00e7ulmana e outros, hoje tendem a n\u00e3o recorrer a meios violentos e n\u00e3o usam o terror, os movimentos mais radicais \u2013 \u00e9 o caso da Al-Qaeda ou do EIIL \u2013, usam a viol\u00eancia e o terror para atingir os seus fins. Essa viol\u00eancia e terror \u00e9 usada a coberto de uma pretensa \u201cobriga\u00e7\u00e3o de jihad\u201d (um conceito isl\u00e2mico complexo com v\u00e1rios significados). Tais movimentos transformaram esse conceito, teorizado pelos te\u00f3logos-juristas do Isl\u00e3o cl\u00e1ssico, de uma guerra com regras, que pode ser desencadeada em certas circunst\u00e2ncias, numa forma de viol\u00eancia mais ou menos indiscriminada, contra n\u00e3o mu\u00e7ulmanos e mu\u00e7ulmanos \u201cdesviantes\u201d da sua interpreta\u00e7\u00e3o do Isl\u00e3o. Da\u00ed o neologismo \u201cjihadista\u201d hoje vulgarizado. \u00c9 f\u00e1cil ver que o EIIL cabe nesta categoria. Nos \u00faltimos meses, surgiu como protagonista maior da guerra sect\u00e1ria na S\u00edria (fazendo alastrar o conflito ao Iraque). Imp\u00f4s-se, tamb\u00e9m, como for\u00e7a dominante no terreno entre a mir\u00edade de grupos que tentam derrubar, pela subleva\u00e7\u00e3o armada, o governo de Bashar al-Assad. A sua a\u00e7\u00e3o, caraterizada pela viol\u00eancia e terror contra as minorias n\u00e3o mu\u00e7ulmanas, crist\u00e3os e yazidis, bem como contra os mu\u00e7ulmanos xiitas, vistos como \u201cseita her\u00e9tica\u201d, \u00e9 extrema. Ultrapassa, at\u00e9, o que j\u00e1 conhec\u00edamos da Al-Qaeda. O b\u00e1rbaro assassinato, por decapita\u00e7\u00e3o, dos jornalistas norte-americanos, James Foley e Steven Sotloff, e, mais recentemente, do brit\u00e2nico David Haines, funcion\u00e1rio de uma ONG humanit\u00e1ria francesa, dissipou quaisquer d\u00favidas que pudessem existir quanto \u00e0s suas estrat\u00e9gias para impor o \u201cEstado-Sharia\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, vers\u00e3o expandida do artigo originalmente na edi\u00e7\u00e3o impressa do P\u00fablico, 27 de setembro de 2014, p. 52. \u00daltima revis\u00e3o 1\/02\/2015<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/dom\u00ednio-p\u00fablico.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1197\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/dom\u00ednio-p\u00fablico.png\" alt=\"dom\u00ednio p\u00fablico\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>\u00a0Bandeira (dom\u00ednio p\u00fablico \/ Wikipedia) do Estado Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante\/ S\u00edria, tamb\u00e9m usada pelos islamistas-jihadistas do\u00a0Al Shabaab (Som\u00e1lia) e Boko Haram (Nig\u00e9ria).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas, dentro da estrutura organizacional do movimento, enquanto ele permanece inteiro, os membros fanatizados s\u00e3o inating\u00edveis pela experi\u00eancia e pelo argumento; a identifica\u00e7\u00e3o com o movimento e o conformismo total parece ter destru\u00eddo a pr\u00f3pria capacidade de sentir, mesmo que seja algo t\u00e3o extremo como a tortura ou medo da morte. Hannah ARENDT &nbsp; 1. &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/05\/o-islamismo-jihadista-como-ideologia-politica-totalitaria\/\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">&#8220;O Islamismo-jihadista como ideologia pol\u00edtica totalit\u00e1ria&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6],"tags":[36,34,62,61],"class_list":["post-1296","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-imprensa","tag-ideologia","tag-islamismo-radical","tag-islao","tag-totalitarismo","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1296"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1296\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}