{"id":1470,"date":"2015-06-06T15:43:06","date_gmt":"2015-06-06T15:43:06","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=1470"},"modified":"2015-06-13T20:22:30","modified_gmt":"2015-06-13T20:22:30","slug":"a-propaganda-e-uma-coisa-dos-totalitarismos-do-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/06\/a-propaganda-e-uma-coisa-dos-totalitarismos-do-passado\/","title":{"rendered":"A propaganda \u00e9 uma coisa dos totalitarismos do passado?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Fascist-Spectacle.-The-Aesthetics-of-Power-in-Mussolini\u2019s-Italy.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1489\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Fascist-Spectacle.-The-Aesthetics-of-Power-in-Mussolini\u2019s-Italy-683x1024.jpg\" alt=\"Fascist Spectacle. The Aesthetics of Power in Mussolini\u2019s Italy\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Fascist-Spectacle.-The-Aesthetics-of-Power-in-Mussolini\u2019s-Italy-683x1024.jpg 683w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Fascist-Spectacle.-The-Aesthetics-of-Power-in-Mussolini\u2019s-Italy-200x300.jpg 200w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Fascist-Spectacle.-The-Aesthetics-of-Power-in-Mussolini\u2019s-Italy-768x1152.jpg 768w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Fascist-Spectacle.-The-Aesthetics-of-Power-in-Mussolini\u2019s-Italy-370x555.jpg 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Fascist-Spectacle.-The-Aesthetics-of-Power-in-Mussolini\u2019s-Italy-570x855.jpg 570w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Fascist-Spectacle.-The-Aesthetics-of-Power-in-Mussolini\u2019s-Italy-770x1155.jpg 770w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Fascist-Spectacle.-The-Aesthetics-of-Power-in-Mussolini\u2019s-Italy-387x580.jpg 387w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Fascist-Spectacle.-The-Aesthetics-of-Power-in-Mussolini\u2019s-Italy.jpg 907w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Quando pensamos em propaganda pensamos, quase automaticamente, no seu uso por regimes totalit\u00e1rios. N\u00e3o \u00e9 surpreendente, pois essa foi a experi\u00eancia hist\u00f3ria bem traum\u00e1tica, europeia e ocidental, dos anos vinte aos anos quarenta do s\u00e9culo XX. \u00c0 mente vem-nos o seu uso por Mussolini durante o fascismo italiano, de Hitler na Alemanha nazi e tamb\u00e9m a vers\u00e3o estalinista-sovi\u00e9tica, a qual perdurou ainda ap\u00f3s o final da II Guerra Mundial. Na altura, os novos media de massas, a r\u00e1dio, o cinema e a emergente televis\u00e3o foram habilmente utilizados e manipulados para mobilizar a popula\u00e7\u00e3o e endoutrin\u00e1-la numa certa vis\u00e3o ideol\u00f3gica totalit\u00e1ria. No caso do fascismo, a encena\u00e7\u00e3o propagand\u00edstica de um \u201cespect\u00e1culo para massas\u201d, est\u00e1 bem analisada e documentada no livro de Simonetta Falasca-Zamponi \u201cFascist Spectacle. The Aesthetics of Power in Mussolini\u2019s Italy\u201c.<\/p>\n<p>2. Hoje, agora num quadro de sociedades democr\u00e1ticas e plurais, os mecanismos de propaganda tendem a ser mais subtis, mas n\u00e3o deixam, por isso, de ser eficazes. H\u00e1, desde logo, o fen\u00f3meno da(s) diversas \u201cnovil\u00edngua(s)\u201d que procuram desarmar intelectualmente o cidad\u00e3o. Assistimos, no entanto, a uma perda de monop\u00f3lio do Estado no uso da propaganda e \u00e0 sua utiliza\u00e7\u00e3o por diversos atores, pol\u00edticos e econ\u00f3micos ou sociais, sob m\u00faltiplas formas e outros nomes. Por exemplo, quando algu\u00e9m procura um jornal, ou um livro de literatura \u2013 seja nas vers\u00f5es f\u00edsicas ou digitais \u2013 , espera, tipicamente, informar-se e\/ou \u201ccultivar-se\u201d. Mas ser\u00e1 o que l\u00ea-mos razoavelmente \u201cobjetivo\u201d e neutro do ponto de vista ideol\u00f3gico? Para al\u00e9m dos jornais e revistas assumidamente comprometidos com uma linha ideol\u00f3gica, ser\u00e3o os media e a literatura imunes \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de causas, agendas pol\u00edticas, econ\u00f3micas ou sociais e a vis\u00f5es do mundo simp\u00e1ticas para quem escreve (ou para os donos dos media\u2026)? Obviamente que n\u00e3o s\u00e3o, at\u00e9 porque, mesmo tendo a objetividade por ideal (o que em muitos casos nem sequer acontece), h\u00e1 sempre uma inevit\u00e1vel intermedia\u00e7\u00e3o humana entre os acontecimentos e o relato destes. Uma discuss\u00e3o interessante do uso da Literatura para propaganda est\u00e1 no recente artigo da revista \u201cThe Atlantic\u201d (17\/06\/2014) \u201cIs Literature \u2018the Most Important Weapon of Propaganda\u2019?\u201d<\/p>\n<p>3. \u00a0Para ajudar a reflectir sobre estas quest\u00f5es, um dos livros mais curiosos feito sobre a propaganda \u00e9 da autoria de Jacques Ellul e intitula-se precisamente \u201cPropaganda\u201d (est\u00e1 facilmente acess\u00edvel na trad. ingl. publicada pela Vintage Books). Originalmente publicado em l\u00edngua francesa nos anos 60, em pleno conflito ideol\u00f3gico da Guerra Fria, encontra-se, nalguns aspectos, naturalmente datado. Todavia, cont\u00e9m tamb\u00e9m reflex\u00f5es sagazes, que permanecem \u00fateis para os tempos atuais. Uma das reflex\u00f5es que se podem encontrar no livro d\u00e1 que pensar. Como faz notar Ellul, ao contr\u00e1rio do que se poderia supor \u00e0 primeira vista, um dos paradoxos da moderna e (sofisticada) propaganda \u00e9 que s\u00e3o os indiv\u00edduos mais instru\u00eddos e cultos tendencialmente os mais suscept\u00edveis de serem por esta afectados. A raz\u00e3o \u00e9 simples: s\u00e3o os que consomem maior volume de \u201cinforma\u00e7\u00e3o\u201d muita da qual \u00e9 imposs\u00edvel de confirmar, por falta de tempo ou de meios. Com a atual \u201cprolifera\u00e7\u00e3o\u201d de informa\u00e7\u00e3o na Internet e redes sociais o problema ganhou hoje uma renovada atualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, 20\/06\/2014<\/p>\n<p>\u00a9 Imagem: Livro \u201cFascist Spectacle. The Aesthetics of Power in Mussolini\u2019s Italy\u201d de Simonetta Falasca-Zamponi (University of California Press, 2000)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; 1. 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