{"id":4828,"date":"2019-12-15T23:45:02","date_gmt":"2019-12-15T23:45:02","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/?p=4828"},"modified":"2024-07-23T21:17:25","modified_gmt":"2024-07-23T21:17:25","slug":"o-triunfo-das-baratas-na-politica-britanica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2019\/12\/15\/o-triunfo-das-baratas-na-politica-britanica\/","title":{"rendered":"O triunfo das baratas na pol\u00edtica brit\u00e2nica"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/UK-Politics-1024x576-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4890\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/UK-Politics-1024x576-1.jpeg 1024w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/UK-Politics-1024x576-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/UK-Politics-1024x576-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/UK-Politics-1024x576-1-370x208.jpeg 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/UK-Politics-1024x576-1-570x321.jpeg 570w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/UK-Politics-1024x576-1-770x433.jpeg 770w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>No livro de Ian McEwan, a metamorfose de Jim Sams, apesar de ficar com a apar\u00eancia de uma barata, trouxe-lhe uma miss\u00e3o e grande \u00eaxito pol\u00edtico. Com ele, o Reino Unido abandonou a Uni\u00e3o Europeia ap\u00f3s v\u00e1rias manobras pol\u00edticas tortuosas.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>1<\/strong>. Para os partid\u00e1rios da perman\u00eancia na Uni\u00e3o Europeia, uma vit\u00f3ria de Boris Johnson nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de 12 de Dezembro, com a maioria absoluta dos deputados, dever\u00e1 assemelhar-se a um \u201ctriunfo das baratas\u201d (ver Ian McEwan \u201cA Barata\u201d, trad. port., Gradiva, 2019). A s\u00e1tira ao&nbsp;<em>Brexit<\/em>&nbsp;tem tonalidades kafkianas. O Primeiro-Ministro Jim Sams (vers\u00e3o ficcional de Boris Johnson), \u201cesperto, mas algo leviano\u201d, acordou um dia transformado numa barata e com a miss\u00e3o urgente de retirar o Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia. A metamorfose de Jim Sams, pol\u00edtico do Partido Conservador, replica o enredo da obra de Franz Kafka de 1915, onde o caixeiro viajante Gregor Samsa se metamorfoseou num insecto repelente. No livro de Ian McEwan, a metamorfose de Jim Sams, apesar de lhe dar a apar\u00eancia de uma barata, trouxe-lhe uma miss\u00e3o e grande \u00eaxito pol\u00edtico. Com ele, o Reino Unido abandonou a Uni\u00e3o Europeia, ap\u00f3s v\u00e1rias manobras pol\u00edticas tortuosas. Envolveram uma \u201cultrapassagem\u201d numa vota\u00e7\u00e3o parlamentar aos trabalhistas de Horace Crabbe (a vers\u00e3o ficcional de Jeremy Corbyn), \u201cum velho regressista da esquerda p\u00f3s-leninista.\u201d (p. 40), assim como o apoio ruidoso e confuso do presidente norte-americano, Archie Tupper (Donald Trump). Atrav\u00e9s de&nbsp;<em>tweets<\/em>&nbsp;bomb\u00e1sticos, este \u00faltimo aproveitou para atacar&nbsp;<em>en passant<\/em>&nbsp;o Presidente franc\u00eas, Sylvan Larousse (Emmanuel Macron), devido ao afundamento de uma embarca\u00e7\u00e3o de pesca pela marinha francesa (p. 64), incidente usado por Jim Sams para alimentar o fervor patri\u00f3tico brit\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2<\/strong>. Na narrativa de Ian McEwan, a atitude anti-Uni\u00e3o Europeia \u00e9 vista como resultante da ideologia do regressismo, termo ficcional certamente inspirado na corrente intelectual e pol\u00edtica euroc\u00e9ptica. O regressismo tornou-se gradualmente um sucesso. Passou de uma vis\u00e3o passadista de alguns exc\u00eantricos para o centro da pol\u00edtica do pa\u00eds. \u201cAs origens do regressismo s\u00e3o obscuras e objecto de muita discuss\u00e3o por parte dos interessados. Durante a maior parte da sua Hist\u00f3ria, foi considerado uma experi\u00eancia de pensamento, um jogo para depois do jantar, uma anedota. Era uma coutada de exc\u00eantricos, de homens solit\u00e1rios que escreviam compulsivamente artigos estramb\u00f3licos para os jornais\u201d (p. 35). A passagem das margens para o centro da pol\u00edtica brit\u00e2nica foi obra da imprensa regressista (alus\u00e3o os jornais brit\u00e2nicos euroc\u00e9pticos como o \u201cThe Telegraph\u201d e o \u201cDaily Mail\u201d e, sobretudo, \u00e0 chamada imprensa tabl\u00f3ide, \u201cThe Sun\u201d, \u201cThe Daily Express\u201d, ou \u201cThe Daily Mirror\u201d). \u201cNum golpe brilhante, a imprensa regressista conseguiu apresentar a sua causa como dever patri\u00f3tico e uma promessa de revivalismo e purifica\u00e7\u00e3o nacionais [&#8230;] (p. 39). Esse sucesso foi acompanhado musicalmente com um hino, uma vers\u00e3o rival ao \u201cHino \u00e0 Alegria\u201d da Uni\u00e3o Europeia \u2014 composto por Ludwig Van Beethoven em 1823 \u2014, o \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NuQlpFnlIBE\">Walking Back to Happiness<\/a>\u201d, de Helen Saphiro de 1961. Era uma das can\u00e7\u00f5es favoritas de Jim Sams (Boris Johnson) dos anos sessenta (pp. 52-53).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3<\/strong>. Imagina\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e0 parte, no mundo real da pol\u00edtica brit\u00e2nica \u201cGet Brexit Done\u201d \u00e9 o&nbsp;<em>slogan<\/em>&nbsp;eleitoral de Boris Johnson e do Partido Conservador. A mensagem \u00e9 simples(ista) e poderosa para os que est\u00e3o receptivos a sa\u00edda na Uni\u00e3o Europeia. Como \u00e9 habitual num&nbsp;<em>slogan<\/em>, n\u00e3o est\u00e1 destinada a favorecer o pensamento cr\u00edtico, mas a ac\u00e7\u00e3o. \u201cSe houver uma maioria de deputados conservadores a 13 de Dezembro, garanto que vou fazer passar o nosso novo acordo no Parlamento. Vamos concluir o&nbsp;<em>Brexit<\/em>&nbsp;em Janeiro e libertar o potencial de todo o nosso pa\u00eds.\u201d Parafraseando a ironia c\u00e1ustica de Ian McEwan, o objectivo dos conservadores ser\u00e1 provavelmente poderem dizer no final, com grande satisfa\u00e7\u00e3o: \u201cAgora a Gr\u00e3-Bretanha est\u00e1 entregue a si pr\u00f3pria. O povo falou. A genialidade do l\u00edder do nosso partido permitiu cumprir o desejo do povo. O regressismo foi cumprido! Sem mais hesita\u00e7\u00f5es nem demoras! A Gr\u00e3-Bretanha est\u00e1 sozinha!\u201d (p. 106).&nbsp;Ainda no seu manifesto pode ler-se tamb\u00e9m um ataque \u00e0s artimanhas da oposi\u00e7\u00e3o: \u201cSe o Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn e o SNP (Partido Nacional da Escoc\u00eas) de Nicola Sturgeon se unirem e assumirem o controle em 13 de Dezembro, teremos dois referendos em 2020, um sobre&nbsp;<em>Brexit<\/em>&nbsp;e outro sobre a Esc\u00f3cia. Por favor, apoiem um governo conservador maiorit\u00e1rio para que nosso pa\u00eds possa seguir em frente, em vez de retroceder.\u201d (Ver partido Conservador \u201c<a href=\"https:\/\/vote.conservatives.com)\">Our Plan \/ Conservative Manifesto 2019<\/a>\u201d). A advert\u00eancia de uma alian\u00e7a catastr\u00f3fica dos trabalhistas inglesas com os nacionalistas escoceses, paira sobre eleitores: votem em Boris Johnson ou enfrentar\u00e3o o pesadelo do embuste referendista de Jeremy Corbyn e Nicola Sturgeon. O&nbsp;<em>Brexit<\/em>&nbsp;pode n\u00e3o correr e o caminho para a independ\u00eancia da Esc\u00f3cia ficar\u00e1 aberto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4<\/strong>. Para o eleitorado do Partido Trabalhista a mensagem \u00e9 naturalmente outra. Procura desviar o foco da campanha eleitoral para as fun\u00e7\u00f5es sociais do Estado.&nbsp;&nbsp;\u201cBoris Johnson e os&nbsp;<em>Tories<\/em>&nbsp;est\u00e3o a tentar aproveitar-se do&nbsp;<em>Brexit<\/em>&nbsp;para vender o nosso Servi\u00e7o nacional de Sa\u00fade (NHS) e retirar direitos aos trabalhadores. O seu<em>&nbsp;Brexit<\/em>&nbsp;ir\u00e1 reverter os duros ganhos conquistados pelas pessoas da classe trabalhadora ao longo de gera\u00e7\u00f5es. Pior, isso poderia levar a que 500 milh\u00f5es de libras por semana do dinheiro do nosso NHS acabe nos bolsos de grandes empresas farmac\u00eauticas americanas.\u201d Quanto \u00e0 solu\u00e7\u00e3o para o&nbsp;<em>Brexit<\/em>&nbsp;\u2014 que tem colocado o regressista Jeremy Corbyn \u00e0s avessas com a maioria&nbsp;<em>remainer<\/em>&nbsp;do pr\u00f3prio partido \u2014, a solu\u00e7\u00e3o seria muito simples. \u201cUm governo trabalhista negociar\u00e1 um acordo sensato num prazo de tr\u00eas meses ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 baseado em coisas que sempre discutimos e dissemos que eram necess\u00e1rias com a Uni\u00e3o Europeia e que s\u00e3o apoiadas por sindicatos e empresas. Isto inclui uma nova uni\u00e3o aduaneira, uma estreita rela\u00e7\u00e3o com o mercado \u00fanico e garantias de direitos e protec\u00e7\u00e3o\u201d para os trabalhadores e ambiente. As pessoas ter\u00e3o a \u00faltima palavra num referendo \u201ca decorrer num prazo de seis meses, que n\u00e3o ser\u00e1 uma repeti\u00e7\u00e3o do ocorrido em 2016. Desta vez, a escolha ser\u00e1 entre sair com um acordo sensato ou permanecer na Uni\u00e3o Europeia.\u201d (Ver Partido Trabalhista, \u201c<a href=\"https:\/\/labour.org.uk\/page\/labour-brexit-plan\/\">Labour Plan for Brexit<\/a>\u201d). Resta saber como Jeremy Corbyn ir\u00e1 negociar um novo acordo com a Uni\u00e3o Europeia em tr\u00eas escassos meses e conseguir fazer um novo referendo em seis, sem dividir, ainda mais o pa\u00eds \u2014 algo que diz ser s\u00f3 culpa dos conservadores e liberais democratas. Mas essas s\u00e3o coisas menores para um progressista-regressista que v\u00ea o futuro no passado, n\u00e3o o da can\u00e7\u00e3o \u201cWalking Back to Happiness\u201d dos anos sessenta, mas nas pol\u00edticas neo-marxistas dos anos setenta.&nbsp;(Ver David Kogan, \u201c<a href=\"https:\/\/unherd.com\/2019\/12\/jeremy-corbyns-return-to-the-seventies\/\">Jeremy Corbyn\u2019s return to the Seventies<\/a>\u201d in&nbsp;<em>UnHerd<\/em>, 6\/12\/2019).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5<\/strong>. Com Boris Johnson e Jeremy Corbyn como protagonistas maiores, o \u201ctriunfo das baratas\u201d parece assegurado na pol\u00edtica brit\u00e2nica, seja qual for o resultado das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Claro que a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 ir\u00f3nica e tem tonalidades orwellianas. No caso de Boris Johnson ganhar \u2014 este \u00e9 o principal candidato \u00e0 vit\u00f3ria segundo as sondagens \u2014, o Reino Unido deixar\u00e1 a Uni\u00e3o Europeia at\u00e9 31 de Janeiro de 2020. Pelo menos a promessa \u00e9 essa. Em seguida, ser\u00e1 negociado um abrangente acordo comercial com a Uni\u00e3o Europeia, uma vers\u00e3o mais ambiciosa do <a href=\"https:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/PT\/TXT\/?uri=CELEX:22017A0114(01)\">Acordo Econ\u00f3mico e Comercial Global (CETA)<\/a>, j\u00e1 feito pelo Canad\u00e1, at\u00e9 finais&nbsp;&nbsp;de 2020.&nbsp;(Ver \u201cBoris Johnson: <a href=\"https:\/\/www.telegraph.co.uk\/politics\/2018\/09\/27\/boris-johnson-plan-better-brexit\/)\">My plan for a better Brexit<\/a>\u201d in Telegraph, 27\/09\/2019).&nbsp;Dito assim at\u00e9 parece simples. Mas o Reino Unido enfrentar\u00e1 uma negocia\u00e7\u00e3o longa, complexa e potencialmente frustrante. O limite de finais de 2020 \u00e9 curto e muito ambicioso \u2014 provavelmente imposs\u00edvel de cumprir \u2014 para as negocia\u00e7\u00f5es da futura rela\u00e7\u00e3o comercial com a Uni\u00e3o Europeia. S\u00f3 para dar uma ideia da complexidade do que estamos a falar, foram necess\u00e1rios mais de quatro meses para preparar a vers\u00e3o final, para ratifica\u00e7\u00e3o, do acordo comercial da Uni\u00e3o Europeia com o Jap\u00e3o. Claro que, como ironiza Ian McEwan na sua obra de fic\u00e7\u00e3o, apesar das grandes dificuldades alguns poder\u00e3o sempre chamar-lhe ainda Jim,&nbsp;<em>o<\/em>&nbsp;<em>Sortudo<\/em>, pois podia ser pior. E Boris Johnson poder\u00e1 tamb\u00e9m voltar a dizer \u201cantes morto numa valeta\u201d do que pedir novo adiamento, para cumprir a promessa eleitoral do \u201cGet Brexit Done\u201d.&nbsp;(Ver&nbsp;&nbsp;\u201c<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/av\/uk-politics-49601128\/boris-johnson-i-d-rather-be-dead-in-a-ditch-than-ask-for-brexit-delay)\">Boris Johnson: &#8216;I&#8217;d rather be dead in a ditch&#8217; than ask for Brexit delay<\/a>\u201d in BBC, 5\/09\/2019)&nbsp;.&nbsp;Ou ent\u00e3o acabar a enviar uma nova missiva n\u00e3o assinada \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, a pedir mais um adiamento.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, artigo originalmente publicado no P\u00fablico, 10\/12\/2019<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a9 Imagem: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2HjxWs6iEPw\">AFP \/ video El sistema pol\u00edtico brit\u00e1nico <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No livro de Ian McEwan, a metamorfose de Jim Sams, apesar de ficar com a apar\u00eancia de uma barata, trouxe-lhe uma miss\u00e3o e grande \u00eaxito pol\u00edtico. 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