{"id":3308,"date":"2017-06-03T18:07:43","date_gmt":"2017-06-03T18:07:43","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/?p=3308"},"modified":"2017-07-28T17:28:15","modified_gmt":"2017-07-28T17:28:15","slug":"o-acordo-de-paris-na-teia-da-politica-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2017\/06\/03\/o-acordo-de-paris-na-teia-da-politica-internacional\/","title":{"rendered":"O Acordo de Paris na teia da pol\u00edtica internacional"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cop21-label.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3331\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cop21-label.jpg\" alt=\"\" width=\"871\" height=\"897\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cop21-label.jpg 871w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cop21-label-291x300.jpg 291w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cop21-label-768x791.jpg 768w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cop21-label-370x381.jpg 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cop21-label-570x587.jpg 570w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cop21-label-770x793.jpg 770w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/cop21-label-563x580.jpg 563w\" sizes=\"auto, (max-width: 871px) 100vw, 871px\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p><span class=\"\">Pobre planeta preso nesta teia infind\u00e1vel de interesses humanos.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p class=\"Corpo\"><span class=\"\">1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><span class=\"\">As quest\u00f5es ambientais s\u00e3o um problema da humanidade e do futuro comum do planeta. Infelizmente, est\u00e3o presas na complexa teia de interesses da pol\u00edtica internacional. Precis\u00e1vamos de outras formas pol\u00edticas mais adaptadas ao mundo globalizado de hoje. Mas n\u00e3o as temos. N\u00e3o h\u00e1 um governo da globalidade com poder e legitimidade para\u00a0 gerir as quest\u00f5es globais em nome de todos, nem no ambiente, nem noutras \u00e1reas da vida humana. As Na\u00e7\u00f5es Unidas s\u00e3o o que mais vagamente se aproxima disso, mas sem meios e poderes efectivos. Inevitavelmente, a decis\u00e3o passa por actores pol\u00edticos nacionais. Para complicar o assunto, os acordos ambientais t\u00eam repercuss\u00f5es na economia e no emprego. A consequ\u00eancia \u00e9 que ficam no centro da competi\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-estrat\u00e9gica pela supremacia mundial em curso.<\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\"><span class=\"\">2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><span class=\"\">Para quem se lembra ainda do que aconteceu com o Protocolo de Quioto nos anos 1990 \/ 2000 a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 demasiado familiar. A centralidade econ\u00f3mica e pol\u00edtica dos EUA tornavam-nos uma parte fundamental desse acordo ambiental. Tamb\u00e9m na altura, a Uni\u00e3o Europeia estava profundamente empenhada na sua implementa\u00e7\u00e3o. Tal como agora com Donald Trump, o governo de George W. Bush recusou a ratifica\u00e7\u00e3o. (Bill Clinton tinha assinado o Protocolo de Quito \u00e0 semelhan\u00e7a do que Barack Obama fez com o Acordo de Paris.) O argumento para a recusa de ratifica\u00e7\u00e3o do Protocolo de Quioto foi fundamentalmente econ\u00f3mico e estrat\u00e9gico: trazia encargos excessivos para a economia dos EUA, sobretudo quando comparada com rivais em\u00a0 ascens\u00e3o como a China. Similar argumento reapareceu \u2014 agora ligado \u00e0s promessas da campanha eleitoral e do relan\u00e7amento da economia e do emprego nos Estados em decl\u00ednio industrial do <i class=\"\">Rust Belt<\/i> \u2014, como motivo de abandono do Acordo de Paris.<\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\"><span class=\"\">3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><span class=\"\">O Protocolo de Quioto esteve preso<\/span><span class=\"\" lang=\"IT\">, durante v<\/span><span class=\"\">\u00e1rios anos, num jogo pol\u00edtico-estrat<\/span><span class=\"\" lang=\"FR\">\u00e9<\/span><span class=\"\">gico nada apreci\u00e1vel do ponto de vista <\/span><span class=\"\" lang=\"FR\">\u00e9<\/span><span class=\"\">tico, nem do interesse comum da humanidade. Vale a pena relembrar mais alguns aspectos do que aconteceu. Como j\u00e1 referido, para os EUA, o facto de a China, a \u00cdndia e outras pot\u00eancias emergentes n\u00e3o terem de assumir compromisso concretos e verific\u00e1veis na redu\u00e7\u00e3o efectiva das emiss\u00f5<\/span><span class=\"\" lang=\"ES-TRAD\">es de C<\/span><span class=\"\">O2, era inaceit\u00e1vel. Mas a recusa de George W. Bush em ratificar deu trunfos \u00e0 R\u00fassia de Vladimir Putin. Ficou com o poder de colocar o Protocolo de Quioto em vigor, caso o ratificasse. \u00c9 de notar que a R\u00fassia herdou a quota de emiss\u00f5es de CO2 da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Por isso n\u00e3o, tinha, na pr\u00e1tica, qualquer dificuldade em cumprir a sua quota, nem nenhum problema econ\u00f3mico e de emprego interno. Podia t\u00ea-lo ratificado logo. N\u00e3o o fez. Atrasou deliberadamente a ratifica\u00e7\u00e3o para obter concess\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia, a parte mais empenhada no mesmo. O caso \u00e9 \u00fatil para compreendermos como os acordos ambientais t\u00eam sido usados pelos diferentes actores da pol\u00edtica internacional em seu favor. Infelizmente, uma li\u00e7\u00e3o v\u00e1lida para percebermos o jogo pol\u00edtico-estrat\u00e9gico hoje \u00e0 volta do Acordo de Paris.<\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\"><span class=\"\">4.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><span class=\"\">A China\u00a0 est\u00e1 a tentar ganhar crescente terreno aos EUA na disputa pela supremacia mundial. Procura tirar proveito dos passos em falso de Donald Trump e explorar o mal-estar instalado nas rela\u00e7\u00f5es euro-atl\u00e2nticas. J\u00e1 vimos isso no in\u00edcio do ano no F<\/span><span class=\"\" lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span class=\"\">rum Econ<\/span><span class=\"\" lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span class=\"\">mico Mundial de 2017. Face \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o internacional levantada pelo discurso nacionalista econ\u00f3mico e a tenta\u00e7\u00e3o proteccionista dos EUA, Xi Jinping,\u00a0 o <\/span><span class=\"\" lang=\"IT\">\u00a0Presidente <\/span><span class=\"\">chin\u00eas, procurou posicionar-se como l\u00edder da globaliza\u00e7\u00e3o. A China\u00a0 seria agora o grande defensor dos mercados abertos e de uma globaliza\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e equilibrada. A inten\u00e7\u00e3o de Donald Trump sair do Acordo de Paris deu nova oportunidade aos chineses. Tal como Vladimir Putin no caso anterior de Quioto (Putin est\u00e1 agora numa pragm\u00e1tica vers\u00e3o <i class=\"\">don\u2019<\/i><\/span><i class=\"\"><span class=\"\" lang=\"EN-US\">t worry, be happy<\/span><\/i><span class=\"\">, de minimiza\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o de Trump), a China procura tentar tirar vantagens, em termos comerciais e pol\u00edticos, do empenhamento europeu no cumprimento do Acordo de Paris. Veremos que pre\u00e7o pagar\u00e1 a Uni\u00e3o Europeia por isso.<\/span><\/p>\n<p class=\"Corpo\"><span class=\"\">5.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><span class=\"\">Mas n\u00e3o s\u00e3o apenas os Estados que tentam usar os acordos ambientais a seu favor. Os interesses empresariais e a maneira como estes actuam e pressionam o poder pol\u00edtico nacional \u00e9 outra parte fundamental da quest\u00e3o. Um aspecto, \u00e0 primeira vista surpreendente, foi o facto de v\u00e1rias multinacionais do petr\u00f3leo sa\u00edrem em defesa do Acordo de Paris. Podemos ver um maior empenhamento nas quest\u00f5es ambientais, sustentabilidade e responsabilidade social. Sim, mas \u00e9 parte da hist\u00f3ria. No plano apresentado pelo governo de Obama, para cumprir as metas do Acordo de Paris, a medida com mais impacto na economia e emprego era a da substitui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de energia a partir do carv\u00e3o, pelo g\u00e1s natural. As multinacionais do petr\u00f3leo s\u00e3o hoje empresas diversificadas em todas as \u00e1reas da energia. Tinham ganhos em\u00a0perspectiva devido ao investimento p\u00fablico federal que iria ser feito nessa \u00e1rea. A convers\u00e3o \u00e9 interessada. Pobre planeta preso nesta teia infind\u00e1vel de interesses humanos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, 3\/6\/2017<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/dom%C3%ADnio-p%C3%BAblico.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1197\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/dom%C3%ADnio-p%C3%BAblico.png\" alt=\"dom\u00ednio p\u00fablico\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>\u00a0Imagem: Logo da COP21, UN Climate Conference, Paris 2015 (dom\u00ednio p\u00fablico \/ Wikipedia)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pobre planeta preso nesta teia infind\u00e1vel de interesses humanos. 1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As quest\u00f5es ambientais s\u00e3o um problema da humanidade e do futuro comum do planeta. Infelizmente, est\u00e3o presas na complexa teia de interesses da pol\u00edtica internacional. 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