{"id":1648,"date":"2015-06-05T17:04:15","date_gmt":"2015-06-05T17:04:15","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=1648"},"modified":"2015-06-13T20:29:48","modified_gmt":"2015-06-13T20:29:48","slug":"a-estrategia-do-hezbollah","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/05\/a-estrategia-do-hezbollah\/","title":{"rendered":"A estrat\u00e9gia do Hezbollah"},"content":{"rendered":"<div class=\"page\" title=\"Page 1\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1649\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah-1024x682.jpg\" alt=\"Hezbollah\" width=\"1024\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah-300x200.jpg 300w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah-768x512.jpg 768w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah-370x247.jpg 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah-270x180.jpg 270w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah-570x380.jpg 570w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah-770x513.jpg 770w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah-1170x780.jpg 1170w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah-870x580.jpg 870w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Hezbollah.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>No complexo contexto da pol\u00edtica libanesa, o Hezbollah \u00e9 um protagonista importante n\u00e3o s\u00f3 pelo assumido apoio externo do Ir\u00e3o \u2013 e, em menor grau, da S\u00edria \u2013, como pelo facto de a popula\u00e7\u00e3o xiita (a base natural de propaga\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica), registar um importante crescimento demogr\u00e1fico. \u00a0Constitui j\u00e1 a fac\u00e7\u00e3o religiosa mais importante do pa\u00eds, superando os crist\u00e3os maronitas e os mu\u00e7ulmanos sunitas, que s\u00e3o os tradicionais pilares do Estado liban\u00eas [&#8230;]<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 1\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>1. Os recentes acontecimentos internacionais mostram bem como o islamismo, enquanto ideologia pol\u00edtica, continua a ter um significativo potencial de expans\u00e3o a n\u00edvel internacional, n\u00e3o s\u00f3 dentro dos pa\u00edses isl\u00e2micos como nas pr\u00f3prias sociedades ocidentais. De uma forma simplificada, podem-se sintetizar em cinco as principais caracter\u00edsticas desta ideologia. Uma primeira caracter\u00edstica \u00e9 a recusa de separa\u00e7\u00e3o entre o Isl\u00e3o como religi\u00e3o e o Isl\u00e3o como pol\u00edtica. Uma segunda \u00e9 que os actores n\u00e3o s\u00e3o necessariamente os partidos pol\u00edticos, tal como os conhecemos habitualmente, mas grupos e movimentos, formais ou informais, aparentemente apenas com miss\u00f5es religiosas e\/ou sociais, mas que, na pr\u00e1tica, prosseguem objectivos pol\u00edticos. A terceira \u00e9 a forma sui generis de fazer pol\u00edtica, em rota de colis\u00e3o com ideia de \u00abpol\u00edtica\u00bb do mundo ocidental, a qual pode ser designada como \u00abteopol\u00edtica\u00bb, devido \u00e0 intrincada e deliberada mistura entre o religioso e o pol\u00edtico que lhe est\u00e1 subjacente. A quarta \u00e9 que o horizonte ideal \u00e9 o Estado isl\u00e2mico regido pela X\u00e1ria (Sharia), o que, na linguagem pol\u00edtica ocidental corresponde \u00e0 ideia de teocracia e a uma esp\u00e9cie de \u00abfascismo arcaico\u00bb, na qualifica\u00e7\u00e3o de Maxime Rodinson. Uma quinta caracter\u00edstica \u00e9 o uso\/apropria\u00e7\u00e3o dos textos religiosos do Isl\u00e3o \u2013 o Cor\u00e3o e a Suna \u2013 como \u00abmanifesto pol\u00edtico\u00bb. Um exemplo desta apropria\u00e7\u00e3o encontra-se na Carta do movimento palestiniano HAMAS (1988), onde o artigo 8\u00ba estabelece que \u00abAl\u00e1 \u00e9 o objectivo, o Profeta o seu modelo e o Cor\u00e3o a sua constitui\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>2. O Hezbollah, o partido liban\u00eas liderado pelo Xeique Sayyid Hassan Nasrallah, insere-se nesta filia\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e aproxima-se das caracter\u00edsticas de outros movimentos islamistas com os quais tem rela\u00e7\u00f5es (\u00e9 o caso do HAMAS). Todavia, existem especificidades relevantes que resultam do ambiente regional onde se encontra inserido e do facto de estar ligado ao Isl\u00e3o xiita. Tendo adoptado uma designa\u00e7\u00e3o que significa literalmente \u00abPartido de Deus\u00bb a partir dum vers\u00edculo do Cor\u00e3o (surata \u00abA Mesa Servida\u00bb, 5: 56): \u00abOs que tomam por amigos Al\u00e1, o Seu Enviado e os que cr\u00eaem, s\u00e3o membros do partido de Al\u00e1: esses s\u00e3o os vencedores\u00bb, este \u00abteopartido\u00bb surgiu no L\u00edbano, em 1982, em plena guerra civil, como um produto de exporta\u00e7\u00e3o do xiismo iraniano e do ide\u00e1rio islamista radical do Ayatollah Khomeini. Em termos de manifesto ideol\u00f3gico \u2013 parcialmente revelado na \u00abCarta Aberta\u00bb, publicada a 16 de Fevereiro de 1985, no al-Safir de Beirute \u2013, a teoria do wilayat al-faqih \u00e9 a sua pe\u00e7a central. Esta teoria, constru\u00edda a partir da interpreta\u00e7\u00e3o feita por Khomeini dum vers\u00edculo cor\u00e2nico (surata \u00abA Mesa Servida\u00bb, 5: 44), sustenta a supremacia governativa dos cl\u00e9rigos uma vez que estes, alegadamente, disp\u00f5em de \u00abconhecimento sagrado para adivinhar o significado oculto do Cor\u00e3o\u00bb, conhecimento esse que lhes permite tamb\u00e9m \u00abparticipar na revela\u00e7\u00e3o final da palavra de Deus\u00bb. Assim, o modelo de p\u00f3lis \u00e9 o Estado isl\u00e2mico sob a supervis\u00e3o do wali al-faqih, o te\u00f3logo-jurista que desempenha o cargo de \u00abguia supremo\u00bb \u2013 actualmente o Ayatollah Ali Khamenei.<\/p>\n<p>3. No complexo contexto da pol\u00edtica libanesa, o Hezbollah \u00e9 um protagonista importante n\u00e3o s\u00f3 pelo assumido apoio externo do Ir\u00e3o \u00a0\u2013 e, em menor grau, da S\u00edria \u2013, como pelo facto de a popula\u00e7\u00e3o xiita (a base natural de propaga\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica), registar um importante crescimento demogr\u00e1fico, Constitui j\u00e1 a fac\u00e7\u00e3o religiosa mais importante do pa\u00eds, superando os crist\u00e3os maronitas e os mu\u00e7ulmanos sunitas, que s\u00e3o os tradicionais pilares do Estado liban\u00eas, desde a sua independ\u00eancia, em 1943. Importa notar que ap\u00f3s os Acordos de Taif que puserem fim \u00e0\u00a0sangrenta guerra civil no ano de 1989 e a posterior retirada do ex\u00e9rcito de Israel em 2000, o Hezbollah imp\u00f4s-se ao pr\u00f3prio Estado, ao qual, em teoria, est\u00e1 subordinado. No terreno, a realidade \u00e9 outra e n\u00e3o obedece \u00e0 l\u00f3gica de Estado soberano, pois o Partido de Deus tem as suas pr\u00f3prias for\u00e7as de seguran\u00e7a, os seus tribunais (que aplicam a X\u00e1ria&#8230;), os seus servi\u00e7os sociais e educativos, a sua televis\u00e3o por sat\u00e9lite, as suas esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio e jornais&#8230; Para atingir os seus objectivos apostou, inteligentemente, em duas vias estrat\u00e9gicas. Uma primeira passa pelo uso da for\u00e7a e foi privilegiada at\u00e9 aos anos 90, mantendo-se, entretanto, em stand- by (ressurgiu no recente conflito com Israel). Para a manter aberta, conservou a sua pr\u00f3pria for\u00e7a militar ap\u00f3s os Acordos de Taif e uma capacidade b\u00e9lica superior ao ex\u00e9rcito liban\u00eas. A outra via \u00e9 gradualista e consiste na participa\u00e7\u00e3o no jogo eleitoral, bem como na actividade de governa\u00e7\u00e3o, esperando convencer a opini\u00e3o p\u00fablica, interna e internacional, das suas virtudes \u00abdemocr\u00e1ticas\u00bb e sociais, afastando o r\u00f3tulo inc\u00f3modo de organiza\u00e7\u00e3o \u00abterrorista\u00bb. Todavia, o objectivo \u00faltimo \u2013 o Estado isl\u00e2mico \u2013, mant\u00e9m-se inalterado: se esse \u00e9 atingido pela propaganda, pela for\u00e7a pujante da demografia xiita e pelo voto maiorit\u00e1rio, ou pela for\u00e7a das armas, isso n\u00e3o \u00e9 o mais importante na sua realpolitik.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 1\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, artigo originalmente publicado no Expresso n\u00ba 1765 (26 Agosto 2006), pag. 18. Ultima revis\u00e3o 11\/06\/2015<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/dom\u00ednio-p\u00fablico.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1197\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/dom\u00ednio-p\u00fablico.png\" alt=\"dom\u00ednio p\u00fablico\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>\u00a0Imagem: bandeira do Hezbollah (dom\u00ednio p\u00fablico \/ Wikipedia)<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; No complexo contexto da pol\u00edtica libanesa, o Hezbollah \u00e9 um protagonista importante n\u00e3o s\u00f3 pelo assumido apoio externo do Ir\u00e3o \u2013 e, em menor grau, da S\u00edria \u2013, como pelo facto de a popula\u00e7\u00e3o xiita (a base natural de propaga\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica), registar um importante crescimento demogr\u00e1fico. \u00a0Constitui j\u00e1 a fac\u00e7\u00e3o religiosa mais importante do &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/05\/a-estrategia-do-hezbollah\/\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">&#8220;A estrat\u00e9gia do Hezbollah&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6],"tags":[34,81],"class_list":["post-1648","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-imprensa","tag-islamismo-radical","tag-libano","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1648","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1648"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1648\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}