{"id":2114,"date":"2015-06-05T16:00:31","date_gmt":"2015-06-05T16:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=2114"},"modified":"2015-06-20T16:12:24","modified_gmt":"2015-06-20T16:12:24","slug":"a-tragedia-das-populacoes-cristas-da-nigeria-e-a-indiferenca-ocidental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/05\/a-tragedia-das-populacoes-cristas-da-nigeria-e-a-indiferenca-ocidental\/","title":{"rendered":"A trag\u00e9dia das popula\u00e7\u00f5es crist\u00e3s da Nig\u00e9ria e a indiferen\u00e7a ocidental"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Charlie-Hebdo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2115\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Charlie-Hebdo.jpg\" alt=\"Charlie Hebdo\" width=\"408\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Charlie-Hebdo.jpg 408w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Charlie-Hebdo-204x300.jpg 204w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Charlie-Hebdo-370x544.jpg 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Charlie-Hebdo-394x580.jpg 394w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p>Toda esta imensa trag\u00e9dia humana, de que s\u00e3o v\u00edtimas sobretudo as popula\u00e7\u00f5es crist\u00e3s da Nig\u00e9ria, ocorre com uma quase indiferen\u00e7a ocidental. Basta comparar a rea\u00e7\u00e3o a estas atrocidades com a rea\u00e7\u00e3o aos atentados terroristas ao \u201cCharlie Hebdo\u201d em Fran\u00e7a.<\/p><\/blockquote>\n<p>1. A Nig\u00e9ria \u00e9 hoje o Estado do mundo onde popula\u00e7\u00f5es crist\u00e3s est\u00e3o a ser mais perseguidas por interpreta\u00e7\u00f5es extremistas do Isl\u00e3o e v\u00edtimas de atos de terror perpetrados por grupos Islamistas-jihadistas. Esta antiga col\u00f3nia brit\u00e2nica na \u00c1frica ocidental, \u00e9 hoje um Estado federal, sendo o pa\u00eds mais populoso do continente africano, com uma popula\u00e7\u00e3o que ultrapassar\u00e1 os 175 milh\u00f5es de habitantes. A dimens\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da Nig\u00e9ria (sobretudo composta por igrejas protestantes), ser\u00e1 na ordem dos 80 milh\u00f5es, o que lhe d\u00e1 uma dimens\u00e3o similar \u00e0 da popula\u00e7\u00e3o total da Alemanha. Todavia, se recuarmos a meados do s\u00e9culo XX o Isl\u00e3o predominava. Segundo dados do Pew Research Center&#8217;s F\u00f3rum, em 1953 a reparti\u00e7\u00e3o religiosa seria esta: crist\u00e3os 21,4%, mu\u00e7ulmanos 45,3% e outras religi\u00f5es animistas 33,3%. Devido \u00e0 sensibilidade pol\u00edtica do assunto, os censos e estat\u00edsticas oficiais n\u00e3o incorporam informa\u00e7\u00e3o sobre este assunto desde 1963. Os dados atualmente existentes baseiam-se em estimativas.<br \/>\n2. H\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada atr\u00e1s surgiu na Nig\u00e9ria o grupo islamista-jihadista das &#8220;Pessoas Comprometidas com a Propaga\u00e7\u00e3o dos Ensinamentos do Profeta e a Jihad&#8221;. O grupo \u00e9 vulgarmente conhecido como &#8220;Boko Haram&#8221;, conjugando as palavras &#8220;Haram&#8221; (proibido em l\u00edngua \u00e1rabe) e Boko (termo que, num dialecto local, significa falso), mas que acabou tamb\u00e9m por ser associado a &#8220;educa\u00e7\u00e3o ocidental\u201d. O seu guia de conduta parece ser a ideia, extra\u00edda do Alcor\u00e3o e levada ao extremo de que &#8220;quem n\u00e3o for governado segundo os preceitos de Al\u00e1 est\u00e1 entre os transgressores&#8221;. Por exemplo, votar em partidos pol\u00edticos, vestir cal\u00e7as e camisa e, acima de tudo, receber uma educa\u00e7\u00e3o \u00e0 ocidental s\u00e3o vistos como &#8220;transgress\u00f5es\u201d e merecedoras de uma forte puni\u00e7\u00e3o, especialmente grave no caso da &#8220;corrupta&#8221; educa\u00e7\u00e3o \u00e0 ocidental. A sua reivindica\u00e7\u00e3o \u00faltima \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o da lei isl\u00e2mica &#8211; a sharia &#8211; e a cria\u00e7\u00e3o de um Estado-sharia. Note-se que a sharia j\u00e1 \u00e9 uma realidade em nove Estados federados e, em partes espec\u00edficas de zonas com maiorias mu\u00e7ulmanas, de mais tr\u00eas outros. Nalguns Estados \u00e9 restrita a mat\u00e9rias de direito da fam\u00edlia, mas noutros a sua implementa\u00e7\u00e3o \u00e9 generalizada, incluindo as san\u00e7\u00f5es penais.<br \/>\n3. No nordeste do pa\u00eds, em zonas pr\u00f3ximas do Chade e dos Camar\u00f5es, as a\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e de terror do Boko Haram t\u00eam sido m\u00faltiplas. A \u00faltima destas ocorreu nos primeiros dias de Janeiro de 2015, em Baga, no Estado de Borno (juntamente com os Estados de Yobe e Adamawa, \u00e9 onde a\u00e7\u00e3o deste grupo islamista-jihadista mais se faz sentir). Poder\u00e1 ter provocado mais de duas mil v\u00edtimas, segundo dados da Amnistia Internacional. Anteriormente, em abril de 2014, o grupo j\u00e1 tinha ganho notoriedade internacional por outro acto infame e b\u00e1rbaro: o rapto de mais de duas centenas de meninas crist\u00e3s de uma escola p\u00fablica da cidade de Chibok, no mesmo Estado de Borno, para serem vendidas como escravas ou casadas \u00e0 for\u00e7a, segundo a l\u00f3gica de que as mulheres capturadas em conflito fazem parte do &#8220;esp\u00f3lio de guerra\u201d. Toda esta imensa trag\u00e9dia humana, de que s\u00e3o v\u00edtimas sobretudo as popula\u00e7\u00f5es crist\u00e3s da Nig\u00e9ria, ocorre com uma quase indiferen\u00e7a ocidental. Basta comparar a rea\u00e7\u00e3o a estas atrocidades com a rea\u00e7\u00e3o aos atentados terroristas ao \u201cCharlie Hebdo\u201d em Fran\u00e7a. Infelizmente, neste in\u00edcio de s\u00e9culo XXI, h\u00e1 muitas partes do mundo onde a vida humana pouco ou nada vale. Nessas partes do mundo, ser crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de fazer parte de uma maioria religiosa e\/ou sociol\u00f3gica confortavelmente instalada, como na Europa, mas de uma minoria, de maior ou menor dimens\u00e3o, objeto frequente de discrimina\u00e7\u00e3o e de persegui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, 1\/02\/2015<\/p>\n<p>\u00a9 Imagem: cartoon do Charlie Hebdo, n\u00ba 1118, 14\/1\/2015, p. 10<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda esta imensa trag\u00e9dia humana, de que s\u00e3o v\u00edtimas sobretudo as popula\u00e7\u00f5es crist\u00e3s da Nig\u00e9ria, ocorre com uma quase indiferen\u00e7a ocidental. Basta comparar a rea\u00e7\u00e3o a estas atrocidades com a rea\u00e7\u00e3o aos atentados terroristas ao \u201cCharlie Hebdo\u201d em Fran\u00e7a. 1. A Nig\u00e9ria \u00e9 hoje o Estado do mundo onde popula\u00e7\u00f5es crist\u00e3s est\u00e3o a ser mais &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/05\/a-tragedia-das-populacoes-cristas-da-nigeria-e-a-indiferenca-ocidental\/\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">&#8220;A trag\u00e9dia das popula\u00e7\u00f5es crist\u00e3s da Nig\u00e9ria e a indiferen\u00e7a ocidental&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[34,89],"class_list":["post-2114","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comentario","tag-islamismo-radical","tag-nigeria","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2114"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2114\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}