{"id":1962,"date":"2015-06-05T20:00:10","date_gmt":"2015-06-05T20:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=1962"},"modified":"2015-06-15T20:42:15","modified_gmt":"2015-06-15T20:42:15","slug":"o-al-andalus-no-imaginario-pos-moderno-de-maria-rosa-menocal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/05\/o-al-andalus-no-imaginario-pos-moderno-de-maria-rosa-menocal\/","title":{"rendered":"O Al Andalus no imagin\u00e1rio p\u00f3s-moderno de Mar\u00eda Rosa Menocal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/The-Ornament-of-the-World.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1963\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/The-Ornament-of-the-World.jpg\" alt=\"The Ornament of the World\" width=\"402\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/The-Ornament-of-the-World.jpg 402w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/The-Ornament-of-the-World-201x300.jpg 201w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/The-Ornament-of-the-World-370x552.jpg 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/The-Ornament-of-the-World-389x580.jpg 389w\" sizes=\"auto, (max-width: 402px) 100vw, 402px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. Chateaubriand e Washington Irving t\u00eam uma brilhante sucessora p\u00f3s-moderna na professora de Literatura Espanhola e Portuguesa na Universidade de Yale, Mar\u00eda Rosa Menocal. No seu livro Ornament of the World. How Muslims, Jews and Christians Created a Culture of Tolerance (Ornamento do Mundo. Como Mu\u00e7ulmanos, Judeus e Crist\u00e3os Criaram uma Cultura de Toler\u00e2ncia, editado originalmente em 2002), d\u00e1-nos uma \u201cli\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria\u201d sobre a convivencia, lado a lado, das tr\u00eas culturas (mu\u00e7ulmanos, crist\u00e3os e judeus) no Al-Andalus e as realiza\u00e7\u00f5es culturais dos \u00e1rabes-berberes da Pen\u00ednsula. J\u00e1 tinha essa impress\u00e3o do livro de Juan Vernet, Lo que Europa debe al Islam de Espa\u00f1a (1999), mas agora, com Mar\u00eda Rosa Menocal, fiquei convencido! Nem o Renascimento teve origem nas cidades do Norte de It\u00e1lia, nem a revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica teve as suas bases no Ocidente do s\u00e9culo XVII, nem o Iluminismo foi inventado pelos arrogantes fil\u00f3sofos franceses no s\u00e9culo XVIII, nem o di\u00e1logo inter-religioso das tr\u00eas religi\u00f5es abra\u00e2micas foi criado pelo Conc\u00edlio Vaticano II, nem sequer o multiculturalismo e as pol\u00edticas de identidade p\u00f3s-modernas, derivadas do pensamento de Foucault, Derrida e outros, afinal t\u00eam nada de original. J\u00e1 tudo isto existia, de alguma maneira, no Al-Andalus. Quando aos nativos da pen\u00ednsula, os crist\u00e3os hispano-visig\u00f3ticos e outros ind\u00edgenas, eram sem d\u00favida uns r\u00fasticos agressivos e pobres de esp\u00edrito, que s\u00f3 podiam ter ficado gratos \u00e0 mission civilisatrice e ao \u201cIluminismo\u201d dos conquistadores \u00e1rabes-berberes. Aqueles que sustentaram que \u201ctodas as culturas s\u00e3o boas\u201d, como os antrop\u00f3logos culturais Frank Boas, Margareth Mead e Claude L\u00e9vy-Strauss andaram a fazer ao longo de d\u00e9cadas, est\u00e3o errados. A investiga\u00e7\u00e3o \u201cest\u00f3rica\u201d de Mar\u00eda Rosa Menocal mostra convincentemente como h\u00e1 culturas superiores (a \u00e1rabe-mu\u00e7ulmana) e outras inferiores (a crist\u00e3-latina).<\/p>\n<p>2. \u00a0\u201cEstranhamente\u201d, h\u00e1 ainda escritores e professores de Literatura que n\u00e3o aceitam esta narrativa \u201ccient\u00edfica\u201d e escrevem coisas contra a corrente como esta: \u201cA exist\u00eancia de um reino mu\u00e7ulmano na Espanha medieval onde diferentes ra\u00e7as e religi\u00f5es viviam harmoniosamente em toler\u00e2ncia multicultural, \u00e9 um dos mitos hoje mais espalhados. Os professores ensinam-no nas universidades. Os jornalistas repetem-no. Os turistas que visitam o Alhambra aceitam-no [\u2026] O problema com esta cren\u00e7a \u00e9 que \u00e9 historicamente infundada, um mito. As realiza\u00e7\u00f5es culturais fascinantes da Espanha mu\u00e7ulmana n\u00e3o podem obscurecer o facto de que esta nunca foi um exemplo de convivencia pac\u00edfica.\u201d (p. 23). Assim come\u00e7a de forma irritante, contra a corrente, o artigo de Dar\u00edo Fernand\u00e9z-Morera, professor de Espanhol e Portugu\u00eas e de Literatura Comparada da Northwest University dos EUA, publicado em finais de 2006 na Intercollegiate Review o artigo The Myth of the Andalusian Paradise (O Mito do Para\u00edso Andalusiano). Adivinha-se que n\u00e3o far\u00e1 parte da bibliografia utilizada pela grande maioria dos escritores, poetas e comentadores pol\u00edticos. A sua leitura \u00e9 tamb\u00e9m (des)aconselhada para todos que pretendem (re)construir o passado \u00e0 luz da ideologia multicultural do presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, 1\/02\/2008. \u00daltima revis\u00e3o 18\/06\/2014<\/p>\n<p>\u00a9 Imagem: capa do Livro \u201cThe Ornament of the World: How Muslims, Jews, and Christians Created a Culture of Tolerance in Medieval Spain\u201d, de Maria Rosa Menocal (Back Bay Books, 2003)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; 1. Chateaubriand e Washington Irving t\u00eam uma brilhante sucessora p\u00f3s-moderna na professora de Literatura Espanhola e Portuguesa na Universidade de Yale, Mar\u00eda Rosa Menocal. No seu livro Ornament of the World. How Muslims, Jews and Christians Created a Culture of Tolerance (Ornamento do Mundo. 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