{"id":2119,"date":"2015-06-06T16:15:04","date_gmt":"2015-06-06T16:15:04","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=2119"},"modified":"2015-06-21T08:08:59","modified_gmt":"2015-06-21T08:08:59","slug":"a-grecia-e-a-uniao-europeia-uma-relacao-tumultuosa-desde-a-adesao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/06\/a-grecia-e-a-uniao-europeia-uma-relacao-tumultuosa-desde-a-adesao\/","title":{"rendered":"A Gr\u00e9cia e a Uni\u00e3o Europeia: uma rela\u00e7\u00e3o tumultuosa desde a ades\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Ades\u00e3o-da-Gr\u00e9cia-\u00e0s-Comunidades-Europeias.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-2122\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Ades\u00e3o-da-Gr\u00e9cia-\u00e0s-Comunidades-Europeias-1024x717.jpg\" alt=\"Ades\u00e3o da Gr\u00e9cia \u00e0s Comunidades Europeias\" width=\"1024\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Ades\u00e3o-da-Gr\u00e9cia-\u00e0s-Comunidades-Europeias-1024x717.jpg 1024w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Ades\u00e3o-da-Gr\u00e9cia-\u00e0s-Comunidades-Europeias-300x210.jpg 300w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Ades\u00e3o-da-Gr\u00e9cia-\u00e0s-Comunidades-Europeias-768x538.jpg 768w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Ades\u00e3o-da-Gr\u00e9cia-\u00e0s-Comunidades-Europeias-370x259.jpg 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Ades\u00e3o-da-Gr\u00e9cia-\u00e0s-Comunidades-Europeias-570x399.jpg 570w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Ades\u00e3o-da-Gr\u00e9cia-\u00e0s-Comunidades-Europeias-770x539.jpg 770w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Ades\u00e3o-da-Gr\u00e9cia-\u00e0s-Comunidades-Europeias-828x580.jpg 828w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Ades\u00e3o-da-Gr\u00e9cia-\u00e0s-Comunidades-Europeias.jpg 1171w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p>A quest\u00e3o em aberto \u00e9 a de saber se a evolu\u00e7\u00e3o futura da Gr\u00e9cia se vai aproximar do padr\u00e3o pol\u00edtico dos anos 1980 [&#8230;]\u00a0 Ou ent\u00e3o o Syriza, porque n\u00e3o \u00e9 o PASOK \u2013 embora muitos dos eleitores sejam os mesmos \u2013 e tamb\u00e9m a Uni\u00e3o Europeia \u2013 porque n\u00e3o \u00e9 a mesma dos anos 1980, onde imperava a coes\u00e3o ditada pela Guerra Fria \u2013, v\u00e3o levar a rela\u00e7\u00e3o conturbada para uma perigosa terra inc\u00f3gnita.<\/p><\/blockquote>\n<p>1. A atual turbul\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es entre a Gr\u00e9cia e a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o \u00e9 um acontecimento t\u00e3o singular como se poderia imaginar. Um olhar retrospetivo sobre a sua pol\u00edtica externa mostra v\u00e1rios epis\u00f3dios de desalinhamento face \u00e0 maioria dos Estados-membros da Uni\u00e3o Europeia. As raz\u00f5es est\u00e3o, sobretudo, na especificidade da sua identidade, forma\u00e7\u00e3o territorial e \u00e1rea geopol\u00edtica.\u00a0Para o europeu m\u00e9dio a Gr\u00e9cia \u00e9 um Estado europeu e ocidental, sem grandes margens para hesita\u00e7\u00f5es nesta qualifica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil compreender tal percep\u00e7\u00e3o. O estudo da Antiguidade Cl\u00e1ssica grega \u00e9, tradicionalmente, uma componente formativa basilar dos sistemas de ensino europeus e ocidentais. A heran\u00e7a da Gr\u00e9cia Cl\u00e1ssica nos dom\u00ednio das artes e da est\u00e9tica (arquitetura, escultura, literatura, teatro etc.), da reflex\u00e3o filos\u00f3fica (S\u00f3crates, Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles, etc.), da mitologia (Zeus, Neptuno, Afrodite, etc.), das realiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas (democracia de Atenas, autocracia de Esparta) e at\u00e9 dos conflitos militares (rivalidade entre Atenas e Esparta e guerras dos gregos com os persas, o \u201cinimigo asi\u00e1tico\u201d do mundo hel\u00e9nico), faz parte da forma\u00e7\u00e3o do europeu medianamente culto, sendo incorporada na sua pr\u00f3pria cultura nacional. No entanto, h\u00e1 um enorme hiato entre o passado e o presente, entre a Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica e a Gr\u00e9cia moderna, o qual dificulta a compreens\u00e3o das especificidades da pol\u00edtica interna e externa grega atuais. Se Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica \u00e9 profundamente admirada e conhecida, j\u00e1 o mesmo n\u00e3o se pode dizer da Gr\u00e9cia moderna. O conhecimento e admira\u00e7\u00e3o do passado deram lugar aos estere\u00f3tipos negativos do presente, como denotam, por exemplo, as recentes declara\u00e7\u00f5es dos principais dirigentes pol\u00edticos portugueses.<\/p>\n<p>2. N\u00e3o \u00e9 preciso recuar demasiado no tempo para se encontrarem diverg\u00eancias pol\u00edticas importantes entre a Gr\u00e9cia e a maioria dos Estados da Uni\u00e3o Europeia (e da NATO). As guerras que levaram \u00e0 implos\u00e3o da Jugosl\u00e1via nos anos 1990 mostraram bem as diferentes leituras desse conflito. Na percep\u00e7\u00e3o dominante a ocidente, os s\u00e9rvios eram os principais agressores enquanto os mu\u00e7ulmanos b\u00f3snios e os croatas eram as principais v\u00edtimas da agress\u00e3o perpetrada pelos s\u00e9rvios. Quanto \u00e0 Gr\u00e9cia, a percep\u00e7\u00e3o dominante foi inversa. Para al\u00e9m da simpatia popular pelos s\u00e9rvios \u2013 explic\u00e1vel, sobretudo, por raz\u00f5es hist\u00f3ricas e geopol\u00edticas \u2013, o governo grego recusou-se a condenar a S\u00e9rvia e o regime de Slodoban Milosevic, bem como a participar na ajuda militar a croatas, a b\u00f3snios e albaneses-kosovares. Na altura, esta dissens\u00e3o levou o polit\u00f3logo norte-americano Samuel P. Huntington \u2013 o autor do controverso e provocat\u00f3rio livro sobre o \u201cchoque das civiliza\u00e7\u00f5es\u201d \u2013, a qualificar a Gr\u00e9cia como \u201cum estranho ortodoxo nas organiza\u00e7\u00f5es ocidentais\u201d. Ainda segundo Huntington, o comportamento da Gr\u00e9cia na Presid\u00eancia do Conselho da Uni\u00e3o Europeia, em 1994, \u201cirritou os outros membros e funcion\u00e1rios ocidentais, que, privadamente, rotularam de erro a ades\u00e3o grega\u201d (trad. port., Gradiva, 1996, p. 190). No caso do Kosovo, a Gr\u00e9cia \u2013 juntamente com Chipre, a Rom\u00e9nia, a Eslov\u00e1quia e a Espanha \u2013, mant\u00e9m-se como um dos cinco Estados-membros da Uni\u00e3o Europeia que n\u00e3o reconhece esse ex-territ\u00f3rio s\u00e9rvio como Estado soberano. Outro desalinhamento, ainda em aberto, surgiu ligado \u00e0 quest\u00e3o da Maced\u00f3nia. Em 1991, quando a Rep\u00fablica Socialista da Maced\u00f3nia abandonou a Jugosl\u00e1via federal, a generalidade dos europeus e ocidentais ficou surpreendida pela tenacidade da oposi\u00e7\u00e3o grega ao reconhecimento do novo Estado como \u201cRep\u00fablica da Maced\u00f3nia\u201d. Aquilo que visto sob o olhar exterior parece uma querela menor, na Gr\u00e9cia atingiu enormes propor\u00e7\u00f5es. Importa recordar que deu origem \u00e0s maiores manifesta\u00e7\u00f5es de massas da atual democracia grega implantada ap\u00f3s o colapso da junta militar (ditadura dos coron\u00e9is, 1967-1974). Como se explica o nacionalismo exacerbado dos gregos? Vistas do exterior, as raz\u00f5es parecem long\u00ednquas e estranhas. Todavia, em regi\u00f5es do mundo como os Balc\u00e3s, a Hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 um mero conhecimento relegado para o foro da academia. \u00c9 tamb\u00e9m uma arma pol\u00edtica que sustenta discursos de teor nacionalista bem vivos. Importa ter em mente que os factos pol\u00edticos s\u00e3o objecto de interpreta\u00e7\u00f5es d\u00edspares dado serem vistos \u00e0 luz de diferentes experi\u00eancias colectivas. A perten\u00e7a a uma determinada comunidade e\/ou cultura \u00e9 determinante nessa percep\u00e7\u00e3o. Assim, a designa\u00e7\u00e3o \u201cRep\u00fablica da Maced\u00f3nia\u201d foi vista n\u00e3o s\u00f3 como uma tentativa de usurpa\u00e7\u00e3o de um legado cultural hel\u00e9nico, mas tamb\u00e9m como um primeiro passo para poss\u00edveis reivindica\u00e7\u00f5es territoriais sobre a Maced\u00f3nia grega. Na mem\u00f3ria est\u00e3o epis\u00f3dios da conturbada geopol\u00edtica dos Balc\u00e3s, especialmente as guerras de 1912-1913 pela posse dos territ\u00f3rios ex-otomanos, no qual se inclu\u00eda a Maced\u00f3nia. Essa disputa territorial teve sequelas na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais.<\/p>\n<p>3. Se nos lembramos dos prim\u00f3rdios da ades\u00e3o da Gr\u00e9cia \u00e0 Uni\u00e3o Europeia em 1981 (na altura Comunidades Europeias), encontramos a\u00ed um outro per\u00edodo de diverg\u00eancia pol\u00edtica face aos seus parceiros europeus e ocidentais e de divis\u00f5es profundas na sociedade grega. A d\u00e9cada de 1980 foi marcado internamente pela ascens\u00e3o do Movimento Socialista Pan-Hel\u00e9nico (PASOK), de Andreas Papandreou. Na altura da sua chegada ao poder, na agenda pol\u00edtica do partido, estava a sa\u00edda da Gr\u00e9cia da Uni\u00e3o Europeia e tamb\u00e9m da NATO. Anteriormente, em 1979, pelas m\u00e3os de um governo da Nova Democracia liderado por Konstantinos Karamanlis, tinha sido assinado o Tratado de ades\u00e3o \u00e0s Comunidades Europeias (mais explic\u00e1vel por raz\u00f5es de Guerra-Fria do que pelo preenchimento dos requisitos de ades\u00e3o). No meio disto, h\u00e1 uma ironia hist\u00f3rica que parece uma revanche. Em 1985, na altura da ades\u00e3o de Portugal e de Espanha \u00e0s Comunidades Europeias, o governo de esquerda do PASOK amea\u00e7ou obstaculizar a entrada dos pa\u00edses ib\u00e9ricos, caso n\u00e3o obtivesse apoios financeiros adicionais (fundos estruturais). Trinta anos depois, em 2015, s\u00e3os os governos de direita portugu\u00eas e espanhol dos mais intransigentes na renegocia\u00e7\u00e3o do programa de apoio financeiro \u00e0 Gr\u00e9cia. Numa perspetiva hist\u00f3rico-pol\u00edtica alargada, o embate da Gr\u00e9cia com a Uni\u00e3o Europeia ligado hoje \u00e0 sua enorme d\u00edvida e ao desacordo quanto ao programa de financiamento, \u00e9 mais um epis\u00f3dio \u2013 ainda que um epis\u00f3dio maior \u2013, de um padr\u00e3o hist\u00f3rico-pol\u00edtico. Esse padr\u00e3o \u00e9 o do relacionamento conturbado da Gr\u00e9cia com o Ocidente e as suas institui\u00e7\u00f5es mais representativas: a Uni\u00e3o Europeia e a NATO.<\/p>\n<p>4. A componente nacionalista, ligada \u00e0 especificidade da identidade, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o territorial da Gr\u00e9cia moderna e \u00e0 sua \u00e1rea geopol\u00edtica envolvente, tem sido uma constante com impacto direto nessa turbul\u00eancia. Por isso, mesmo hoje, tem uma dimens\u00e3o compar\u00e1vel, se n\u00e3o mesmo superior, ao lado ideol\u00f3gico (de esquerda radical), do governo de coliga\u00e7\u00e3o liderado pelo Syriza. Para al\u00e9m das explica\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, o restabelecer do orgulho nacional e a atua\u00e7\u00e3o dura nas negocia\u00e7\u00f5es europeias, s\u00e3o mobilizadores do apoio popular. Quanto ao Syriza, faz lembrar o PASOK, de marcado cariz ideol\u00f3gico e nacionalista, dos prim\u00f3rdios no poder. A quest\u00e3o em aberto \u00e9 a de saber se a evolu\u00e7\u00e3o futura da Gr\u00e9cia se vai aproximar do padr\u00e3o pol\u00edtico dos anos 1980, quando o PASOK chegou ao poder com uma ret\u00f3rica \u2013 o tempo mostrou ser inconsequente \u2013, de retirar a Gr\u00e9cia da NATO e a da Uni\u00e3o Europeia. Paulatinamente, o partido evoluiu para o mainstream do consenso europe\u00edsta at\u00e9 que a atual crise o fez implodir eleitoralmente (43,9% dos votos em 2009; 4,7% em 2015). Ou ent\u00e3o o Syriza, porque n\u00e3o \u00e9 o PASOK \u2013 embora muitos dos eleitores sejam os mesmos \u2013 e tamb\u00e9m a Uni\u00e3o Europeia \u2013 porque n\u00e3o \u00e9 a mesma dos anos 1980, onde imperava a coes\u00e3o ditada pela Guerra Fria \u2013, v\u00e3o levar a rela\u00e7\u00e3o conturbada para uma perigosa terra inc\u00f3gnita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, artigo originalmente publicado no P\u00fablico, 18\/02\/2015<\/p>\n<p>\u00a9 Imagem: foto (Comiss\u00e3o Europeia \/ Servi\u00e7os Audiovisuais) da assinatura, no Zappeion de Atenas, por Georgios Rallis, Konstantinos Karamanlis e George Contogeorgis, do Tratado de ades\u00e3o da Gr\u00e9cia \u00e0s Comunidades Europeias, 29\/05\/1979<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quest\u00e3o em aberto \u00e9 a de saber se a evolu\u00e7\u00e3o futura da Gr\u00e9cia se vai aproximar do padr\u00e3o pol\u00edtico dos anos 1980 [&#8230;]\u00a0 Ou ent\u00e3o o Syriza, porque n\u00e3o \u00e9 o PASOK \u2013 embora muitos dos eleitores sejam os mesmos \u2013 e tamb\u00e9m a Uni\u00e3o Europeia \u2013 porque n\u00e3o \u00e9 a mesma dos anos &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2015\/06\/06\/a-grecia-e-a-uniao-europeia-uma-relacao-tumultuosa-desde-a-adesao\/\" class=\"more-link\">Continuar a ler <span class=\"screen-reader-text\">&#8220;A Gr\u00e9cia e a Uni\u00e3o Europeia: uma rela\u00e7\u00e3o tumultuosa desde a ades\u00e3o&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6],"tags":[48,43],"class_list":["post-2119","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-imprensa","tag-grecia","tag-uniao-europeia","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2119\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}