{"id":4872,"date":"2019-12-16T07:30:26","date_gmt":"2019-12-16T07:30:26","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/?p=4872"},"modified":"2024-07-23T21:17:07","modified_gmt":"2024-07-23T21:17:07","slug":"o-comercio-internacional-como-competicao-pela-supremacia-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2019\/12\/16\/o-comercio-internacional-como-competicao-pela-supremacia-mundial\/","title":{"rendered":"O com\u00e9rcio internacional como competi\u00e7\u00e3o pela supremacia mundial"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4908\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-1568x1047.jpeg 1568w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-300x200.jpeg 300w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-768x513.jpeg 768w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-1536x1025.jpeg 1536w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-2048x1367.jpeg 2048w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-570x381.jpeg 570w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-370x247.jpeg 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-270x180.jpeg 270w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-770x514.jpeg 770w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-1170x781.jpeg 1170w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Trade-Power-869x580.jpeg 869w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A actual competi\u00e7\u00e3o sino-americana pode ser vista sob o prisma da teoria dos jogos, sendo, nessa \u00f3ptica, um apaixonante jogo estrat\u00e9gico de soma zero. Mas no mundo real os riscos s\u00e3o s\u00e9rios.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>1.\u00a0<\/strong>No mundo actual,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/07\/23\/economia\/noticia\/guerra-comercial-afectar-china-eua-1880917\">a rivalidade entre os EUA e a China<\/a>\u00a0lembra-nos, de forma cr\u00edtica, o papel que o com\u00e9rcio internacional tem na competi\u00e7\u00e3o entre grandes pot\u00eancias. Teoricamente, num mundo sem fronteiras e sem comunidades pol\u00edticas organizadas em Estados soberanos \u2014 ou seja, n\u00e3o dividido segundo o que usualmente se chamam as economias nacionais \u2014, seria indiferente, ou pouco relevante, o local onde os bens s\u00e3o produzidos ou consumidos. Nesse mundo, onde os indiv\u00edduos seriam totalmente cosmopolitas, em termos de economia pol\u00edtica apenas interessaria a an\u00e1lise da produ\u00e7\u00e3o mundial, ou global, do mercado global, dos consumidores dispersos um pouco por todo o planeta e da taxa de emprego (e de desemprego) global. O resto seriam resqu\u00edcios das velhas l\u00f3gicas econ\u00f3micas nacionais do passado, ou especificidades, locais ou regionais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.&nbsp;<\/strong>A met\u00e1fora da \u201caldeia global\u201d (Marshall McLuhan) \u00e9 poderosa. Capta m\u00faltiplas facetas do mundo actual onde as dist\u00e2ncias se encurtaram extraordinariamente. Todavia, quando aplicada \u00e0 economia e ao com\u00e9rcio internacional, fornece-nos, na melhor das hip\u00f3teses, uma vis\u00e3o parcial do mundo do s\u00e9culo XXI. Mesmo na Uni\u00e3o Europeia, onde a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e pol\u00edtica \u00e9 a mais avan\u00e7ada do mundo \u2014 e se criou uma esp\u00e9cie de \u201caldeia global\u201d \u00e0 escala europeia \u2014, \u00e9 ilus\u00f3rio pensar-se que a produ\u00e7\u00e3o nacional, o emprego nacional, ou o crescimento do produto nacional bruto (PNB) e das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es perderam import\u00e2ncia num grande mercado \u00fanico com uma moeda comum (e que aquilo que conta \u00e9 fundamentalmente o todo europeu). A crise da Zona Euro e as suas sequelas sobre os Estados-membros mostraram isso de forma cruel. Nenhum governo \u2014 sobretudo se tiver de responder democraticamente perante o eleitorado \u2014 se consegue esquivar \u00e0 quest\u00e3o do bem-estar econ\u00f3mico da comunidade pol\u00edtica que governa. Nenhum governo sobrevive invocando o bem-estar cosmopolita da \u201caldeia global\u201d, ou do conjunto da Uni\u00e3o Europeia, se os efeitos ben\u00e9ficos n\u00e3o forem sentidos pelos seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os-eleitores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.&nbsp;<\/strong>O com\u00e9rcio internacional tem uma inevit\u00e1vel dimens\u00e3o de competi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre comunidades pol\u00edticas estaduais (as economias nacionais). Numa vis\u00e3o econ\u00f3mica pura \u2014 poss\u00edvel na investiga\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, mas desfasada da realidade pela dificuldade extrema de traduzir a complexidade do mundo real em modelos test\u00e1veis \u2014, o com\u00e9rcio internacional desliga-se do pol\u00edtico, do poder e dos objectivos dos intervenientes que nele participam, sobretudo quando estes n\u00e3o s\u00e3o nem econ\u00f3micos, nem supostamente racionais. Mas, no mundo real, todos esses aspectos se interligam estando o racional e o emotivo \u2014 ou at\u00e9 o irracional \u2014 sempre presentes e a condicionar os resultados finais. No mundo, \u00e9 poss\u00edvel observar per\u00edodos onde o com\u00e9rcio internacional, visto como uma competi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre unidades pol\u00edticas soberanas, se esbateu (mas nunca desapareceu), de outros per\u00edodos onde essa l\u00f3gica (re)surgiu em for\u00e7a. Nos prim\u00f3rdios da actual globaliza\u00e7\u00e3o, a ideia de uma teoria estrat\u00e9gica do com\u00e9rcio internacional tinha v\u00e1rios proponentes de maior ou menor envergadura. Paul Krugman foi um proponente maior, apesar de, posteriormente, se ter distanciado de tal vis\u00e3o sobre o com\u00e9rcio internacional (ver \u201c<em>Strategic Trade Policy and the new International Economics&#8221;\/\u201c<\/em>A Teoria Estrat\u00e9gica do Com\u00e9rcio Internacional e a nova Economia Internacional\u201d, MIT Press, 1986).&nbsp; Mas como na \u00e9poca fez notar um outro importante economista, Avinash Dixit, da Universidade de Princeton \u2014 num texto inserido nessa mesma publica\u00e7\u00e3o de Paul Krugman \u2014, as investiga\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e emp\u00edricas da teoria estrat\u00e9gica agradavam aos defensores do protecionismo e (neo)mercantilismo. Estes procuravam apropriar-se dos seus resultados para dar um novo \u00edmpeto aos argumentos (neo)mercantilistas e influenciar a pol\u00edtica comercial. Hoje, \u00e9 a discuss\u00e3o sobre as vantagens em dominar a intelig\u00eancia artificial, ou a tecnologia 5G nas redes de comunica\u00e7\u00f5es m\u00f3veis, o que faz lembrar a teoria estrat\u00e9gica do com\u00e9rcio internacional de Paul Krugman e as discuss\u00f5es dos anos 1980.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4.&nbsp;<\/strong>Para al\u00e9m da Economia, e dos desenvolvimentos da teoria estrat\u00e9gica do com\u00e9rcio internacional anteriormente referidos, uma outra an\u00e1lise surgiu ligada \u00e0 chamada Geoeconomia. Esta nova \u00e1rea do conhecimento, ainda que contestada na sua solidez te\u00f3rica e rigor conceptual, tem dois proponentes maiores: nos EUA Edward Luttwak (ver \u201c<em><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/pdf\/42894676.pdf?seq=1#page_scan_tab_contents\" target=\"_blank\">From Geopolitics to Geo-Economics: Logic of Conflict, Grammar of Commerce<\/a>&#8220;<\/em>\/\u201cDa Geopol\u00edtica \u00e0 Geoeconomia&#8230;\u201d in&nbsp;<em>The National Interest<\/em>, n.\u00ba 20, 1990, pp. 17-23); e, em Fran\u00e7a, Pascal Lorot (ver \u201c<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.diplomatie.gouv.fr\/IMG\/pdf\/FD001147.pdf\" target=\"_blank\"><em>De&nbsp;la g\u00e9opolitique \u00e0 la g\u00e9o\u00e9conomie: La g\u00e9o\u00e9conomie, nouvelle grammaire des rivalit\u00e9s internationales<\/em><\/a>\u201d in&nbsp;<em>G\u00e9o\u00e9conomie\/Revue fran\u00e7aise de G\u00e9o\u00e9conomie<\/em>, 1997, pp. 110-122). A Geoeconomia procura interligar a Economia Internacional com uma abordagem espacial\/geogr\u00e1fica, centrando-se na competi\u00e7\u00e3o entre entidades pol\u00edticas (Estados), ou grandes \u00e1reas de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica (Uni\u00e3o Europeia, Mercosul, ASEAN \u2013\u200b&nbsp;Associa\u00e7\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico, etc.). Assume que nessa competi\u00e7\u00e3o h\u00e1 objectivos de dominar segmentos do mercado mundial ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o ou comercializa\u00e7\u00e3o de certos produtos e de adquirir e controlar tecnologias de ponta, fundamentais para uma economia avan\u00e7ada e o poder militar. Procura identificar as medidas usadas \u2014 implementadas de forma aberta ou dissimulada \u2014, com o intuito de dar vantagem \u00e0 economia nacional ou de um espa\u00e7o econ\u00f3mico integrado, protegendo empresas e sectores vistos como estrat\u00e9gicos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5.&nbsp;<\/strong>A tens\u00e3o entre o livre com\u00e9rcio global e os objectivos dos Estados, ou dos espa\u00e7os econ\u00f3micos integrados, \u00e9 de natureza estrutural na economia pol\u00edtica internacional. Como j\u00e1 notado, s\u00f3 num mundo ideal, totalmente cosmopolita, tais tens\u00f5es n\u00e3o existiriam. H\u00e1 uma d\u00e9cada, a j\u00e1 aqui referida crise internacional&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2018\/09\/15\/economia\/noticia\/no-mundo-poslehman-nem-tudo-deixou-de-ser-como-dantes-1844114\">desencadeada pela fal\u00eancia do banco Lehman Brothers nos EUA<\/a>&nbsp;originou ondas de choque, financeiras, econ\u00f3micas e sociais. Crises dessa dimens\u00e3o geram profundos efeitos sociais negativos, prolongados no tempo. Fazem reemergir os argumentos a favor do proteccionismo ou de um (neo)mercantilismo. Nesse contexto, as press\u00f5es sociais e de certos sectores econ\u00f3micos tendem tamb\u00e9m a aumentar, reclamando uma interven\u00e7\u00e3o governamental protectora e\/ou dirigista da economia. Mas fora de um contexto de crise financeira e econ\u00f3mica grave, o que \u00e9 um dado novo no p\u00f3s-II Guerra Mundial \u00e9 as duas maiores pot\u00eancias econ\u00f3mico-comerciais \u2014 os EUA e a China \u2014, ambas verem o com\u00e9rcio como uma competi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica crucial, a qual \u00e9 instrumental na sua luta pela supremacia mundial. Uma l\u00f3gica desse tipo s\u00f3 nos anos 1920 e 1930 e foi de m\u00e1 mem\u00f3ria para o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6.&nbsp;<\/strong>Nem EUA, nem China, olham para o com\u00e9rcio internacional como uma troca de bens e servi\u00e7os onde todos podem ganhar e aumentar o seu bem-estar, sem ser \u00e0 custa do outro.&nbsp;Isso coloca um problema s\u00e9rio ao sistema comercial multilateral, tal como est\u00e1 institu\u00eddo actualmente sob as regras da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio. O actual sistema comercial reflecte o pensamento econ\u00f3mico cl\u00e1ssico de Adam Smith e David Ricardo, bem como dos continuadores modernos, de Paul Samuelson a Jagdish Bhagwati. &nbsp;Para alguns, a actual competi\u00e7\u00e3o sino-americana no com\u00e9rcio internacional pode ser vista sob o prisma da teoria dos jogos, sendo, nessa \u00f3ptica, um apaixonante jogo estrat\u00e9gico de soma zero. \u00c9 uma forma de competi\u00e7\u00e3o do tipo \u201ctudo ou nada\u201d, onde o que um ganha o outro perde. Mas no mundo real os riscos s\u00e3o s\u00e9rios. Para al\u00e9m de os EUA e a China poderem perder ambos bem-estar econ\u00f3mico, se a competi\u00e7\u00e3o espica\u00e7ar, ainda mais, as rivalidades pol\u00edtico-militares j\u00e1 existentes, as consequ\u00eancias ser\u00e3o nefastas para o mundo na sua globalidade. Assim, vamos esperar que os pr\u00f3ximos tempos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2019\/06\/29\/economia\/noticia\/china-estados-unidos-reabrem-negociacoes-acabar-guerra-comercial-1878156\">tragam uma tr\u00e9gua na guerra comercial em curso<\/a>&nbsp;(ver \u201c<a href=\"https:\/\/www.economist.com\/finance-and-economics\/2019\/10\/12\/a-mini-truce-between-america-and-china-has-investors-feeling-hopeful\"><em>A mini-truce between America and China has investors feeling hopeful<\/em><\/a>\u201d&nbsp;<em>in The Economist<\/em>, 12\/10\/2019), que a aproxima\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es presidenciais nos EUA poder\u00e1 facilitar. Todavia, \u00e9 ilus\u00f3rio pensar no seu fim: a competi\u00e7\u00e3o e rivalidade sino-americana desenham-se, cada vez mais, como uma componente estrutural do mundo do s\u00e9culo XXI.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, artigo originalmente publicado sob o t\u00edtulo &#8216;EUA <em>vs<\/em> China: o com\u00e9rcio internacional como competi\u00e7\u00e3o pela supremacia mundial&#8217; no P\u00fablico, 9\/11\/2019<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a9 Imagem: iStock \/ Realpolitik<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A actual competi\u00e7\u00e3o sino-americana pode ser vista sob o prisma da teoria dos jogos, sendo, nessa \u00f3ptica, um apaixonante jogo estrat\u00e9gico de soma zero. 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