{"id":5897,"date":"2022-05-10T11:09:47","date_gmt":"2022-05-10T11:09:47","guid":{"rendered":"https:\/\/realpolitikmag.org\/?p=5897"},"modified":"2022-05-10T11:58:00","modified_gmt":"2022-05-10T11:58:00","slug":"a-vinganca-da-russia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/realpolitikmag.org\/index.php\/2022\/05\/10\/a-vinganca-da-russia\/","title":{"rendered":"A vingan\u00e7a da R\u00fassia"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"709\" src=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-1024x709.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5901\" srcset=\"https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-1024x709.jpg 1024w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-1568x1086.jpg 1568w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-300x208.jpg 300w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-768x532.jpg 768w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-1536x1063.jpg 1536w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-2048x1418.jpg 2048w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-370x256.jpg 370w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-570x395.jpg 570w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-770x533.jpg 770w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-1170x810.jpg 1170w, https:\/\/realpolitikmag.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mapa-satirico-da-Europa-em-1899-838x580.jpg 838w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Mapa sat\u00edrico da Europa, 1899<\/p>\n\n\n\n<p>1. N\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida que estamos a assistir a uma vingan\u00e7a da R\u00fassia. H\u00e1 uma vontade de reverter aquilo que para muitos russos foram sucessivas humilha\u00e7\u00f5es vindas do Ocidente, aproveitando-se da sua vulnerabilidade ap\u00f3s o final da Guerra-Fria. N\u00e3o \u00e9 um acaso surgir nesta altura. Estamos num mundo muito diferente daquele que marcou a \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XX, onde a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vie-publique.fr\/discours\/131274-declaration-de-m-hubert-vedrine-ministre-des-affaires-etrangeres-sur\">hiperpot\u00eancia norte-americana<\/a>, na express\u00e3o do Ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros franc\u00eas da \u00e9poca, Hubert V\u00e9drine, n\u00e3o tinha rival \u00e0 altura. Hoje a R\u00fassia, tal como a China, percepciona os EUA numa traject\u00f3ria de decl\u00ednio de poder. V\u00ea assim oportunidades para reconfigurar o mundo exterior \u00e0 sua pr\u00f3pria maneira, especialmente na \u00e1rea geopol\u00edtica envolvente que considera cr\u00edtica para a sua seguran\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>2. Na crise da Ucr\u00e2nia, a quest\u00e3o do alargamento da NATO tem estado no centro das discuss\u00f5es. \u00c9, todavia, necess\u00e1rio ir al\u00e9m desse aspecto para contextualizar o problema.&nbsp;&nbsp;A crise da Ucr\u00e2nia insere-se no ressurgir, em for\u00e7a, de uma contesta\u00e7\u00e3o com m\u00faltiplas origens aos princ\u00edpios que o Ocidente v\u00ea como bons para si e para a generalidade do mundo: democracia liberal, Estado de direito, direitos humanos, direitos das minorias, economia de mercado e globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, comercial e tecnol\u00f3gica impregnada de valores ocidentais. \u00c9 necess\u00e1rio, todavia, ter um aspecto bem claro. Embora a linguagem ocidental seja normativa e imbu\u00edda de valores, h\u00e1 um dimens\u00e3o geopol\u00edtica e de poder que lhe est\u00e1 subjacente. Para o Ocidente, estes princ\u00edpios, que s\u00e3o seus, t\u00eam uma vantagem (muito grande) de poder: aumentam automaticamente a sua influ\u00eancia geopol\u00edtica&nbsp;no mundo e trazem-lhe ganhos materiais. Podemos n\u00e3o (querer) ver isso, mas outros v\u00eaem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>3.&nbsp;Vale a pena&nbsp;lembrar novamente aqui, pela sua lucidez anal\u00edtica, o discurso de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.vie-publique.fr\/discours\/131274-declaration-de-m-hubert-vedrine-ministre-des-affaires-etrangeres-sur\">Hubert V\u00e9drine, proferido a 3 de Novembro de 199<\/a>9, onde este falava na hiperpot\u00eancia norte-americana. Nesse discurso, interrogava-se sobre como o Ocidente se via a na altura, respondendo assim: \u201cPrimeiro como um vencedor. Vencedor da hist\u00f3ria&nbsp;\u2014 da\u00ed&nbsp;a tenta\u00e7\u00e3o de proclamar seu fim \u2014 vencedor da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica depois de ter vencido o nazismo e o fascismo, segundo uma vis\u00e3o linear em duas etapas 1945, 1989-91. Depois, como express\u00e3o do universal. A da economia globalizada pelas tecnologias, a dos homens unificados pela simultaneidade das imagens, a dos valores acima de tudo, partindo dos valores b\u00e1sicos, democracia e economia de mercado, e desmembrando-os em liberdades individuais, liberdades econ\u00f3micas, Estado de direito, elei\u00e7\u00f5es livres, meios de comunica\u00e7\u00e3o livres, ju\u00edzes independentes, perfeito respeito pelos direitos humanos, etc&#8230; Tal programa deveria ser un\u00e2nime. E, no entanto, as contesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas\u201d.&nbsp;&nbsp;Nessa sua reflex\u00e3o, Hubert V\u00e9drine tinha como pano de fundo as guerras da Jugosl\u00e1via, em particular a interven\u00e7\u00e3o da NATO no Kosovo. Mas quando vemos agora a&nbsp;<a href=\"https:\/\/tass.com\/politics\/1408295\">R\u00fassia reconhecer a independ\u00eancia das rep\u00fablicas separatistas pr\u00f3-russas de Donetsk e Lugansk<\/a>, impondo a sua vontade pela for\u00e7a e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.osce.org\/cio\/140156\">enterrando os acordos de Minsk de 2015<\/a>,&nbsp;&nbsp;fica a sensa\u00e7\u00e3o de o passado reemergir como um fantasma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>4. Na \u00e9poca em Hubert V\u00e9drine escreveu, apesar das pol\u00e9micas, prevaleceu no Ocidente a defesa dos direitos humanos e dos direitos das minorias. A interven\u00e7\u00e3o (ou inger\u00eancia) humanit\u00e1ria, que envolveu opera\u00e7\u00f5es militares de maior ou menor envergadura, foi vista como justificada mesmo contra a soberania do Estado. Rever as fronteiras sa\u00eddas da II Guerra Mundial foi considerado aceit\u00e1vel em nome desse princ\u00edpio. As teses da seguran\u00e7a humana de valor superior ao do Estado, davam-lhe uma aura de inovadora legitimidade. Todavia, abriu-se um precedente de que hoje estamos a ver as sequelas difusas: esses princ\u00edpios n\u00e3o estavam, nem est\u00e3o, inscritos na Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas. A interven\u00e7\u00e3o da NATO Kosovo em 1999 no Kosovo foi feita sem resolu\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do Conselho de Seguran\u00e7a, nem enquadramento na legalidade internacional resultante do dispositivo Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Assim, o que decidiu a quest\u00e3o n\u00e3o foram os princ\u00edpios e valores em si mesmos \u2014 por muito que sejam enaltecidos e louv\u00e1veis \u2014, mas o poder militar do Ocidente. Essa forma de actuar criou m\u00faltiplos ressentimentos, desde logo na R\u00fassia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>5.&nbsp;&nbsp;A quest\u00e3o complica-se,&nbsp;&nbsp;ainda mais, pelo facto de a R\u00fassia ser um<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/05\/09\/mundo\/noticia\/espectro-republicas-imperiais-paira-mundo-sobrevivera-europa-1961385\">&nbsp;Estado-imp\u00e9rio (tal como a China e os EUA<\/a>, estes \u00faltimos uma rep\u00fablica imperial na qualifica\u00e7\u00e3o de Raymond Aron) que j\u00e1 teve v\u00e1rias vers\u00f5es nos \u00faltimos s\u00e9culos: R\u00fassia dos czares, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e agora Federa\u00e7\u00e3o Russa. Em todas elas sempre houve um dilema fundamental que os ocidentais subestimam: os momentos de revolu\u00e7\u00e3o e de ruptura pol\u00edtica s\u00e3o, em simult\u00e2neo, momentos de desagrega\u00e7\u00e3o do Estado. \u00c9 suficiente recordar o que aconteceu ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o bolchevique de Outubro de 1917 e paz de Brest-Litovsk (tratado assinado na actual Bielorr\u00fassia) de in\u00edcios de 1918, que levou \u00e0 sa\u00edda da I Guerra Mundial; e tamb\u00e9m o que aconteceu a seguir ao final da Guerra-Fria em 1989 e \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1991: quando fraqueja o poder central, o Estado russo come\u00e7a a desagregar-se, com m\u00faltiplos territ\u00f3rios a fugirem, como a Ucr\u00e2nia tentou fazer nessa altura. Note-se que este dilema n\u00e3o existe em geral no Ocidente. A Fran\u00e7a passou pela revolu\u00e7\u00e3o de 1789 \u2014 que trouxe uma profunda transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&nbsp;\u2014 sem nunca estar em causa a desagrega\u00e7\u00e3o do Estado franc\u00eas.&nbsp;&nbsp;Neste sentido a R\u00fassia \u00e9 necessariamente um Estado excepcional e diferente do Ocidente. A democracia liberal \u2014 tal como, por exemplo, a Uni\u00e3o Europeia a entende&nbsp;\u2014&nbsp;implicaria aceitar a possibilidade de desagrega\u00e7\u00e3o do Estado russo em componentes pol\u00edticas mais pequenas, dada a sua diversidade de Estado-imp\u00e9rio com m\u00faltiplos povos e minorias.&nbsp;&nbsp;Nenhum pol\u00edtico ter\u00e1 futuro na R\u00fassia a defender tais ideias.<\/p>\n\n\n\n<p>6. Vladimir Putin \u00e9 hoje uma esp\u00e9cie de N\u00e9mesis do Ocidente. Alimenta, por conveni\u00eancia pol\u00edtica e estrat\u00e9gica, todos os estere\u00f3tipos negativos que est\u00e3o enraizados na popula\u00e7\u00e3o russa sobre o Ocidente liberal (desde o seu materialismo at\u00e9 \u00e0 decad\u00eancia dos valores p\u00f3s-modernos, passando pelo aproveitamento brutal das fraquezas russas). Promete uma R\u00fassia forte que n\u00e3o abdica dos seus direitos hist\u00f3ricos e de grande pot\u00eancia. Para um Estado-imp\u00e9rio orgulhoso do seu passado, habituado a ter que lidar com muitos inimigos nas suas vast\u00edssimas fronteiras, este discurso \u2014 que choca no Ocidente habituado \u00e0 ret\u00f3rica normativa e dos valores e n\u00e3o \u00e0 linguagem crua da geopol\u00edtica \u2014, tem um car\u00e1ter de (quase) naturalidade. A R\u00fassia \u00e9 demasiado orgulhosa para querer ser uma c\u00f3pia das democracias ocidentais liberais, modelo que muitos russos acham ser utilizado contra si para a desagregar. Desconfia profundamente das boas raz\u00f5es universalistas dos ocidentais associadas \u00e0 democracia liberal direitos humanos, vendo-os uma forma dissimulada de Ocidente expandir os seus interesses geopol\u00edticos e materiais. H\u00e1, por isso, um conflito profundo de valores e&nbsp;&nbsp;uma enorm\u00edssima desconfian\u00e7a instalada.<\/p>\n\n\n\n<p>7. A Ucr\u00e2nia, pela sua import\u00e2ncia hist\u00f3ria, econ\u00f3mica e geopol\u00edtica para R\u00fassia, tornou-se num perigoso terreno de confronta\u00e7\u00e3o com o Ocidente. Hoje a R\u00fassia sente-se suficientemente forte para colocar em causa (em parte) o realinhamento do final da Guerra-Fria. Na sua \u00f3ptica, faz apenas o mesmo que os EUA \/ NATO fizeram na antiga Jugosl\u00e1via e noutras partes do mundo (e por isso tem o direito de o fazer): tenta legitimar a sua interven\u00e7\u00e3o invocando a protec\u00e7\u00e3o das minorias russas agredidas nos territ\u00f3rios de Donbass e a necessidade de uma opera\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria. Trata-se quase de mimetizar \u2014 dir\u00e3o os mais cr\u00edticos de forma absurda e caricatural \u2014 os argumentos de anteriores interven\u00e7\u00f5es do Ocidente \/ NATO.&nbsp;&nbsp;O resultado, \u00e9 que qualquer concess\u00e3o por pequena que seja, parece inaceit\u00e1vel e uma humilha\u00e7\u00e3o. Do lado ocidental, reemergiu o espectro de se fazerem acordos com Vladimir Putin que tragam&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.history.com\/news\/chamberlain-declares-peace-for-our-time-75-years-ago\">\u201cpaz para o nosso tempo\u201d, como fez o Primeiro-Ministro brit\u00e2nico em 1938, Neville Chamberlain, com Adolf Hitler e a Alemanha nazi<\/a>&nbsp;&nbsp;(e que n\u00e3o evitou a guerra). A ironia de tudo isto \u00e9 que do lado russo os nazis s\u00e3o os nacionalistas ucranianos. A R\u00fassia aponta-lhes o dedo e denigre-os por terem colaborado com a Alemanha durante a II Guerra Mundial. Acabar com este c\u00edrculo vicioso que pode mesmo levar a uma guerra \u00e9 a maior tarefa da diplomacia para os pr\u00f3ximo tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a9 Jos\u00e9 Pedro Teixeira Fernandes, artigo originalmente publicado no P\u00fablico, 22\/02\/2022<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a9 Imagem: Wikimedia Commons \/ Realpolitik<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mapa sat\u00edrico da Europa, 1899 1. N\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida que estamos a assistir a uma vingan\u00e7a da R\u00fassia. H\u00e1 uma vontade de reverter aquilo que para muitos russos foram sucessivas humilha\u00e7\u00f5es vindas do Ocidente, aproveitando-se da sua vulnerabilidade ap\u00f3s o final da Guerra-Fria. N\u00e3o \u00e9 um acaso surgir nesta altura. 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