{"id":1946,"date":"2015-06-06T15:00:20","date_gmt":"2015-06-06T15:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=1946"},"modified":"2021-05-23T11:34:11","modified_gmt":"2021-05-23T11:34:11","slug":"o-conflito-israel-hamas-questoes-incomodas-para-os-protagonistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/06\/o-conflito-israel-hamas-questoes-incomodas-para-os-protagonistas\/","title":{"rendered":"O conflito Israel-Hamas: quest\u00f5es inc\u00f3modas para os protagonistas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mapa-Isreal-Palestina.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1008\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mapa-Isreal-Palestina-1024x1008.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5700\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mapa-Isreal-Palestina-1024x1008.jpeg 1024w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mapa-Isreal-Palestina-300x295.jpeg 300w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mapa-Isreal-Palestina-768x756.jpeg 768w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mapa-Isreal-Palestina-370x364.jpeg 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mapa-Isreal-Palestina-570x561.jpeg 570w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mapa-Isreal-Palestina-770x758.jpeg 770w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mapa-Isreal-Palestina-1170x1152.jpeg 1170w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mapa-Isreal-Palestina-589x580.jpeg 589w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Mapa-Isreal-Palestina.jpeg 1265w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Mapa dos territ\u00f3rios de Israel-Palestina<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A 23 de Abril de 2014, a Fatah e o Hamas assinavam um acordo de reconcilia\u00e7\u00e3o. Este acordo parecia ter alguma consist\u00eancia, sobretudo pela situa\u00e7\u00e3o do Hamas em Gaza, fragilizado e isolado ap\u00f3s a queda do governo da Irmandade Mu\u00e7ulmana no Egipto. Por sua vez, a 8 de Junho, o Papa Francisco reuniu no Vaticano o Presidente de Israel, Shimon Peres, e o l\u00edder da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, para uma ora\u00e7\u00e3o pela paz no M\u00e9dio Oriente. Este acto, ainda que essencialmente simb\u00f3lico, trazia alguma esperan\u00e7a, at\u00e9 pelo seu car\u00e1cter in\u00e9dito. Todavia, todos estes t\u00e9nues passos de aproxima\u00e7\u00e3o se desmoronaram no \u00faltimo m\u00eas, numa cadeia tr\u00e1gica de acontecimentos que ainda n\u00e3o sabemos bem como, e quando, finalizar\u00e1. Recordam-se os factos mais relevantes:<\/p>\n\n\n\n<p>A 12 de Junho tr\u00eas jovens israelitas foram raptados na Cisjord\u00e2nia, em Hebron.<\/p>\n\n\n\n<p>A 30 de Junho\/1 de Julho, os tr\u00eas jovens foram encontrados mortos, tendo sido assassinados pelos seus raptores.<\/p>\n\n\n\n<p>A 4 de Julho extremistas judeus, em repres\u00e1lia, assassinam um jovem palestiniano, queimando-o vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores do atentado aos tr\u00eas jovens israelitas ter\u00e3o sido dois membros do cl\u00e3 Qwamesh de Hebron. \u00c9 um dos cl\u00e3s palestinianos tradicionais da regi\u00e3o, com uma hist\u00f3ria de viol\u00eancia, ligado ao Hamas. Tem atuado frequentemente de forma aut\u00f3noma da lideran\u00e7a do grupo islamista radical, situada na faixa de Gaza e fora dos territ\u00f3rios palestinianos, em pa\u00edses \u00e1rabes. Agora as quest\u00f5es inc\u00f3modas.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado palestiniano\/Hamas:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Qual o objectivo pol\u00edtico desse acto? A quest\u00e3o \u00e9 crucial pois o rapto de civis, ou soldados israelitas, para for\u00e7ar troca por palestinianos prisioneiros detidos em Israel poderia ter uma l\u00f3gica minimamente compreens\u00edvel. \u00c9 uma arma cl\u00e1ssica deste tipo de conflitos assim\u00e9tricos, usada pela parte mais fraca. Mas, nesse caso, por que raz\u00e3o foram brutalmente mortos os jovens israelitas depois do rapto e n\u00e3o mantidos vivos, para servir como moeda de troca pol\u00edtica?<\/p>\n\n\n\n<p>2. Se este rapto e assassinato n\u00e3o foi ordenado pela lideran\u00e7a do Hamas, ou esta n\u00e3o teve conhecimento pr\u00e9vio do plano, por que motivo n\u00e3o se demarcou do mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p>3. Independentemente da legalidade, moralidade, ou proporcionalidade da resposta israelita \u2013 face \u00e0 qual podemos estar em total rejei\u00e7\u00e3o, ou eventualmente sermos mais compreensivos \u2013, a reac\u00e7\u00e3o de atacar militarmente Gaza, feudo do Hamas, era largamente previs\u00edvel. Segue o padr\u00e3o habitual de repres\u00e1lias israelitas. Ser\u00e1 que os l\u00edderes do Hamas pensaram na sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o, quando n\u00e3o se demarcaram do acto? Ou ser\u00e1 que viram aqui, de forma c\u00ednica, uma oportunidade para tentar capitalizar com o sofrimento palestiniano, de forma a consolidar a sua base de apoio popular e enfraquecer a Fatah?<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado israelita:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Por que raz\u00e3o se optou fazer a repres\u00e1lia militar sobre os palestinianos (ainda que sobre a estrutura do Hamas) da Faixa de Gaza, quando o incidente que vitimou os jovens israelitas ocorre na Cisjord\u00e2nia, em Hebron, n\u00e3o sendo claro que tenha sido ordenado pela lideran\u00e7a do Hamas em Gaza ou no exterior?<\/p>\n\n\n\n<p>2. Sendo imposs\u00edvel num ataque militar evitar v\u00edtimas civis numerosas em Gaza \u2013 \u00e9 um escasso territ\u00f3rio de 360km2 densamente povoado, com cerca de 1,6 milh\u00f5es de pessoas e onde as mil\u00edcias do Hamas se misturam, deliberadamente, com a popula\u00e7\u00e3o civil \u2013, qual a raz\u00e3o por que n\u00e3o foi evitado esse custo humano (para os palestinianos que j\u00e1 vivem miseravelmente) e pol\u00edtico (para Israel, que em nada beneficia internacionalmente na sua legitimidade com as imagens de morte e sofrimento dos seus ataques militares em Gaza)?<\/p>\n\n\n\n<p>3. Para al\u00e9m dos motivos humanit\u00e1rios, n\u00e3o seria mais vantajoso procurar isolar os respons\u00e1veis destes actos violentos e actuar s\u00f3 sobre estes, explorando politicamente essa atitude, em vez de uma actua\u00e7\u00e3o militar (a qual, seja qual for a l\u00f3gica, \u00e9 sempre sentida pelos palestinianos como uma puni\u00e7\u00e3o colectiva, afastando, cada vez mais, as possibilidades de entendimento?)<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente que estas quest\u00f5es n\u00e3o t\u00eam uma resposta totalmente objectiva e inequ\u00edvoca, at\u00e9 porque h\u00e1 factos cujos contornos, ainda hoje, n\u00e3o s\u00e3o claros. A sua resposta, \u00e9, tamb\u00e9m, inevitavelmente, condicionada pela maneira como vemos o conflito israelo-palestiniano e nos identificamos, ou n\u00e3o, com os protagonistas. Todavia, obrigam-nos a reflectir sobre o que pode ter provocado o seu reacender e a quem isso pode interessar, interna e externamente. Fazem-nos suspeitar que, mais uma vez, as m\u00e1s raz\u00f5es prevaleceram na actua\u00e7\u00e3o dos actores em conflito. Sugerem ainda como, de ambos lados, embora sob formas espec\u00edficas da sociedade israelita e palestiniana, existem grupos e fac\u00e7\u00f5es radicais que parecem ter crescente capacidade de influenciar o rumo dos acontecimentos, no pior sentido. Assim, s\u00f3 podemos esperar a perpetua\u00e7\u00e3o deste conflito, que \u00e9 uma das heran\u00e7as mais tr\u00e1gicas do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, artigo publicado originalmente no P\u00fablico a 16\/07\/2014<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/dom\u00ednio-p\u00fablico.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1197\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/dom\u00ednio-p\u00fablico.png\" alt=\"dom\u00ednio p\u00fablico\" width=\"14\" height=\"14\"><\/a>&nbsp; Mapa: Wikimedia Commons \/ Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 23 de Abril de 2014, a Fatah e o Hamas assinavam um acordo de reconcilia\u00e7\u00e3o. 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